Rasgando dinheiro
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É bastante provável que você concorde com os quase 80% de leitores do Guardian que acham que Darren Bent não só não vale 19 milhões de libras como tampouco vale os 10 milhões que o Sunderland pagou por ele. O fato, porém, é que o Aston Villa gastou esse dinheiro, e pode gastar 24 milhões se uma série de coisas improváveis acontecer. Para além disso, consta que o Newcastle só vende Andy Carrol para quem se dispuser a desembolsar nada menos que 30 milhões de libras.
Os valores, claro, trazem de volta uma velha discussão, e o velho grito de que os clubes ingleses pagam muito por jogadores de sua própria terra. Alguns números de transferências das últimas temporadas ajudam a amplificar esta sensação: 8,5 milhões de libras por Kenwyne Jones? Quase 20 mi por James Millner? Steven Fletcher vale 6,3 mi, quase o mesmo que Chicharito Hernández? Que tal 11,4 mi em Stewart Downing?
Muito dinheiro, principalmente se comparado com os 6,6 mi de Hernández, e muito mais ainda se comparados aos 8,8 mi pagos pelo Tottenham por Van der Vaart. O fato é que muitas vezes os ingleses gastam mais em um jogador que sabem que não vai ter problemas de adaptação a seu futebol. Este, entretanto, é o único fato nesta história. Os clubes ingleses pagam muito por jogadores ingleses, mas também pagam muito pelos não-ingleses.
Que tal 33,4 milhões em Berbatov? Nesse caso vale a lógica de que o jogador estava na Inglaterra? OK, que tal 14 milhões em Asamoah Gyan? Só as transferência do Tottenham em 2008/9 servem para uma boa comparação, aliás. O time pagou quase 20 milhões de libras no mediano David Bentley, inglês. Pagou, porém, 15 milhões no também mediano Pavlyuchenko, que além de ser estrangeiro não atuava na Inglaterra. Luka Modric é excelente, mas os Spurs pagaram 19 milhões de libras por um jogador que nunca jogara fora de seu próprio país.
Darren Bent, portanto, não é caro porque é inglês, mas porque seu comprador é inglês. E se é condenável e estranho que os clubes ingleses gastem tanto, deve-se considerar que o vendedor já sabe que lida com clubes ricos, ou seja, em geral, não venderá por pouco.
Uma outra questão, e aí sim pode ser que haja exageros, é o preço dos jovens ingleses. O Arsenal gastou com Walcott, que não tinha nem idade para ser profissional, quase 7 milhões de libras – e isso em 2005. O Aston Villa, antes de queimar seu dinheiro com Darren Bent, pagou mais de 8 milhões de libras em Fabian Delph, moleque de 18 anos que nunca jogou nem a Segundona inglesa (jogou a League One pelo Leeds).
Os times ingleses gastam muito dinheiro, o que aumenta muito, claro, quando falamos de um Chelsea no começo da era Abramovich, ou de um Man City. O próprio Aston Villa tem um dono americano milionário que não hesita em queimar um dinheirinho, da mesma forma que o Sunderland – quase um Tottenham quando se trata de gastar dinheiro bom em jogadores ruins. O que não quer dizer que sua falta de critério esteja restrita a jogadores ingleses.