Inglaterra

‘O grande erro de Slot no Liverpool é não deixar Salah no banco, a decisão é estranha’

Ídolo dos Reds tem vivido temporada abaixo da média e virou alvo de críticas na Inglaterra

Após viver uma temporada que o colocou nas conversas de Bola de Ouro, Mohamed Salah teve uma queda abrupta. Após o título, o ídolo do Liverpool está em uma temporada de 16 jogos e apenas cinco gols marcados.

As críticas ao egípcio sempre foram raras, uma vez que sua produção em massa de gols, assistências e bom desempenho sempre foi constante. Agora, no entanto, há dúvidas sobre o balanceamento do novo Liverpool de Arne Slot e como Salah tem perdido espaço de protagonista.

Barney Ronay, editor do jornal inglês “The Guardian”, foi um dos nomes a levantar a dúvida sobre a temporada do camisa 11. Para ele, o principal erro de Slot atualmente é mantê-lo como titular, mesmo em baixa.

Salah no banco é a solução para o Liverpool?

Salah não marca contra adversários de elite há 11 partidas — considerando o Big-Six da Premier League e grandes europeus na Champions League. Pior do que isso: o Liverpool perdeu sete desses confrontos.

Desde o último brilho do atacante, em fevereiro, contra o Manchester City, ainda na temporada passada, seu desempenho caiu drasticamente. E a equipe tem sofrido para competir fisicamente e manter o padrão de intensidade que marcou a era recente do clube.

Para Ronay, a presença de Salah tem criado vulnerabilidades estruturais no time. Sem contribuir defensivamente, o egípcio expõe o jovem lateral Conor Bradley, forçado a lidar com situações de dois contra um na ponta. Por isso, o zagueiro Ibrahima Konaté é deslocado para cobrir o setor, abrindo espaços pelo meio, enquanto o meio-campo, com Florian Wirtz e Alexis Mac Allister, perde impacto físico e capacidade de pressão.

Mohamed Salah em jogo do Liverpool
Mohamed Salah em jogo do Liverpool. (Foto: Imago)

O resultado é um Liverpool frágil, menos combativo e dependente de lampejos individuais. Slot, conhecido por seu rigor tático, parece refém do status do atacante, que aos 33 anos já mostra desgaste natural após mais de 700 jogos na carreira.

Slot está cometendo pelo menos um erro gerencial muito óbvio e de grande impacto. Por que está escalando Salah em todos os jogos? Por que continua a fazer isso mesmo quando a evidência é clara de que este é um erro? Um que ainda pode ser corrigido, mas que se torna mais profundamente agravado a cada semana que passa”, diz o jornalista.

Por outro lado, ele reforça que nada disso é realmente culpa de Salah, e que, na verdade, o egípcio não está fazendo nada diferente. Ele nunca foi um jogador defensivo, algo que não importava quando estava flanqueado por um meio-campo de três homens “furiosamente famintos”.

“Ele também está certo em estar ciente de seu próprio valor como um dos artilheiros mais emocionantemente produtivos que a liga já viu. Mas, ele também tem 33 anos, é bastante pequeno e veterano de mais de 700 jogos na carreira. O que todos esperavam que acontecesse aqui?”

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O novo Liverpool de Slot com ‘contratações demais’

A decisão de renovar com Salah em 2024, com salário alto e validade até 2026, também é parte do problema, segundo Ronay. À época, o egípcio ainda mantinha média de 1,4 participação em gols por jogo, justificando o investimento. Hoje, o contrato de 36 milhões de libras parece mais um fardo do que um ativo.

Para ele, Slot herdou um elenco montado “por comitê”, com excesso de atacantes e carência de força no meio-campo. O sistema ofensivo atual, com Wirtz e Alexander Isak, foi colocado com “leve demais para uma liga brutal como a Premier League”.

Wirtz está sendo solicitado a se adaptar à liga mais brutal do mundo em uma equipe que já está equilibrando a presença de um ‘principezinho’ criativo que evita o contato. Alexander Isak, já sob pressão depois de um verão agindo como uma Helena de Troia do futebol, deve agora consertar esta equipe em vez de adicionar um toque final”, escreve, no The Guardian.

A pausa para a Data Fifa oferece uma chance rara: redefinir prioridades. Salah deve disputar a Copa Africana de Nações, abrindo espaço para ajustes. Se Arne Slot quiser provar que o projeto é seu, o momento para agir é agora.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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