‘O Arsenal nunca estaria no topo da Premier League se não fosse por isso’
Críticas de Schmeichel reacendem debate sobre critérios da arbitragem após VAR anular empate do West Ham em lance semelhante a jogadas recorrentes dos Gunners
A vitória do Arsenal sobre o West Ham, neste domingo (10), teve clima de decisão, explosão nas arquibancadas e um roteiro dramático típico de reta final de Premier League. Mas o triunfo por 1 a 0, construído apenas aos 37 minutos do segundo tempo, também reacendeu uma discussão antiga na Inglaterra: a suposta benevolência da arbitragem com os bloqueios e agarrões da equipe de Mikel Arteta em jogadas de bola parada.
O gol salvador de Trossard, após grande jogada de Odegaard, manteve os Gunners firmes na liderança do campeonato, agora com 79 pontos, cinco à frente do Manchester City — ainda com um jogo a menos. O cenário para o título segue aberto, e o Arsenal pode até ser campeão já na próxima rodada — se vencer o Burnley e os Citizens tropeçarem diante do Crystal Palace.
Apesar da festa ao apito final, o lance que dominou o pós-jogo aconteceu do outro lado do campo, já nos acréscimos. Aos 48 minutos do segundo tempo, Callum Wilson chegou a empatar a partida para o West Ham após cobrança de escanteio. O estádio explodiu, os jogadores correram para comemorar, mas o VAR entrou em ação. Foram longos seis minutos de revisão até que o árbitro anulasse o gol por falta de Pablo Felipe em David Raya.
A decisão revoltou jogadores dos Hammers, inflamou parte da imprensa inglesa e abriu espaço para críticas pesadas ao Arsenal — principalmente pela ironia do contexto.
Isso porque as jogadas de bola parada se transformaram em uma das principais armas ofensivas da equipe de Arteta nas últimas temporadas. O Arsenal construiu uma reputação de excelência nesse fundamento, acumulando gols em escanteios e faltas laterais com movimentações agressivas dentro da área, muitos bloqueios físicos e constantes disputas corpo a corpo com goleiros adversários.
Ao longo da temporada, rivais e comentaristas questionaram diversas vezes o limite entre estratégia e infração. E foi justamente esse debate que voltou à tona após a anulação do gol do West Ham.
📈 Foi com emoção, mas os Gunners estão mais perto do título…
Arteta conserta erro, Raya evita desastre e Arsenal prova que quer ser campeãohttps://t.co/9RWPSAyxeH
— Trivela (@trivela) May 10, 2026
Schmeichel alfineta Arsenal e dispara contra critério da arbitragem
Ex-goleiro da seleção dinamarquesa e hoje comentarista, Peter Schmeichel foi um dos mais duros nas críticas após a partida. Durante a transmissão, o ídolo do Manchester United afirmou que o Arsenal se beneficia há meses exatamente do tipo de contato que acabou invalidando o empate dos Hammers.
— O Arsenal tem bloqueado o goleiro adversário durante toda a temporada. Eles nunca estariam no topo da tabela se não permitíssemos esses gols — disparou Schmeichel.
A fala repercutiu imediatamente na Inglaterra porque toca em um ponto sensível da campanha dos Gunners. O trabalho de bola parada coordenado pela comissão técnica de Arteta é amplamente elogiado pela eficiência, mas também frequentemente cercado por reclamações dos adversários.
Em muitos lances, jogadores do Arsenal utilizam bloqueios, empurrões e movimentações para impedir a saída do goleiro rival — ações que raramente são punidas pela arbitragem inglesa.
Por isso, a sensação de incoerência ganhou força após a anulação do gol de Wilson. Afinal, em um lance extremamente físico e semelhante a tantos outros vistos ao longo da temporada, a arbitragem optou por marcar falta justamente a favor do Arsenal.
Mesmo entre analistas que concordaram com a decisão técnica — já que houve contato claro em Raya —, o principal debate passou a ser o critério adotado pela Premier League. O problema, para muitos, não foi necessariamente a marcação deste domingo, mas a ausência dela em episódios anteriores.
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Indignação no lado do West Ham
Se do lado do Arsenal houve comemoração quase como de título, no West Ham sobraram indignação e sensação de injustiça. Capitão da equipe, Jarrod Bowen criticou duramente o tempo de revisão do VAR e questionou a inconsistência das decisões envolvendo contatos físicos em escanteios.
— Escanteios são lances físicos. A Premier League é física. É por isso que todo mundo adora. Você tem que esperar contato nos escanteios. Se você marcar esse tipo de falta, vai acabar marcando todas as faltas por segurar do mundo — disse o atacante em entrevista à “BBC Sport”.
— Eles (a associação de árbitros) têm que resolver isso; eles têm que ir aos clubes e explicar os motivos por trás das decisões diferentes. Estamos chateados e tristes. Isso não pode estar acontecendo — completou o técnico Nuno Espírito Santo.
No fim, o Arsenal saiu de campo comemorando uma vitória gigantesca na luta pelo título. Mas o debate provocado pelo VAR promete continuar — especialmente enquanto os Gunners seguirem transformando a bola parada em arma decisiva e, ao mesmo tempo, alvo constante de controvérsias.