‘Não sou o novo De Bruyne. Meu papel e minhas qualidades são diferentes’
Comparações com craque belga acompanham Reijnders no City, mas holandês se afirma com perfil distinto e função bem definida
Em sua primeira temporada no Manchester City, Tijjani Reijnders vem mostrando uma adaptação rápida a um dos contextos mais exigentes do futebol europeu. Mesmo ainda na metade do calendário, o holandês já se integrou ao modelo de jogo de Pep Guardiola com naturalidade, oferecendo intensidade sem bola, clareza na circulação e presença constante entre as linhas.
Seu impacto vai além de números: Reijnders ajuda a dar ritmo ao time, sustenta a pressão pós-perda e qualifica as decisões com a bola. Esse encaixe precoce, porém, trouxe comparações quase imediatas. Pela função criativa, pela inteligência espacial e até pelo simbolismo de atuar em um setor historicamente associado a Kevin De Bruyne, o nome do belga surgiu cedo nas análises após os primeiros jogos do holandês na Premier League.
Um paralelo inevitável — e elogioso — que o próprio Reijnders fez questão de relativizar.
— Após minha estreia contra o Wolves, analistas me compararam a Kevin De Bruyne. Obviamente, isso é um grande elogio. Mas meu papel é diferente, minhas qualidades são diferentes — disse o camisa 4 em entrevista recente.
Contratado por 46,5 milhões de libras junto ao Milan após se consolidar como um dos meio-campistas mais completos da Serie A, Reijnders chegou ao City com um perfil bem definido e um plano claro de utilização. A negociação passou menos pela ideia de sucessão direta e mais pela adequação de suas características ao jogo posicional e à intensidade física exigida na Inglaterra.
Segundo ele, desde o primeiro contato, o discurso foi alinhado: não se tratava de herdar um posto simbólico deixado por De Bruyne, mas de construir uma identidade própria dentro do meio-campo.
— O City me disse isso desde o início, e eu mesmo já disse muitas vezes: eu não sou o novo De Bruyne. Sou um meio-campista completo, mas me vejo principalmente como um camisa 8. Um jogador que atua de área a área, transitando entre a defesa e o ataque. Gosto de participar da construção das jogadas e da fase final do jogo — concluiu.
Diferenças entre De Bruyne e Reijnders

De Bruyne e Reijnders ocupam zonas semelhantes do campo, mas partem de lógicas diferentes.
O belga sempre foi um organizador avançado, decisivo no último terço, com liberdade para acelerar o jogo a partir do passe vertical, da condução agressiva e da finalização de média distância. Sua influência no City esteve diretamente ligada à criação de vantagem ofensiva, muitas vezes atuando mais próximo dos atacantes do que da base da jogada.
Já Reijnders constrói sua relevância a partir da continuidade: participa mais do processo do que do desfecho, conectando setores e garantindo fluidez ao jogo.
Essa distinção fica ainda mais clara na fase sem bola. Enquanto De Bruyne nunca teve como principal característica a intensidade defensiva — ainda que compensasse com leitura e posicionamento —, Reijnders se afirma como um meio-campista de ida e volta.
Sua presença é constante na pressão pós-perda, na cobertura dos corredores e na sustentação do ritmo coletivo, algo que dialoga diretamente com a exigência física da Premier League. Não por acaso, seu perfil se aproxima mais do camisa 8 clássico do que do meia criador que marcou época no City.
A mudança de De Bruyne para o Napoli de Antonio Conte, após o fim de seu contrato com o City, também ajuda a ilustrar esse contraste. Em um contexto que valoriza transições rápidas e impacto direto no terço final, o belga soma 11 jogos, quatro gols e duas assistências, mantendo sua capacidade decisiva.
Reijnders, por sua vez, registra 27 partidas, com três gols e seis assistências pelo City, números que refletem menos protagonismo individual. Não se trata de substituição, mas de mudança de perfil: onde De Bruyne era referência criativa, Reijnders oferece equilíbrio, intensidade e continuidade.



