Premier League

Van de Beek é o 12º jogador que tanto faltou ao United na temporada passada

Na reta final da temporada passada, a partir do reinício do futebol na Inglaterra, ficou claro que o Manchester United tinha um grande problema de falta de profundidade no elenco. Sem qualidade no banco de reservas, Ole Gunnar Solskjaer exauriu seus meias em meio à maratona de jogos, e o impacto pôde ser sentido. O técnico olhava para o banco e não via ninguém capaz de entrar no lugar de Pogba ou Bruno Fernandes e dar algum descanso aos dois. Pois agora este rosto chegou: Donny van de Beek, do Ajax.

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O Manchester United anunciou oficialmente a contratação de Van de Beek nesta quarta-feira (2). O jogador chega ao Old Trafford com um contrato de cinco anos, com custo potencial de £ 40 milhões, alcançados todos os bônus e cláusulas. Um valor excelente para um atleta de apenas 23 anos e que estava programado para se juntar ao Real Madrid por £ 50 milhões, antes de a pandemia chegar e mudar os planos dos espanhóis.

Van de Beek apresentou seu cartão de visitas na Champions League da temporada 2018/19, quando foi um dos destaques do Ajax em uma campanha surpreendente que ficou a alguns minutos de levar a equipe à grande decisão. Em meio a grandes atuações de Ziyech, Tadic, De Jong e De Ligt, conseguiu ele próprio levantar algumas sobrancelhas com suas chegadas perigosas ao ataque, marcando gols em partidas contra Juventus e Tottenham, nas quartas e semifinais, respectivamente, além de brilhar no meio de campo contra o Real Madrid, nas oitavas.

Naquela temporada, Van de Beek costumava jogar mais próximo à área adversária, como homem mais avançado do meio de campo. Com a saída de De Jong em 2019 para o Barcelona, foi recuado no sistema para suprir a perda, mas não deixou de dar sua contribuição ofensiva. Em 2018/19, seus números apontavam 17 gols e 13 assistências em 57 jogos. Em 2019/20, ao longo de 37 partidas, foram dez gols e 11 assistências.

Van de Beek (Foto: Getty Images)

Já muito destacável pelo que faz com a bola, Van de Beek tem no trabalho sem ela um de seus pontos fortes. É um jogador que se move bastante pelo campo, buscando espaços, oferecendo alternativas aos companheiros e ajudando a romper a formação adversária. Camisa 8 em seu estilo, é capaz de desempenhar bem também as funções de um 6 ou um 10.

É com esta versatilidade e vivacidade que Van de Beek chega para ser justamente o que faltou ao Manchester United na temporada passada.

Depois de um início irregular, Solskjaer pareceu ajeitar o time com a contratação de Bruno Fernandes. A partir de fevereiro deste ano, o português transformou os Red Devils não só por sua contribuição direta com gols, assistências e passes decisivos, mas também pela energia que trouxe ao grupo, influenciando significativamente aqueles ao seu redor. Pogba, livre do fardo de único homem de criatividade no meio de campo, passou a florescer novamente e a ser aquele jogador esperado à época de sua contratação, em 2016.

Ao mesmo tempo em que aparentemente todos os jogadores pareceram dar um salto de nível com a chegada de Fernandes, a falta de profundidade de elenco ficou também clara nas poucas oportunidades em que Solskjaer se atreveu a dar um descanso ao português ou a Pogba. Sem eles, o United tinha dificuldades para derrubar o ferrolho defensivo dos adversários. Com muito em jogo na reta final da temporada, Solskjaer então escalou os dois mais vezes do que idealmente deveria, e o excesso de partidas pesou no final, com a queda física vindo intrinsecamente acompanhada de um declínio técnico.

Com todas as suas qualidades e a sua mentalidade combativa, Van de Beek chega para, a princípio, dar um respiro ao Manchester United. Capaz de executar tanto a função de Pogba quanto a de Bruno Fernandes, o neerlandês é, por ora, o 12º jogador perfeito a esta equipe.

Com apenas 23 anos de idade e seus melhores anos à frente, Van de Beek não irá se resignar com o papel de substituto. Tem qualidade suficiente para ameaçar a titularidade de Pogba ou Fernandes em qualquer momento de queda de rendimento de um dos dois. Uma sombra necessária, o neerlandês oferece também, por fim, alternativas ao jogo de Solskjaer.

Já tem quem sonhe com um trio de Van de Beek, Pogba e Bruno Fernandes, mas isso significaria vulnerabilizar demais o time ou, quase igualmente ruim, limitar a grande capacidade ofensiva do neerlandês ou do francês para que um deles desempenhe um papel mais defensivo. Ainda assim, daí pode surgir uma combinação e um estilo de jogo hoje difíceis de prever.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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