Premier League

United perde patrocínio de £ 200 milhões em meio a protestos da torcida contra os proprietários

Com medo de repercussão em seu negócio local em Manchester, a empresa The Hut Group desistiu de acordo de dez anos com o clube

Juízo de valor à parte, o protesto dos torcedores do Manchester United no início do mês, impedindo a realização do clássico com o Liverpool após entrarem no Old Trafford e comprometerem o protocolo de proteção contra a Covid-19, tem surtido alguns resultados. A ação da torcida fez o mundo inteiro falar da insatisfação generalizada contra a administração Glazer, e agora os proprietários sentem um efeito financeiro disso, com um parceiro comercial abrindo mão de um projeto de dez anos com o clube que renderia £ 200 milhões aos cofres do clube (ou dos donos).

A empresa The Hut Group (THG), com sede em Manchester, começaria a partir de julho deste ano uma parceria de dez anos de duração com o United que renderia ao clube £ 20 milhões por temporada. Preocupada com a campanha de boicote dos torcedores aos parceiros comerciais do clube em protesto contra os Glazers, a companhia decidiu abrir mão do projeto, segundo o jornal inglês The Guardian.

A THG assumiria o espaço atualmente ocupado pela AON no peito das camisas de treino do Manchester United, exibindo a sua marca Myprotein, uma firma local. No entanto, segundo o Guardian, a empresa se preocupou com como poderia ser afetada pela má imagem dos proprietários do Manchester United, já que seu negócio é primariamente local.

Um grupo anônimo de torcedores do Manchester United lançou uma campanha online recentemente chamada “NOTAPPENYMORE” (“nem mais um centavo”), escrevendo uma carta aberta a parceiros do clube como Adidas, TAG Heuer e Cadbury e avisando que visaria seus produtos, em uma ação para criar pressão por parte das marcas sobre o clube.

Os protestos contra os Glazers datam desde a chegada da família norte-americana ao United, em 2005, devido à maneira como a compra do clube foi feita, tomando um empréstimo e usando ativos do próprio clube como colateral. Segundo cifras destacadas pelo blog de finanças do futebol Swiss Ramble, o United, que até então era livre de dívidas, hoje se vê com um débito de £ 429 milhões, tendo pagado já £ 244 milhões, e, importante ressaltar, já pagou £ 704 milhões em juros por essas dívidas, com os Glazers coletando £ 125 milhões em dividendos ao longo dos anos. Ou seja, ter a família norte-americana como proprietária já custou ao clube até aqui £ 1,1 bilhão, enquanto o dinheiro investido no clube veio todo de sua capacidade própria de gerar riqueza, sem injeção de dinheiro dos donos.

Em uma carta enviada aos torcedores, Joel Glazer respondeu às demandas do grupo Manchester United Supporters Trust se comprometendo a aumentar o diálogo entre clube e torcida, mas o grupo reforçou que se dará por contente quando vir as palavras transformadas em ações. Nos últimos 16 anos, este raramente foi o caso.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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