Futebol inglês

‘Não esperava por isso’: Como escândalo financeiro do City afetou funcionários?

Para além das preocupações de jogadores e comissão técnica, demais trabalhadores também são afetados nos Citizens

Considerado culpado de 114 das 115 acusações de violações financeiras na Premier League, o Manchester City ainda tenta provar sua inocência através de um recurso. Sem garantia de sucesso na apelação, os Citizens convivem com a incerteza do futuro, que pode reservar punições históricas que vão desde multas, dedução de pontos, até a rebaixamento e exclusão de competições.

Diante desse cenário sem precedentes, o Manchester City agora lida com a falta de convicção na capacidade de manter seus jogadores, renovar contratos e fechar novas transferências, como divulgado na semana passada pela imprensa inglesa. Só que jogadores e departamento de futebol não são os únicos afetados pelo escândalo financeiro.

O jornal “The Telegraph” conversou com funcionários de todos os níveis dos Citizens para tentar entender o clima e o sentimento nos bastidores. Nenhuma das fontes quis se identificar, principalmente por medo de represálias, pois o processo continua em andamento e eles foram orientados a não conversarem com a imprensa. Diversas pessoas abordadas não quiseram dizer nada, mesmo com a possibilidade de anonimato.

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— O que mais me chocou foi a linguagem usada pela comissão para descrever a conduta do clube — começou um trabalhador.

— Estávamos esperando há muito tempo para ver o que aconteceria com essas acusações da Premier League, e muitas coisas passam pela nossa cabeça. Mas eu simplesmente não esperava por isso. Ainda estou um pouco chocado com a ferocidade do que a comissão disse. Acho que é isso que me preocupou — concluiu.

Funcionários do Manchester City estão preocupados, inquietos e nervosos

Após anos de investigação e um julgamento que se iniciou em fevereiro de 2023, o painel independente não poupou detalhes ao revelar seu veredito para expor a gravidade da quebra do fair play financeiro da liga por parte do Manchester City. A palavra “farsa” foi usada oito vezes para descrever acordos fechados pelos Citizens sob um suposto “esquema de financiamento disfarçado”.

Com isso, o Manchester City usou 830 milhões de libras (cerca de R$ 5,5 bilhões) injetados diretamente pelos proprietários para financiar secretamente contratos de patrocínio. Contudo, nem mesmo a repetida palavra “farsa” causou tanta preocupação quanto a forma incisiva e depreciativa que a comissão rejeitou as justificativas dos Citizens, escrevendo que tudo foi “inventado muito tempo depois do ocorrido para obscurecer e ocultar a realidade do esquema”.

Nos corredores do Manchester City, funcionários apresentam “preocupação, inquietação e nervosismo” devido possíveis sanções que colocam em risco não só o futuro do clube, como seus próprios empregos. Um trabalhador reconhece não ser “uma pessoa que se preocupa muito por natureza”, mas que é impossível “ignorar isso”.

Os últimos balanços divulgados em junho de 2025 mostraram que o City Football Group (CFG) empregava 2.647 pessoas, incluindo atletas, em seus 12 clubes, com uma folha salarial total de 630,5 milhões de libras (em torno de R$ 4,1 bilhões). Desses, 670 são funcionários dos Citizens, sendo 252 no departamento de futebol e 418 nas áreas comercial e administrativa.

Ferran Soriano, CEO do Manchester City, e Khaldoon Al Mubarak, presidente do clube
Ferran Soriano, CEO do Manchester City, e Khaldoon Al Mubarak, presidente do clube (Foto: Imago/Mark Pain)

Enquanto “todos estão falando sobre isso” internamente, parte da equipe prefere esperar que todas as vias de recurso sejam esgotadas, e as punições definidas, sobretudo porque os Citizens já foram condenados pela Uefa no início de 2020, também por violações financeiras. À época, o time recebeu uma multa e foi suspenso de duas edições da Champions League, porém, a decisão foi anulada meses depois pela Corte Arbitral do Esporte (CAS).

Além da confiança no setor jurídico, parte dos funcionários mencionaram sua fé e gratidão pelo presidente Khaldoon Al Mubarak. Muitos trabalhadores não se esquecem que o Manchester City foi um dos primeiros clubes ingleses a confirmar que não suspenderia nenhum contrato empregatício durante a pandemia de Covid-19. Por conta disso, querem esperar novos desdobramentos, que não têm prazo para serem divulgados.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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