Inglaterra

‘Se fosse Tuchel ou Luis Enrique…’: Rooney defende Carrick e aponta ‘dois pesos’ no United

Ex-atacante dos Red Devils elogia impacto imediato de atual comandante e cobra reconhecimento

A defesa pública de Wayne Rooney a Michael Carrick recolocou no centro do debate uma questão recorrente no Manchester United pós-Alex Ferguson: afinal, o clube precisa necessariamente de um nome consagrado no mercado ou de alguém capaz de reconstruir a identidade perdida em Old Trafford?

A reta final da temporada 2025/26 transformou Carrick em personagem central dessa discussão. Chamado para assumir interinamente após a saída de Ruben Amorim, o ex-volante e ídolo dos Red Devils encontrou um ambiente pressionado, instável e cercado por desconfiança. Poucos meses depois, o cenário é outro. O United subiu na tabela da Premier League, garantiu vaga na próxima Champions League e voltou a transmitir sensação de controle dentro de campo.

Os números ajudam a explicar o crescimento da confiança em torno do treinador de 44 anos. Em 14 partidas pela liga, Carrick venceu dez vezes e conduziu o time ao terceiro lugar, recuperando terreno depois de um período irregular sob comando de Amorim, quando os Red Devils ocupavam apenas a sexta posição. Para Rooney, porém, a resistência em torno do nome do ex-companheiro tem menos relação com desempenho e mais com percepção.

— Se você trouxesse um Luis Enrique ou Thomas Tuchel e eles vencessem dez dos primeiros 14 jogos, diriam que isso é incrível. Mas, só porque Michael Carrick é um técnico jovem e inglês, muita gente acha que não é o nome certo — disse o ex-atacante no The Wayne Rooney Show, da “BBC”.

A declaração resume um sentimento compartilhado por parte da torcida e de antigos jogadores do clube: Carrick talvez esteja sendo analisado sob critérios mais rígidos justamente por não carregar o peso midiático de treinadores multicampeões.

Por que permanência de Carrick pode ser boa pedida para o United?

Carrick cumprimenta mascote do Manchester United
Carrick cumprimenta mascote do Manchester United (Foto: Andrew Yates / Sportimage / Imago)

Mais do que a sequência positiva, o trabalho do treinador interino alterou o comportamento coletivo do Manchester United. A equipe voltou a apresentar organização sem a bola, compactação entre setores e maior equilíbrio emocional em jogos decisivos.

Essa mudança estrutural aparece como um dos principais argumentos favoráveis à permanência de Carrick. Desde a aposentadoria de Ferguson, o clube alternou estilos, perfis e projetos em velocidade acelerada. David Moyes, Louis van Gaal, José Mourinho, Solskjaer, Erik ten Hag e Ruben Amorim representaram ideias diferentes — muitas vezes incompatíveis entre si.

Nesse contexto, a possibilidade de continuidade ganha força justamente por fugir da lógica de ruptura permanente. Carrick não precisou promover revoluções para reorganizar o elenco. O caminho escolhido foi o de ajustes progressivos, valorizando características já existentes e simplificando comportamentos coletivos.

— Carrick é inteligente, um ótimo treinador, e pode liderar o time pelo tempo que quiser se fizer o trabalho certo. Será um verão interessante. Pela primeira vez em muito tempo, o Manchester United parece ter um pouco de calma ao redor do clube e isso é algo positivo — disse Rooney.

A fala do ex-atacante toca em outro ponto importante: o ambiente. O United passou anos convivendo com ruídos constantes, crises públicas e pressão institucional permanente. Mesmo em momentos de vitórias, a sensação era de instabilidade contínua. Sob Carrick, o clube voltou a transmitir uma imagem menos turbulenta.

Parte disso está ligada à relação simbólica do treinador com os Red Devils. Ídolo da era Ferguson, conhecedor da estrutura interna e respeitado dentro do vestiário, ele ocupa um espaço diferente de técnicos que chegaram de fora. Carrick entende o tamanho da pressão em Old Trafford sem precisar de período de adaptação.

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Continuidade ganha força nos bastidores

Carrick celebra com torcedores do United
Carrick celebra com torcedores do United (Foto: Phil Duncan / Every Second Media / Imago)

Outro fator que fortalece sua candidatura é a relação construída com o elenco. Diferentemente de treinadores que chegam impondo mudanças radicais e cobranças imediatas, Carrick parece ter adotado um processo mais gradual. A evolução coletiva ocorreu sem grandes choques públicos ou disputas internas expostas.

Essa capacidade de gestão pode se tornar ainda mais valiosa pensando na próxima temporada. Com calendário mais pesado e retorno à Champions, o Manchester United precisará de estabilidade competitiva e rápida adaptação física do grupo. Ter um treinador já integrado ao ambiente reduz riscos naturais de transição.

Naturalmente, ainda existe cautela. O clube sabe que uma sequência positiva em poucos meses não garante sucesso prolongado em um projeto de alto nível. O debate sobre experiência também permanece vivo, principalmente diante da possibilidade de nomes mais consolidados surgirem no mercado ao fim da temporada. A conferir qual será a decisão da alta cúpula dos Red Devils.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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