Premier League

Vitória sobre o Chelsea é importante para o United e também para o campeonato

O paradoxo do Manchester United de José Mourinho: invicto há 21 rodadas na Premier League e contestado ao mesmo tempo. Isso porque foram dez empates nessa sequência, oito dos quais em Old Trafford. Os Diabos Vermelhos entraram em campo para enfrentar o Chelsea, em seus domínios, com a pior campanha em casa desde 1974, quando foram rebaixados. A dificuldade para propor o jogo e furar defesas fechadas não era um bom prognóstico para encarar os homens de Antonio Conte, entre os maiores especialistas da ilha nesse tipo de estratégia. Por isso, a vitória incontestável por 2 a 0, sem correr riscos, sem suar, atuando bem e melhor que os adversários, foi importante para o United.

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Mais ainda para o campeonato. O Chelsea assumiu a liderança isolada da Premier League na 12ª rodada. Virou o turno com seis pontos de vantagem para o segundo colocado. Subiu para dez, a nove partidas do fim. Havia uma inevitabilidade no ar, principalmente pela consistência do time, sólido na defesa, implacável no ataque, vibrante, unido. Era uma questão de tentar adivinhar quando o título seria confirmado. E, então, quatro jogos depois, tudo mudou. O líder, agora, tem apenas quatro pontos de folga.

E não é que coisas extraordinárias aconteceram com o Chelsea. Desde a mudança de sistema, para os três zagueiros, depois da derrota para o Arsenal, no fim de setembro, os Blues não ganharam apenas cinco jogos da Premier League. Perderam do Tottenham e do Manchester United, fora de casa, resultado muito normais. Empataram com o Liverpool, em Anfield. Sem problema. Tropeços de verdade foram apenas dois. Ficaram no 1 a 1 com o Burnley e perderam para o Crystal Palace, em Stamford Bridge. Mas um deslize aqui e outro ali acontecem até mesmo com times muito campeões.

O maior mérito, na verdade, é do Tottenham, que não tirou o pé do acelerador. Tem dois empates, uma derrota e 14 vitórias nas últimas 17 rodadas do Campeonato Inglês. Vem de sete triunfos seguidos, com 22 gols marcados e apenas quatro sofridos. Em casa, não tem para ninguém: emendou 12 vitórias em sequência com a goleada sobre o Bournemouth, no último sábado. Agora, colhe os frutos. Poderá encarar as seis rodadas finais da Premier League com esperanças ainda pequenas, mas reais, de conquistar o seu primeiro título inglês desde 1961.

O Chelsea passa por uma pequena queda de rendimento e precisa apresentar respostas nessa reta final. Começando pela defesa. O gol de Rashford, aos 7 minutos do primeiro tempo, fez com que o líder fosse vazado pela décima rodada seguida. O que é incrível considerando que estamos falando de um time que se destaca justamente pela solidez defensiva. Antes de passar quase um jogo inteiro tentando pelo menos empatar com o Crystal Palace e não conseguir, ganhou do Stoke City com um gol de Cahill, aos 42 minutos do segundo tempo. E neste domingo, mal conseguiu arranhar o Manchester United.

Para ser justo, com exceção dos gols – uma grande exceção, sem dúvida -, o Manchester United, sem Ibrahimovic, no banco de reservas, também mal arranhou o Chelsea. Begovic, substituto de última hora para o desfalque de Courtois, fez uma defesa. De Gea, nenhuma. O Chelsea foi finalizar pela primeira vez nos acréscimos da etapa inicial. O resto do jogo foi uma eterna tentativa de recuperar a bola sem ter muita certeza do que fariam uma vez que conseguissem.

O que funcionou muito bem para o Manchester United foi ter conseguido aproveitar duas brechas da defesa do Chelsea e não ter concedido nenhuma. A primeira surgiu de um irregular toque de mão de Ander Herrera na hora de interceptar a bola. O passe pegou os visitantes no contrapé. Rashford ganhou de David Luiz na corrida e tocou na saída de Begovic.

 

No segundo tempo, Young bateu a carteira de Kanté, em um raro vacilo do volante francês, e entrou na área costurando. Sobrou para Herrera bater de primeira. O chute desviou no próprio Kanté e enganou o goleiro bósnio.

 

José Mourinho marcou seus primeiros gols em Antonio Conte, depois de duas derrotas, no primeiro turno da Premier League e na Copa da Inglaterra. Na briga por vaga na próxima Champions League, sobe para 60 pontos em 31 rodadas, contra 64 em 32 do Manchester City e 66 em 33 do Liverpool. Está vivo, principalmente pela atuação sólida deste domingo, e tentará passar às semifinais da Liga Europa, na próxima quinta-feira, contra o Anderlecht.

O Chelsea precisa reunir as tropas. Tem seis rodadas pela frente para conquistar o título. Quatro deles em casa. É favorito em todos, mas, se não fizer bons jogos, pode se complicar contra o Southampton e diante da forte defesa do Middlesbrough, a sexta melhor do campeonato, apesar de o time amargar a vice-lanterna. Fora, enfrenta o Everton, que emendou a oitava vitória seguida em Goodison Park, no último sábado, e o West Brom, oitavo colocado – três derrotas nas últimas quatro rodadas em seus domínios.

A tabela do Tottenham é mais difícil. Pega Arsenal e Manchester United, no White Hart Lane, e viaja quatro vezes. Pelo menos, as partidas fora de casa são teoricamente mais tranquilas. Depois do Crystal Palace, encara West Ham e Leicester, provavelmente sem ambições, e fecha o torneio contra o Hull City. Os dados briga pelo título foram lançados.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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