Inglaterra

Shaqiri sobre o que aprendeu nas ruas, sua idolatria a Ronaldo e aquela virada contra o Barça

Ao mesmo tempo em que a carreira de Shaqiri não parece corresponder ao seu talento, ele conquistou muito. Mais do que o próprio admite ter imaginado, tendo saído de um pequeno país. Ganhou títulos europeus e mundiais por dois clubes diferentes, embora geralmente como coadjuvante. Pelo Liverpool, porém, teve um grande momento de protagonismo ao ser titular no jogo de volta das semifinais de 2018/19, contra o Barcelona, que havia ganhado a ida por 3 a 0.

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O Liverpool estava sem Firmino e Salah, precisava fazer quatro gols e não sofrer nenhum de um time que contava com Lionel Messi. Shaqiri contribuiu à complicada missão com uma assistência para Wijnaldum no terceiro gol. Cerca de 20 minutos depois, Origi completou a virada após aquela brilhante cobrança de escanteio de Alexander-Arnold.

“Eu tenho qualidade para cruzamentos e bons cruzamentos. Para dar assistências também. Naquele momento, foi a bola perfeita entre dois marcadores e Gini (Wijnaldum) estava perfeitamente (posicionado). Foi um belo gol e um gol importante, obviamente. No escanteio de Trent, achei que trocaríamos (de batedor). Eu estava indo para lá, olhando para o chão e ele bateu rápido. Eu vi a bola dentro do gol e comemoramos. Foi um instinto magnífico”, disse, em entrevista ao site do Liverpool.

“Foi uma virada inacreditável. Ninguém pensou que conseguiríamos. Para ser honesto, nós sempre acreditamos. A situação quando fomos aos vestiários no intervalo era ‘Ok, vamos terminar bem’ porque vencíamos por apenas 1 a 0. Para ser honesto, nunca pensei que venceríamos o jogo por 4 a 0 no fim, mas, se você faz o segundo, você começa a acreditar. Foi o momento. Se jogássemos mais 20 minutos, faríamos mais dois gols. Foi incrível”, completou.

Depois daquele duelo, o Liverpool venceu o Tottenham na final da Champions League e acrescentou mais uma medalha ao pescoço de Shaqiri. “Para ser honesto, nunca pensei que teria este tipo de carreira. Às vezes, eu digo à minha família: ‘Olha onde eu joguei, veja quantos troféus eu venci’. É incrível. Não dá para ter isso todos os dias, nem todo mundo pode dizer que ganhou a Champions League com dois times diferentes, duas vezes o Mundial, muitos títulos com o Bayern de Munique na Alemanha e na Suíça também com o Basel. É simplesmente incrível, como um sonho que vivencio todos os dias”, afirmou.

A família de Shaqiri mudou-se do Kosovo para a Suíça quando ele tinha apenas quatro anos e foi nas ruas suíças que o jogador desenvolveu sua habilidade. “Naquela época, nos parques e nos campos, era diferente. Era na rua. Tudo podia acontecer na rua. Às vezes as pessoas brigavam na sua frente. Era difícil jogar porque eu era muito jovem e não era o maior ou o mais alto. Eu sempre desafiava todo mundo e isso me ajudou muito a crescer, a ser competitivo contra pessoas maiores e mais altas. Eu aprendi muito ali: a desafiar, a ser bem-sucedido, a vencer jogos. Tudo começou ali”, disse.

“Talvez tenha me ajudado a me tornar mais habilidoso porque as pessoas que jogam muito nas ruas são sempre mais habilidosas. Eu acho que é porque jogam mais no instinto. Eu sou esse tipo de jogador, claro, que joga com muito instinto – do nada faz um grande passe ou faz um grande gol. Isso vem da rua, com certeza. As coisas mudam e agora as crianças têm PlayStations, iPhones e podem sentar em casa jogando esses jogos no telefone. Está mudando. Talvez 15 anos atrás fosse diferente, 20 anos atrás”, completou.

Sabe quem era muito habilidoso? Ronaldo Fenômeno. Destroçando defesas e fazendo gols incríveis, tornou-se o ídolo do pequeno Shaqiri, a ponto de um dia ele ir à escola com o famoso corte de cabelo do Cascão que o brasileiro usou na Copa do Mundo de 2002.

“Eu gostava dele, seu estilo e era incrível como estava jogando. Ele era meu grande, grande ídolo. Eu fiz seu corte de cabelo também. Todo mundo ficou chocado na escola quando eu apareci com o corte de cabelo. Mas eu o amava e ainda o amo. Ele é meu grande ídolo. Gostaria de conhecê-lo. Nunca tentei copiá-lo porque cada jogador é tão diferente e tem especialidades diferentes e talentos, mas ele era meu grande herói. Quando ele perdeu da França em 1998, eu fiquei chorando em casa. Ele era meu grande ídolo”, encerrou.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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