Inglaterra

Rivais em perseguição

E o Manchester United, como não poderia deixar de ser, confirmou o título inglês ao empatar com o Blackburn. Fetsa em Old Trafford, claro. E luto em Anfield Road e no City of Manchester? No primeiro, claro, afinal a “troca da guarda” vai doer por algum tempo. Por outro lado, o entusiasmo com o relativo sucesso da equipe desde a volta de Kenny Dalglish serve para diminuir a frustração. E do lado azul de Manchester, ninguém quer saber de United: o City, afinal, também foi campeão.

Sim, o título da FA Cup está sendo valorizado, e muito, pelo Manchester City. O clube não ganhava nada desde 1976, quando ganhara a Copa da Liga, e a Inglaterra teima em não relegar a segundo plano a competição que recentemente foi vencida até pelo Portsmouth. Bem ou mal, embora o caminho até o título não tenha sido o mais árduo, na semifinal os Citizens mataram o sonho do Triple do United. E, embora o 1 a 0 continue a ser rei por ali, e na final da competição não tenha sido diferente, pelo menos o time passou longe de qualquer sufoco contra o Stoke.

Não muito longe de Manchester, outra torcida comemora suas esperanças: com a efetivação de King Kenny como treinador do Liverpool, ao lado dos ótimos resultados desde a chegada do ídolo ao comando, a torcida dos Reds acredita que, no ano que vem, tudo vai ser diferente. Os Reds tinham, até o jogo contra o Tottenham, a segunda melhor campanha do ano – desde que o escocês assumiu, a equipe venceu dez, empatou duas e perdeu apenas quatro vezes. E ja há quem junte isso com as aposentadorias de Van der Sar e Giggs para apontar: no ano que vem os rivais darnao trabalho ao United.

Claro, uma boa dose de cautela não faz mal a ninguém. O United perderá dois jogadores importantíssimos, e seu elenco deu conta do recado neste ano, mas não parece haver gente pronta para assumir a bronca. Da mesma maneira, Arsenal e Chelsea vêm de anos ruins, e a não ser que contratem muito, podem muito bom ser desafiados. O problema para Man City e Liverpool, entretanto, não está do lado de fora.

Em Manchester, o título da FA Cup parece um ponto fora da curva. O elenco é caro, mas não é espetacular. E os problemas disciplinares sobrevoam o clube de hora em hora, a começar pela principal estrela do elenco, Carlos Tevez. É seguro afirmar que se o Tottenham não tivesse tido um final de temporada desastroso, seria o time de Londres a ocupar a quarta vaga na LC. Mancini balançou praticamente do início ao final da temporada, mas, com o título, deve permanecer. O que não é uma boa perspectiva, considerando seus resultados em todos os aspectos.

O Man City não tem um time base confiável. Seus jogadores não rendem seu melhor futebol. O time conseguiu poucos resultados expressivos na temporada inteira. Ou seja: não adianta reforçar a equipe.

O problema em Liverpool parece ser o oposto. Dalglish conseguiu fazer do Liverpool o time vencedor que ele não vinha sendo. Uma rápida olhada na escalação dos últimos jogos, entretanto, levantará algumas sobrancelhas. O elenco não é profundo, nem equilibrado. A equipe ainda continua a ter só um fora-de-série, e ele continua a se machucar demais. E os atacantes que chegaram em janeiro podem virar goledores de classe mundial, mas ainda não o são.

A derrota para o Tottenham neste final de semana deve ter sido um bom choque de realidade para os donos da equipe. Não dá para ganhar títulos quando você tem que atirar jovens que mal estrearam aos leões – não na Premier League. A equipe precisa de um reserva confiável para Gerrard, e de alguém que possa dividir com ele a responsabilidade.

Mais que isso, a derrota serviu para mostrar a quem se empolgava com Carroll e Suárez que pode haver um bom motivo para eles não terem ido parar em outro lugar, e antes. Ambos perderam gols inacreditáveis, e o uruguaio se mostrou nervoso durante toda a partida. Mais: de seus quatro gols em dez jogos, nenhum deles abriu o placar – ou definiu ele. Carroll tem 22 anos, e não foi o principal jogador do Newcastle na segundona do ano passado. Suárez tem 24, e ninguém o tinha tirado ao Ajax até a ótima Copa que fez.

Podem, ambos, virar máquinas goleadoras. Suárez mostrou na Copa um talento acima do comum, enquanto Carroll tem o tipo do atacante inglês tradicional, além de ser habilidoso. Precisam, entretanto, ser trabalhados. E o time precisa poder não depender deles.

Os rivais do United terminam o ano em alta, mas não há garantias de que a tendência continue essa na próxima temporada. Há trabalho a ser feito, e não é pouco.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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