Revolução francesa no norte da Inglaterra
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Copio o início de um texto do Guardian: “Quando o Newcastle demitiu Chris Hughton em dezembro, todos acharam que cairia. Quando acabaram por substituí-lo por Alan Pardew, todos acharam que cairia. Quando em seguida venderam Andy Carroll, Joey Barton, José Enrique e Kevin Nolan, todos acharam que cairia. E, no entanto, os Magpies estão em quarto na tabela da Premier League, e invictos.”
É claro, quando terminar a temporada a equipe não estará mais por ali. Por outro lado, uma rápida olhada nos próximos seis compromissos da equipe mostra que o mais difícil é o Tottenham em St. James Park. Além disso, Wolves, Blackburn e Stoke fora, e Wigan e Everton em casa. Seis jogos, portanto, plenamente ganháveis, e nenhum em que a derrota seja o resultado mais provável. Estaremos aí em novembro, e o Newcastle não terá enfrentado nenhum dos mancunianos, Chelsea ou Liverpool. E ainda terá pela frente Arsenal e Tottenham em Londres.
Mas estaremos em novembro, e o time que muitos apostavam que brigaria para cair poderá ter atingido uma posição de conforto e de confiança suficiente para continuar ganhando dos pequenos e manter pelo menos uma posição na tabela que reflita a importância de sua camisa.
É provável que se o dono do clube não fosse Mike Ashley todos estivessem dando mais crédito ao que o Newcastle vem fazendo desde a temporada passada. Chegaram, então, Hatem Ben Arfa e Cheik Tioté. O primeiro, para quem não lembra, surgiu como grande esperança no Lyon. Depois de boa passagem pelo Marseille, de fato esperava-se mais de seu primeiro ano em Newcastle (e do segundo ainda se espera), mas sua contratação não deixa de ser um símbolo de ambição. Tioté, por outro lado, não atraiu grandes atenções, mas foi titular do Twente campeão holandês do ano anterior.
Neste ano, o “francês da vez” foi Yohan Cabaye. Assim como Tioté, o meio-campista foi campeão nacional na temporada passada. Se não era o principal nome do Lille, era um dos bons valores da equipe. Entretanto, assim como Tioté, foi ignorado pelos times grandes, e acabou no norte da Inglaterra. E é essa a parceria que vem fazendo o time funcionar muito melhor do que vinha funcionando com os “medalhões” que saíram.
O Newcastle desta temporada tem uma base sólida: oito jogadores começaram as seis partidas até aqui, e dois deles jogaram quatro ou cinco vezes. O goleiro é o holandês Tim Krul; na zaga, Simpson segue na lateral direita, Coloccini e Steven Taylor continuam no centro dela. Na esquerda, no lugar de José Enrique, quem tem jogado, e bem, o lateral-direito/meia Ryan Taylor.
No meio, Jonás Gutierrez segue titular intocável, e tem ao seu lado os citados franceses. Gabriel Obertan, outro francês, só não esteve em campo uma vez. O ataque é onde o time mais varia: Leon Best e Shola Ameobi foram titulares algumas vezes, mas ambos devem lutar por uma vaga quando Demba Ba, que marcou os três gols da vitória contra o Blackburn, ganhar ritmo.
Além de Ben Arfa, atletas como Alan Smith, Danny Guthrie e Davide Santon ainda podem entrar nesse time. O que coloca certamente uma questão importante: terá o Newcastle se reforçado melhor do que parecia nos últimos anos? E parece evidente que a resposta é sim. Saíram bons jogadores, mas que ganhavam salários altíssimos, e que renderam um bom dinheiro ao clube. Os que chegaram não estão atrás em qualidade, mas o caixa está em estado muito melhor. E parece que Mike Ashley, quando ninguém está olhando, não é tão estúpido quanto parecia.
É claro, tudo ainda pode dar muito errado. Não é que a partir do meio de novembro os Magpies podem vir a ter pela frente as pedreiras do campeonato, é que eles terão, em seguida, Man City e Man Utd em Manchester, e Chelsea em casa. Depois de três jogos de descanso, Liverpool fora e mais uma vez Man Utd, agora em casa.
Além disso, tanto Pardew como Ashley têm um histórico de derrapadas razoável. O que é incontestável, entretanto, é que, ao contrário do que parecia, há um trabalho sendo feito em St. James Park, e esse trabalho tem uma direção. Que, se não for mais uma vez mudada da noite para o dia, tem tudo para reestabelecer os Magpies como um time sempre duro de enfrentar. E na primeira divisão.
CURTAS
– Soa ridícula a recente discussão sobre se Michael Owen deve vestir novamente a camisa da Inglaterra.
– Não é nem o caso de discutir sua saúde, mas sim de lembrar que Owen tem uma marca fabulosa de gols por jogo porque só tem entrado quando o jogo é uma baba absoluta.
– Outro que já querem trazer de volta é Hargreaves. A diferença é que, no caso do meia do City, só a forma física impede o retorno.
– No Championship a ponta da tabela deu uma embolada geral com os empates de Southampton, Middlesbrough e Brighton, e vitórias de Derby e West Ham.
– O Southampton tem agora 19 pontos, Boro e Derby, 18; Brighton e Hammers, 17.
– E (na League Two) o AFC Wimbledon ganhou mais uma, fora de casa do Bradford, e entrou na zona dos playoffs.