Inglaterra

Como volta do Manchester United à Champions League impacta dois fatores importantes

Classificação confirmada com vitória sobre o Liverpool resolve uma série de problemas financeiros e comerciais do clube

O Manchester United voltou à Champions League. A vitória por 3 a 2 sobre o Liverpool no último domingo (3) selou a classificação e encerrou um hiato de dois anos do clube na elite europeia, e o alívio em Old Trafford é proporcional ao tamanho do que estava em jogo.

Desde a aposentadoria de Sir Alex Ferguson, o United passou quase tantos anos fora da Champions quanto dentro dela. Ficar fora pela terceira temporada consecutiva seria a maior sequência sem participar da competição desde 1993.

O mérito da classificação tem sido dado principalmente a Michael Carrick, que assumiu o comando após a saída turbulenta de Rúben Amorim e conduziu o time com equilíbrio suficiente para cumprir o objetivo estabelecido pela hierarquia do clube. Agora, com a vaga garantida, uma série de consequências práticas começa a se desenhar.

Quanto o Manchester United pode ganhar com a Champions?

Cada clube classificado para a fase de liga da competição, recebe automaticamente 18,6 milhões de euros da Uefa. A partir daí, os valores crescem conforme o desempenho: cada vitória rende 2,1 milhões de euros, cada empate, 700 mil.

São nas fases eliminatórias onde o dinheiro de fato aparece: as oitavas de final já valem 11 milhões, as quartas, 12,5 milhões, e uma campanha até a final pode chegar a 68,5 milhões de euros apenas em premiações por desempenho.

Sesko e Cunha comemoram gol do United contra o Liverpool
Sesko e Cunha comemoram gol do United contra o Liverpool (Foto: Andrew Yates/Sportimage/Imago)

Somando os pagamentos da Uefa ao chamado “pilar de valor”, sistema que recompensa clubes com base em histórico europeu e tamanho do mercado de transmissão, o United pode esperar receber aproximadamente 91,5 milhões de euros caso chegue às quartas de final com uma campanha razoável na fase de liga.

Os clubes da Premier League se beneficiam do fato de a Inglaterra ser o segundo maior mercado de transmissão da competição, o que eleva os valores do pilar.

A receita indireta também é considerável. Pelo menos quatro jogos da Champions serão disputados em Old Trafford, e o clube arrecadou 7,6 milhões de libras por partida em casa nesta temporada. Só a bilheteria da fase de liga pode render mais de 30 milhões extras.

Comercialmente, o retorno à Champions League restaura o contrato com a Adidas ao valor integral de 90 milhões de libras por temporada. Nesta, pela primeira vez em 11 anos de parceria, foi aplicada uma multa de 10 milhões por ausência na competição.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e fique por dentro do melhor conteúdo de futebol!

Um conteúdo especial escolhido a dedo para você!

Aoa se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Transferências e Carrick: mais dinheiro e mais argumentos

O United gastou como clube de Champions mesmo quando estava fora dela. No verão europeu passado, comprometeu 235 milhões de libras em reforços como Matheus Cunha, Bryan Mbeumo e Benjamin Sesko. A classificação não muda o apetite do clube, mas torna esses gastos mais sustentáveis e abre portas que estavam fechadas.

Michael Carrick celebra vitória do Manchester United
Michael Carrick celebra vitória do Manchester United (Foto: IMAGO / Every Second Media)

Alvos como Elliot Anderson, do Nottingham Forest, e Aurélien Tchouaméni, do Real Madrid, tornam-se negociações mais viáveis com a Champions League no horizonte. A competição europeia é argumento concreto na mesa de negociação com jogadores de alto nível que têm outras opções.

Há também o efeito inverso: jogadores emprestados como Marcus Rashford e André Onana devem ver seus salários retornarem ao valor integral, já que o corte de 25% aplicado por ausência na Champions deixa de existir. Isso os torna mais caros para possíveis compradores, o que pode complicar saídas que o clube deseja concretizar.

Bruno Fernandes em jogo do Manchester United
Bruno Fernandes em jogo do Manchester United. Foto: IMAGO / Propaganda Photo

A situação de Bruno Fernandes também passa por esse filtro. O capitão português, com cláusula de rescisão de 65 milhões de euros ativa até julho e interesse declarado do Al Hilal, busca garantias sobre as ambições do United antes de decidir o futuro. A Champions é o principal argumento do clube para convencê-lo a ficar.

A classificação também coloca Carrick numa posição privilegiada, mas não garante a efetivação. O United insiste que conduzirá um processo completo para escolher o próximo treinador permanente e cita o caso de Ole Gunnar Solskjaer em 2019 como exemplo do que não quer repetir: uma efetivação precoce seguida de queda de desempenho.

Ainda assim, dificilmente Carrick poderia ter apresentado currículo melhor para o cargo. Assumiu em uma situação caótica, manteve o time coeso e entregou o objetivo que a diretoria havia estabelecido. A decisão final sobre o banco de Old Trafford ainda está em aberto, mas quem está sentado nele agora tem argumentos sólidos para continuar.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo