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Lambert, o operário que se tornou herói em Wembley

Rickie Lambert viveu um verdadeiro sonho nesta quarta-feira. O centroavante entrou para a história da seleção inglesa ao garantir a vitória por 3 a 2 sobre a Escócia, no primeiro dérbi entre os dois países no novo Wembley. Aos 31 anos, o jogador do Southampton fazia sua estreia na equipe nacional. Balançou as redes justamente em seu primeiro toque na bola, após substituir Wayne Rooney no segundo tempo.

O épico de Lambert, porém, não para por aí. A própria maneira como o atacante recebeu a notícia da convocação foi um tanto quanto inusitada. O atleta estava no hospital ao lado da esposa, que daria a luz ao terceiro filho do casal. Quando voltou para casa e tirou uma soneca, acordou com as ligações perdidas e mensagens em seu celular, parabenizando pelo chamado dos Three Lions.

O próprio fato de disputar a Premier League pode ser considerado improvável para Lambert. O centroavante nascido em Liverpool tentou a carreira nos Reds dos 10 aos 15 anos, mas teve que conviver com as duras palavras de que não era bom o suficiente. Depois, seguiu ao Blackpool, onde não teve espaço e ficou cinco meses sem receber salários. O fim da linha? Não para o garoto de 18 anos.

Lambert acertou sua transferência para o Macclesfield Town, da quarta divisão. O problema é que o novato não tinha dinheiro para ir aos treinos, a uma hora e 14 minutos de distância. A solução foi encontrar trabalho em uma fábrica de beterrabas em conserva. Ganhava 20 libras por dia e conciliava com a rotina no clube durante a noite.

Em seu segundo ano no clube, Lambert vingou. Começou a fazer sucesso pelas divisões inferiores até ser pinçado pelo Southampton, em 2009, por 1 milhão de libras. Não agradou de imediato em St. Mary’s, acusado de não ser profissional pelo técnico Alan Pardew, por estar acima do peso. Mais uma vez se superou, somando 103 gols em 196 jogos pelos Saints.

Hoje, já não precisa colocar as tampas nos frascos de beterrabas em conserva. Sua missão é alegrar torcidas, até mesmo em Wembley, o palco mais nobre do futebol inglês. Um exemplo e tanto para os garotos que sonham perseverar na carreira dentro do futebol.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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