Primeiras impressões
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O Tottenham ainda não estreou – joga nesta segunda-feira com o Manchester United, que fará sua segunda partida. O Everton só estreou – e mal, como vem sendo nos últimos tempos, perdendo para o favorito ao rebaixamento QPR. Os outros 17 times, entretanto, já têm duas partidas na Premier League, o que nos permite analisar com profundidade e exatidão cada uma delas, e predizer exatamente onde terminarão o campeonato. Ou quase.
Depois de duas partidas – pelo menos até a terda desta segunda – Man City e Wolves lideram. Nenhuma surpresa quanto ao primeiro, que começou em casa contra outro provável rebaixado e depois jogou contra o bom, mas não ótimo, Bolton. O co-líder, entretanto, de certa forma surpreende. Superou o lackburn fora de casa, o que quase todos devem fazer, mas não necessariamente os que deveriam lutar contra o rebaixamento; e bateu o Fulham em casa até com certa tranqulidade. Não, o time de Mick McCarthy não andará na parte de cima da tabela até o final da competição, mas seus primeiros resultados indicam uma consistência que pode fazer com que se estabeleça no meio dela.
Entre os últimos, nenhuma surpresa quanto ao já citado Blackburn. Nenhuma surpresa quanto ao West Brom também, não pelo time, mas porque enfrentou simplesmente Man Utd e Chelsea em seus primeiros dois jogos. O Everton ali surpreenderá quem esqueceu dos últimos anos, mas, sabe-se lá por que, é assim que os Toffees têm começado seu ano. O que não tem nenhuma explicação quando consideramos que o time é um dos que menos muda de um ano para outro. A não ser que haja algum fator físico envolvido, que o time faça um planejamento para “bombar” no final da temporada. Explica, mas continua difícil de entender perder para o QPR em casa.
Fora da ponta e da parte de baixo, quem surpreende positivamente neste início é o Newcastle. O empate com o Arsenal na primeira rodada até pode ser colocado na conta negativa dos Gunners – ampliada neste final de semana, e em casa. A vitória diante do arquirival Sunderland na casa do adversário, entretanto, foi imprevista. Os Magpies começam a temporada ainda sob suspeita, com um time que não é grande coisa, sem alguns de seus melhores jogadores e sob o comando de um lunático – apaixonado pelo time, mas lunático.
Do outro lado, os Black Cats mais uma vez começam a temporada pensando em fazer valer seu investimento – um dos maiores entre “o resto” da Premier League. A partida, entretanto, acabou sendo dominada pelos visitantes. É verdade que o Sunderland perdeu com um gol de falta em que seu goleiro foi mal, e que o goleiro em questão, Mignolet, é o reserva. Assim como é verdade que, em condições normais, deveria ter mais time, ou pelo menos um time mais organizado, do que o rival. O que aconteceu, entretanto, foi justamente o contrário.
O grande jogo da competição até aqui, entretanto, foi sem dúvida Arsenal e Liverpool. Pelo resultado, pela rivalidade, pelo fato de ambos pretenderem disputar as primeiras posições, e, claro, pelo resultado. A derrota em casa prenuncia uma temporada complicada para o Arsenal, enquanto a vitória fora, ainda que o fator sorte tenha estado presente no placar, mostra um Liverpool no mínimo determinado a buscar todos os resultados.
Repita-se: é apenas o começo da temporada, ou seja, qualquer julgamento tem de ir além do placar. Mas o melhor é dar uma olhada na lista de jogadores que Wenger teve em campo: desde o início, Carl Kenkinson e Emanuel Frimpong; entre os substitutos, Ignasi Miquel e Henry Lansbury. Isso sem considerar que Nasri jogou, ou seja, provavelmente haveria ainda outro adolescente em campo se o francês já tivesse sido vendido. Nasri jogou, e não jogou mal, mas o Arsenal perdeu em casa. Para um rival forte, mas perdeu em casa, e demonstrando defeitos muito parecidos com os das últimas temporadas.
Do lado vencedor, apesar de os gols terem contado com boa ajuda da zaga dos Gunners, há muito a comemorar. A vitória no Emirates, que não deve ser obtida por muitos times, é apenas uma delas. A boa atuação de Suarez, que, bem ou mal, forçou a zaga ao erro, outra. A principal, entretanto, é a que vem do ano passado, a que Kenny Dalglish trouxe ao time e que não o abandonou: a busca pela vitória sempre, e contra qualquer adversário.
Ainda estamos nos primeiros momentos, é verdade, mas é bom já dar uma olhada nos primeiros sinais.