InglaterraPremier League

Quem diria que Welbeck seria mais importante que Kagawa no Manchester United

No dia 5 de junho de 2012, quando o Manchester United anunciou a contratação de Shinji Kagawa, destaque do então campeão alemão Borussia Dortmund, a impressão era que estava contratando uma estrela em ascensão. Protagonista no time alemão, o japonês chegou ao time inglês para fazer um papel que poucos conseguiram fazer, uma posição carente no meio-campo dos Diabos Vermelhos. Ninguém, naquele momento, poderia imaginar que Danny Welbeck, que tinha se destacado na temporada 2011/12 depois de voltar de empréstimo, seria um jogador mais importante para o time um ano e meio depois. Mas é exatamente o que acontece nesse momento.

Welbeck ganhou espaço no time do Manchester United com Alex Ferguson porque é um jogador versátil. Pode exercer ao menos três funções: meio-campista aberto pelos lados do campo, centroavante e meia central. Kagawa pode atuar como meia central ou segundo atacante, mas não tem conseguido jogar bem. Como meio-campista aberto pelos lados não convence. Aliás, não tem convencido em posição nenhuma. Quase sempre atua como um segundo atacante, mas tem sido um jogador burocrático, longe do criativo e dinâmico jogador do Borussia Dortmund.

Na atual temporada, Welbeck fez 16 jogos, sendo 12 como titular, com seis gols marcados e quatro assistências. Tornou-se um jogador importante para o time. Muricy ou Tite o aprovariam, porque é desses atacantes que marcam o lateral. Kagawa tem 13 jogos, 11 como titular, não fez nenhum gol nem assistência.

No jogo deste sábado, contra o Norwich, a vitória foi apertada, 1 a 0. Gol de Welbeck, que começou o jogo no banco. Kagawa foi titular, mas nada fez. Ficou 69 minutos em campo, antes de ser substituído por Adnan Januzaj, outro que tem passado à sua frente na preferência do treinador. Não chutou nenhuma vez para o gol, nem colocou um companheiro em condições para isso. Não teve nenhuma influência na partida. Welbeck não foi brilhante, mas aproveitou a chance que teve e marcou o gol que deu a vitória ao time. Não é, nem nunca será, um craque, como o japonês deu mostra que poderia ser. Mas é esforçado e mostra valor para o time. Não é um titular absoluto, mas ajuda muito a equipe.

Era difícil olhar para 2012 e prever que isso aconteceria, mas aconteceu: Welbeck é mais importante para o Manchester United que Kagawa. Talvez porque o japonês teve menos chances do que deveria na posição que se sente mais confortável, como meia central no 4-2-3-1. Só que com Rooney jogando por ali, será difícil que ele ganhe espaço. Ainda mais porque quando Rooney não joga, como foi contra o Norwich, o camisa 26 é tão pouco produtivo. Kagawa precisa jogar mais. Só que a baixa qualidade restringe cada vez mais a quantidade. E fica difícil defender a escalação de um jogador que faz tão pouco em campo.

Cada vez mais, Kagawa é só um reserva para compor elenco. Longe do protagonismo que o consagrou na temporada 2011/12 como um jogador muito desejado no mercado. Já Welbeck deixou a pecha de “mais um jogador da base que não vai dar em nada” (Obertan, Macheda, para ficar em dois exemplos) e ganhou seu espaço inclusive na seleção inglesa. É quase certo que estará no Brasil em 2014 para defender a Inglaterra. Kagawa também estará, defendendo o Japão. Mas longe de ser o jogador tão elogiado há dois anos.

Se Kagawa não tem muito o que comemorar, o Manchester United tem. Os três pontos são importantes. É a quarta vitória seguida do time. Mas o futebol é preocupante. Novamente, o time foi mal, chegou a ser dominado pelo Norwich e viu o adversário desperdiçar chances. Marcou o gol em um erro defensivo dos Canários. O time é o sexto, com 34 pontos, cada vez mais perto do grupo de cima da tabela. O Manchester City é o líder provisório com 41 pontos, seguido por Arsenal (39) e Chelsea (37), que jogam neste domingo. O Liverpool é quarto com 36 e também joga no domingo. Os resultados são importantes, mas o time precisa jogar mais. Mesmo com a ausência dos seus dois principais jogadores, o time deveria render mais. Vencer, por enquanto, tem sido suficiente. Mas contra os concorrentes ao título, será preciso mais futebol para levar os três pontos.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo