InglaterraPremier League

Reforço do Liverpool pediu uma ‘selfie’ a Klopp para acreditar que interesse era real

Entre as contratações do Liverpool para a temporada, Ragnar Klavan não está entre aqueles que chamam mais atenção. O estoniano chegou sem muita repercussão, contratado por €5 milhões junto ao Augsburg. Um negócio que nem ele próprio botou muita fé. A ponto de colocar em dúvida o interesse de Jürgen Klopp, após receber as primeiras mensagens em seu celular sobre a negociação. Para ele, aquilo poderia ser uma pegadinha de seus amigos, se passando pelo técnico alemão.

VEJA TAMBÉM: O super trunfo de Manchester: Rashford segue brilhante, e mais uma vez decide para o United

“Klopp me mandou uma selfie para provar que era ele. Eu recebi as mensagens, então respondi: ‘Não acredito em você, preciso de uma prova’. Ele me mandou uma foto sorrindo! Num primeiro momento, eu não pude acreditar. Era meu sonho jogar na Premier League. Aí vão me dizer não apenas que eu tenho uma chance, mas justo no Liverpool. Eu estava tipo: ‘É sério isso? Está realmente acontecendo?’. Eu nunca pensei na possibilidade”, afirmou o defensor, em entrevista ao Telegraph.

Aos 30 anos, Klavan possui uma carreira modesta, mas sólida. Entre seus clubes de maior destaque, defendeu o AZ por três anos, conquistando o Campeonato Holandês sob as ordens de Louis van Gaal. Também ajudou na estabilidade do Augsburg na primeira divisão alemã e também na classificação à Liga Europa (eliminados nos mata-matas pelo próprio Liverpool), o que certamente atraiu os olhares de Klopp. Além disso, é o capitão da seleção da Estônia, com 112 partidas pela equipe nacional. Só não esperava que, tão experiente, recebesse a chance de sua carreira. E já foi titular nas duas primeiras rodadas da Premier League.

VEJA TAMBÉM: O Chelsea teve uma atuação de quem vem babando para recuperar a taça

“Alguns jogadores sempre perguntam ao empresário se existe algum clube interessado. Eu sempre pedi ao meu que, se há algo real e 100%, claro que ele pode me falar, mas não quero ouvir sobre talvez. O que é o interesse hoje em dia? Pode significar seu nome em uma lista de 20 jogadores. Não tinha ideia que Klopp estava me observando. Eu não preciso convencer. Disse ao técnico que, se outra oferta vier, nenhum outro clube me interessa”, complementou.

Klavan, aliás, demonstrou uma calma gigantesca para lidar com a falta de badalação sobre seu nome: “É como tem sido em toda a minha carreira. Na Alemanha também foi assim. Eu estava sob o radar, mas ninguém me conhecia e as pessoas diziam que eu era uma surpresa. Depois de três ou quatro jogos pelo Augsburg começaram a perguntar quem eu era. Prefiro assim. Não há barulho ao meu redor. É como eu sou como pessoa. Eu nunca fui um jogador chamativo. Não procuro ou preciso de atenção”.

VEJA TAMBÉM: Leicester finalmente vence, e com direito a belo gol ao melhor estilo de Vardy

Ir para a Inglaterra, inclusive, possui grande significado para Klavan. Ele é o segundo jogador da Estônia a atuar na Premier League, após o goleiro Mart Poom, de longa passagem pelo Derby County e que chegou a defender o Arsenal: “Quando eu estava crescendo, os invernos eram muito frios, você precisava jogar hóquei ao invés de futebol. Havia apenas neve e gelo. Não existia dinheiro para alugar uma quadra coberta e alguns campos eram de cascalho. A ideia de jogar na Inglaterra me fez voltar no tempo. Quando meus amigos estavam na idade de fazer festa e namorar, eu comecei a correr atrás do sonho. Tinha o desejo de chegar onde cheguei. Eles entenderam. Era o único caminho. Eu precisava trabalhar duro para atingir este nível. Quando tinha 17 anos, realizei vários testes na Holanda, na França e na Espanha, mas nunca na Inglaterra. Eu jogava em todas as partes”.

Por fim, o defensor falou sobre a concorrência que possui dentro do elenco: “Eu não vejo competição com meus companheiros de time. Se eu não jogo, tomo isso como um sinal que eu preciso melhorar para desafiar o cara que está em campo. Eu gosto de ser parte de como o time funciona. Eu ainda tenho os mesmos valores sobre futebol. É isso que te faz ir mais longe. Eu não quero chegar aqui, sentar em uma cadeira confortável e cruzar os braços ao longo da temporada. Quero fazer o melhor a cada dia e a cada treino. Isso é o que nos faz avançar como jogadores e como equipe. Conforto pode ser bom, mas não quando você quer conquistas. Independente do que acontecer, estou pronto”.

Klavan pode não ser um zagueiro espetacular. Mas, pelo menos nas entrevistas coletivas, vai ser um dos melhores dos Reds. Uma sinceridade que até surpreende, em um futebol cada vez mais plastificado.

Chamada Trivela FC 640X63

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo