Qual a diferença entre o United de Moyes e o de Ferguson?
David Moyes sabia da dificuldade da missão que aceitou. Repetir o sucesso de Alex Ferguson é impossível, e as comparações podem ser injustas, mas o começo de temporada do Manchester United, com praticamente os mesmos jogadores, é próximo de terrível, com duas derrotas em clássicos, um ataque com problemas e apenas a oitava colocação do Campeonato Inglês após oito rodadas.
O United marcou sete vezes em cinco partidas. Não deveria ser ruim ter o terceiro melhor ataque da Premier League, mas a média de gols (1,4) é muito inferior à da temporada passada (2,2). A dependência em Robin Van Persie aumentou. O holandês é protagonista de quase 50% das vezes nas quais o time coloca a bola nas redes contra 30% de 2012/13. Além dele, apenas outros dois jogadores fizeram gols: Rooney (2) e Welbeck (2).
A equipe de Moyes está com posse de bola semelhante à de Ferguson e acerta quase o mesmo número de passes, mas finaliza um pouco menos. O problema é que Van Persie passou de 3,7 finalizações por jogo para 4,8. Ou seja, o resto do time está chutando menos.
Uma das novidades que o técnico encontrou em Old Trafford foi a pressão para se movimentar no mercado de transferências. No Everton, nem dinheiro havia, imagine expectativa de grandes contratações. Nos últimos segundos, Moyes contratou Marouane Fellaini para reforçar o meio-campo, mas o escocês deveria ter procurado um jogador com outras características.
Falta criatividade. O Manchester United tem a oitava melhor porcentagem de posse de bola e o sétimo índice de acerto, mas em toda a temporada executou apenas duas bolas em profundidade. O jogo ofensivo do time se destaca pelas bolas longas (68 por jogo) e cruzamentos (27). O atual campeão é o segundo colocado do Inglês nessas duas estatísticas. Com Ferguson, era apenas o 16° em lançamentos e o 5° em cruzamentos.
Defensivamente, também há problemas. O United desarma apenas 15 vezes por jogo, uma média superior apenas a do Fulham. Moyes sente a falta do melhor roubador de bolas da última temporada de Ferguson. O brasileiro Rafael teve média de três desarmes por jogo, mas está afastado por lesão. E todos os outros principais defensores apresentaram uma redução nesse quesito.
Moyes está enfrentando vários problemas diferentes dos que costumava lidar no Everton, além da inércia da janela de transferências. Não havia estrela em Goodison Park, como Wayne Rooney, que monopolizou as atenções do técnico na pré-temporada com suas ameaças de sair do clube. Perder o clássico para o Liverpool, embora chato, era compreensível pela diferença de investimentos. No maior campeão inglês, a pressão de vencer os principais rivais é muito maior, e até agora o treinador fracassou contra os dois. Tem nova chance na quarta-feira na Copa da Liga Inglesa e apenas uma vitória contra os Reds produziria um pouco de tranquilidade para ele mostrar que é o sucessor ideal de Alex Ferguson.



