Inglaterra

Rooney encerra o posfácio de sua carreira para começar uma nova, como treinador efetivo do Derby County

Quando Wayne Rooney saiu do Manchester United, havia dois rumos que sua carreira poderia tomar: um capítulo extra em que o veterano lidera o projeto do Everton a um novo patamar ou um mero posfácio, pulando de clube em clube, com brilhos esporádicos e muitos depósitos em sua conta bancária. Acabou sendo o segundo – infelizmente. O retorno ao Goodison Park foi curto. Passou também rapidamente pelo DC United, dos Estados Unidos, e se envolveu com o Derby County a ponto de se tornar interino com a demissão de Phillip Cocu. Mas ainda mantinha um pé na profissão de jogador de futebol, tentando executar as duas funções ao mesmo tempo, até eesta sexta-feira, quando decidiu acabar com o prolongamento. Chegou a hora de começar um novo livro, agora efetivamente como treinador.

O fato de que o mais alto nível terminou em 2017 diminuiu um pouco o peso do momento em que o jogador mais promissor de uma geração dourada da Inglaterra decidiu pendurar as chuteiras. Rooney ainda tem 35 anos, mas, pela precocidade com que estourou no Everton, seu tempo de estrada foi longo. Apareceu aos 16 anos como um garoto-prodígio que encerrou a sequência invicta de 30 rodadas do Arsenal com um golaço de fora da área. Foram quase duas décadas como jogador de futebol.

A maior parte dessa história está relacionada ao Manchester United. Ali, tudo aconteceu: foi o adolescente contratado a peso de ouro, coadjuvante de outra estrela, líder, capitão, ídolo que queria ir embora, reserva, campeão inglês, europeu, mundial e o maior artilheiro da história de um dos maiores clubes do mundo. Ao passar por todo esse processo, saiu do outro lado como uma lenda.

O começo da decadência coincidiu com a aposentadoria de Alex Ferguson. Em 2011/12, ainda era capaz de marcar 34 gols em 43 partidas. Conquistou outra Premier League na temporada seguinte, a última de Ferguson, mas começava a sofrer problemas físicos. Colocou números fantásticos para minimizar os problemas da passagem de David Moyes, começou a ser recuado para meia com Van Gaal e virou reserva com Mourinho antes de ser enviado ao Everton em contrapartida pela compra de Romelu Lukaku.

Como outros membros da sua geração, pesa sobre Rooney o fato de não ter conseguido levar a Inglaterra sequer às proximidades de um título. Foi explosivo na Eurocopa de 2004, com dois gols contra Suíça e mais dois diante da Croácia, na fase de grupos, mas precisou de dez partidas até marcar pela primeira vez em uma Copa do Mundo – Uruguai, na fraquíssima campanha em terras brasileiras. Nunca passou das quartas de final em nenhuma grande competição. Marcou seu nome na história da seleção como o seu maior artilheiro, com 53 gols.

O retorno ao Everton durou pouco. Ele não jogou mal, ainda foi artilheiro do time, mas pegou uma temporada especialmente conturbada em Goodison Park, com a demissão de Koeman em outubro e a mudança drástica de estilo de jogo motivada pela chegada de Sam Allardyce. Ficou apenas uma temporada antes de buscar uma experiência diferente na Major League Soccer com o DC United.

Quando retornou à Inglaterra, já apontava para um futuro como treinador. Um dos motivos para assinar com o Derby County, da segunda divisão, foi lhe ter sido oferecido um lugar na comissão técnica de Phillip Cocu. Tinha contrato de jogador até o fim da temporada 2020/21. O plano era juntar experiência ao lado de um profissional mais experiente antes de alçar voo solo, mas a oportunidade chegou mais cedo do que esperava.

Cocu foi demitido em meados de novembro, com uma péssima campanha: sete derrotas e três empates nas primeiras 11 rodadas da Championship. Se a ideia era dar experiência à Rooney, por que não o promover, aproveitando o histórico até que farto da Inglaterra com jogadores-treinadores? O agora ex-jogador pelo menos diminuiu o número de derrotas, embora ainda tenha apenas três vitórias no comando do time.

Resultados certamente não motivaram a decisão do Derby County, em parte porque ela chega logo depois de uma eliminação vexatória para o Chorley FC, da sexta divisão, na Copa da Inglaterra. “Durante esses nove jogos (pela Championship), melhoramos dramaticamente nossa defesa, com cinco jogos sem ser vazado, e nos tornamos mais eficientes e implacáveis no ataque também”, explicou o CEO do clube, Stephen Pearce. “Essas fundações fornecem uma plataforma sobre a qual o clube poderá construir na segunda metade da temporada sob a orientação de Wayne”.

Não há muito tempo a perder. O Derby County está na zona de rebaixamento da segunda divisão, com 19 pontos em 22 jogos disputados. Sair dessa situação dependerá de a contratação ter sido feita porque realmente foi identificado potencial no trabalho inicial de Rooney, e não pelo glamour de, após Frank Lampard (que realmente virou um técnico promissor) ter mais uma lenda no banco de reservas.

.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo