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Uma década depois, 10 motivos que tornam tão especial o Manchester United campeão da Premier League 2012/13

Aproveitamos o aniversário do fim daquela campanha (e da despedida de Ferguson) para relembrar seus detalhes

O dia 19 de maio de 2013 serve de marco na história recente do futebol inglês. O Manchester United encerrava não só a campanha do título da Premier League 2012/13, com um alucinante empate por 5 a 5 contra o West Brom, como também se despedia de Sir Alex Ferguson. O treinador encerrava os 26 anos de trabalho no clube com seu 13° título na liga nacional. Liderou mais uma campanha empolgante, em que Robin van Persie serviu de fio condutor às vitórias dentro de campo. Os Red Devils sobraram na tabela, arrancaram um punhado de triunfos emocionantes e ainda ofereceram um último troféu a vários ídolos do clube. Isso sem saber o tamanho do buraco no qual se meteriam logo depois.

Abaixo, para celebrar os dez anos daquele título do Manchester United, o 20° de sua história no Campeonato Inglês, aproveitamos para relembrar os seus detalhes e os motivos que o tornam tão especial. Confira:

– A temporada iluminada de Robin van Persie

Robin van Persie vinha da melhor temporada de sua carreira em 2011/12. O desempenho do atacante naquela Premier League tinha sido inacreditável, mesmo que o Arsenal passasse distante da briga pelo título. Foram 30 gols e 13 assistências em 38 partidas, que garantiram a RVP tanto a artilharia quanto o prêmio de melhor jogador do campeonato. No entanto, Van Persie estava decidido a brigar também pelos principais títulos coletivos. Caiu como uma bomba sua decisão de não renovar com os Gunners, num momento em que também usava a braçadeira de capitão. Mais amargo ainda foi o sentimento de ver o craque se bandear ao Manchester United, o traiçoeiro concorrente dos londrinos na década anterior e que havia aplicado uma surra por 8 a 2 ainda em carne viva. Não demorou para que o holandês fosse tratado como um “Judas” no Emirates. Porém, sua decisão ele justificou em campo, com meses iluminados em Old Trafford.

Era natural que Van Persie sentisse a pressão no Manchester United. O atacante lidava não apenas com a insatisfação de seu antigo clube, mas também com o rótulo de chegar como principal reforço dos Red Devils. Nem custou tão caro assim, por estar no último ano de seu contrato, mas carregava um fardo em suas costas. E tratou tudo isso com uma leveza impressionante. Se a estreia contra o Everton tinha sido infeliz, ao sair do banco no meio do segundo tempo e não evitar a derrota, a primeira finalização contra o Fulham rendeu seu primeiro gol pelo clube. Logo depois, uma tripleta diante do Southampton, para uma virada heroica no final. E a sequência do primeiro turno seguiu mágica para RVP: marcou o gol da vitória no fim contra o Liverpool em Anfield, também deixou o seu no triunfo que quebrou um jejum de dez anos contra o Chelsea em Stamford Bridge e, claro, cravou as redes do Arsenal no reencontro em Old Trafford.

A melhor sequência de Van Persie aconteceu entre dezembro e janeiro. Apareceu aos 47 do segundo tempo para decidir o dérbi contra o Manchester City, um elétrico 3 a 2 no Estádio Etihad. Definiu outras partidas grandiosas, contra Newcastle e Liverpool. E se houve até um período de seca no segundo turno, quando o cansaço parecia minar um pouco mais a fome de gols do centroavante, o grand finale estava por vir. O jogo do título, contra o Aston Villa, não poderia ser mais apoteótico: RVP anotou os três gols na vitória por 3 a 0, incluindo um sem-pulo de primeira que se gravou na retina de quem viu. Caberiam mais gols nos jogos restantes do United, claro. Entre eles, no empate por 1 a 1 diante do Arsenal no Emirates, sob vaias.

Van Persie terminou aquela temporada com 26 gols e 15 assistências. Foi eleito para a seleção do campeonato, mas perdeu os principais prêmios individuais para Gareth Bale, voando baixo pelo Tottenham. Dá até para justificar que a versão da temporada anterior pelo Arsenal era mais efetiva. Porém, não tinha sido campeã. Foi em 2012/13 que Van Persie virou uma página em sua carreira, entre ser um grande talento e ser o craque de um grande título. Ninguém nega que o atacante cumpriu esse papel em seu primeiro ano no Manchester United. Não conseguiria sequer repetir o alto nível, entre problemas físicos e a própria queda do coletivo. Mas uma temporada bastou para que se marcasse como ídolo em Old Trafford.

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– A despedida de Sir Alex Ferguson

(Icon sport)

Foram exatos 1.500 jogos. Uma verdadeira era para o Manchester United. A partir de 1986, Sir Alex Ferguson viveu de tudo em Old Trafford. Sobretudo, conquistou vitórias e repetiu títulos incansavelmente, a ponto de transformar a trajetória de um clube já gigante. Duas das três Champions conquistadas pelos Red Devils estão na estante graças ao comandante, que também levou uma Recopa Europeia. Mas nada explica mais a grandeza de Fergie do que suas glórias no Campeonato Inglês. Os Red Devils tinham sete troféus do Campeonato Inglês quando o treinador desembarcou na casamata. Ele rompeu o jejum de 27 anos na liga nacional e, nos 26 anos seguintes, levou a mesmíssima taça 13 vezes no total. Uma dinastia nasceu a partir do momento em que o trabalho do técnico realmente engrenou, sobretudo com a conquista da Copa da Inglaterra de 1989/90.

A última temporada de Sir Alex Ferguson não poderia ser diferente: tinha que terminar com o título da Premier League. E não seria uma campanha qualquer, mas uma das melhores já registradas pelo treinador, que vinha de duas décadas de trabalho sem ficar abaixo do terceiro lugar na era Premier League. Talvez o grande mérito de Fergie em toda a sua caminhada foi a maneira como conseguiu renovar os diferentes ciclos. Desde a transição das bandeiras do clube nos anos 1980 ao surgimento da Classe de 1992, passando ainda pela Tríplice Coroa ou pelos tricampeonatos nacionais, Fergie sempre deu um jeito de formar times competitivos. Nunca se furtou em fazer apostas no mercado de transferências ou em promessas, enquanto barrou medalhões que não rendiam o melhor. Deixou traumas para trás, sempre capaz de despertar a vontade de vencer.

É possível questionar o que ficou para a transição de seu cargo ao final da temporada de 2012/13. Alguns nomes importantes envelheciam, enquanto as apostas da sucessão não se cumpriram. Mas era impressionante como tudo conseguia se encaixar para Ferguson. Sabia como montar times extremamente competitivos, preservar a mentalidade nos grandes momentos, fazer ótimos jogadores se transformarem em craques. Foi um pouco o que se viu no ano final. No papel, o Manchester United de 2012/13 está abaixo de outros times vencedores dirigidos por Fergie. No rendimento, é como se fosse um dos melhores. O Midas mancuniano seguia no banco de reservas.

O anúncio de que Sir Alex Ferguson deixaria o comando do Manchester United veio no início de maio, semanas depois que a confirmação do título havia acontecido. Seu ato final em Old Trafford, na penúltima rodada, seria para erguer a taça e receber as homenagens. Foi o que aconteceu com a vitória sobre o Swansea. Já a partida derradeira ocorreu em The Hawthorns, com o insano 5 a 5 diante do West Brom, no 1500° e último compromisso à frente dos Red Devils. A forma como o resultado escapou até indicava como os mancunianos não estavam em seu melhor nível de concentração. Em outros momentos, certamente Fergie daria uma bronca homérica nos vestiários. Àquela altura, era o momento de se despedir. Seu legado ao clube e ao futebol estavam construídos. Era o último ato de quem já tinha virado lenda fazia muito tempo.

– A forma avassaladora

O Manchester United teve derrotas pontuais no início da Premier League 2012/13, que por vezes pareceram frear as pretensões da equipe. Perdeu a estreia para o Everton, perdeu em casa para o Tottenham na sexta rodada, perdeu a visita para o Norwich no 16° compromisso. A diferença é que aquele time dos Red Devils soube vencer muito mais. Muito mais. Tanto é que, nas 17 primeiras rodadas, os mancunianos não tinham empates. Eram 14 vitórias até aquele momento. Os principais oponentes tinham sucumbido – Manchester City, Chelsea, Arsenal, Liverpool. Dava para notar que o time campeão se formava pela resiliência de buscar os triunfos, da maneira que fosse.

Quando se permitiu empatar, o Manchester United também percebeu que poderia construir uma sequência invicta. Foram 17 partidas sem perder, de meados de novembro até o começo de abril. Os empates, mesmo assim, ainda eram bem raros – só dois nesse tempo todo. Nada menos que 15 vitórias foram conquistadas. Se um dos segredos de Sir Alex Ferguson sempre foi fazer o time crescer nos momentos mais árduos da maratona do campeonato de pontos corridos, sobretudo na época do Boxing Day. Àquela altura, os mancunianos já desfrutavam um voo de cruzeiro. Depois de 31 rodadas, a vantagem na dianteira sobre o Manchester City chegou a 13 pontos. Eram 26 vitórias em 31 compromissos. A pergunta era saber quando o título seria confirmado.

Auxiliou a campanha mais curta do Manchester United nas demais competições, é verdade. O Chelsea foi o carrasco tanto na Copa da Liga Inglesa quanto na Copa da Inglaterra – com a base que tinha sido campeã europeia meses antes, apesar das turbulências. Já na Champions League, o sonho acabou nas oitavas de final, contra um forte Real Madrid. Mas, na Premier League, não houve quem encarasse. Mesmo a derrota para o Manchester City em Old Trafford, em abril, não colocou em dúvidas as possibilidades de título. Três rodadas depois, ele já veio, com quatro partidas de antecipação. E se o United terminou aquela Premier League 2012/13 com 89 pontos, foi por desleixo no fim que não bateu o próprio recorde de 92 pontos na era Ferguson. O time só ganhou uma de suas últimas quatro partidas – aquela que serviu de despedida ao treinador em casa.

– Os jogos apoteóticos

O Manchester United terminou a Premier League 2012/13 com o melhor ataque da competição, 86 gols anotados, bem distante da concorrência. Em compensação, a defesa sofreu 43 gols e foi apenas a quinta melhor do campeonato. Algo que se nota pelos placares de muitos jogos: a emoção esteve no talo pela forma repetida como triunfos saíram em meio à agonia de placares bailarinos. Apesar de todos os riscos, quase sempre os Red Devils prevaleciam.

Ao longo do primeiro turno, o Manchester United teve oito vitórias em que saíram cinco gols ou mais no jogo. Em sete delas, os Red Devils ganharam por um gol de diferença – por 3 a 2 ou por 4 a 3. Os épicos começaram cedo, com os 3 a 2 sobre o Southampton em que Van Persie precisou buscar a virada com dois gols depois dos 42 minutos do segundo tempo. Outra partida bastante lembrada foi a vitória por 3 a 2 sobre o Chelsea, em que o Red Devils fizeram os dois primeiros em Londres, antes de tomarem o empate e arrancarem o triunfo a 15 minutos do fim. Roteiro parecido aconteceu nos 3 a 2 sobre o Manchester City no Estádio Etihad, com a diferença que o resultado só foi definido aos 47 do segundo tempo. Também teve um 3 a 2 sobre o Aston Villa em que os anfitriões ganhavam por dois gols de vantagem no Villa Park, antes da virada ser arrancada pelos mancunianos no segundo tempo. Chicharito foi herói daquela partida e de outras duras vitórias.

O Manchester United ainda teve duas vitórias por 4 a 3 no primeiro turno. A primeira delas, contra o Reading, teve três viradas no placar e os sete gols acumulados em 34 minutos. Melhor ainda foram os 4 a 3 sobre o Newcastle, em que os Magpies estiveram à frente na contagem três vezes, sempre com os Red Devils em busca da igualdade. O placar só virou aos 45 do segundo tempo, cortesia do talismã Chicharito. Durante o segundo turno, ao menos, os mancunianos pouparam um pouco o coração de seus torcedores. Triunfos por dois ou mais gols de diferença se tornaram mais costumeiros. A trepidação só voltaria na reta final.

A vitória por 3 a 0 sobre o Aston Villa, que selou o título em 22 de abril, foge um pouco desse roteiro, mas merece ser mencionada pela atuação brilhante de Robin van Persie na ocasião. O craque da campanha fez a diferença entre um resultado que poderia ser protocolar e uma vitória que ganhou contornos memoráveis. Isso até as despedidas. Primeiro, em Old Trafford, com os 2 a 1 sobre o Swansea. A vitória dos Red Devils dependeu de um gol de Rio Ferdinand aos 42 do segundo tempo, para permitir o sorriso de Sir Alex Ferguson em seu último ato como treinador no estádio. Por fim, os 5 a 5 sobre o West Brom dispensam apresentações. O United abriu três gols de vantagem, deixou os Baggies encostarem e depois fez outros dois. Quando os 5 a 2 pareciam definidos, Romelu Lukaku comandou o empate, com os últimos três gols de seu time (dois do belga) nos dez minutos finais. Outra partidaça marcante.

– A resposta ao Manchester City

O vice-campeonato na temporada anterior tinha doído no Manchester United. Não era apenas o fato de ver o rival Manchester City voltar a ser campeão nacional depois de longuíssimo inverno, num projeto que se prometia fora da realidade financeira. A questão é como os Red Devils deixaram a conquista escapar. O United chegou a sustentar uma vantagem de oito pontos na dianteira, antes das seis rodadas finais. A distância se pulverizou por conta dos tropeços dos Red Devils e, quando o time tentou acordar, era tarde demais. Perderam a taça no saldo de gols, e muito por conta da goleada por 6 a 1 sofrida no dérbi no primeiro turno. Quando um fio de esperança surgiu na rodada final, o milagre de Sergio Agüero deixou dores ainda mais profundas. Mas que Sir Alex Ferguson trataria de cicatrizar no ano seguinte.

Os 89 pontos de 2012/13 não fariam o Manchester United ser campeão em 2011/12, exatamente porque também perderia no saldo de gols. Entretanto, a perda de fôlego na reta final era um detalhe para um time que não encontrou concorrentes ao longo daquela temporada. O Manchester City mal apareceu no retrovisor. Seria uma vitória para cada lado nos confrontos diretos, mas o triunfo do United dentro do Estádio Etihad no primeiro turno foi muito mais impositiva, no sentido de dizer quem seria o campeão. Sucumbir em Old Trafford contra os rivais, mesmo adiando um pouco a confirmação da taça, não foi o que rompeu a confiança ao redor do que os Red Devils já tinha feito até então.

O Manchester City demitiu seu treinador ao final da temporada. Roberto Mancini perdeu o emprego numa temporada em que ficou com o vice da Premier League, mas, muito pior, caiu na fase de grupos da Champions e perdeu a final da Copa da Inglaterra diante do surpreendente Wigan. O Chelsea também fez uma graça e ocupou a liderança no início do campeonato, quando existia uma empolgação pelos reforços ao time campeão europeu, mas não demorou para o trabalho de Roberto Di Matteo derreter – com a derrota no confronto direto para o United iniciando a derrocada do treinador até a chegada de Rafa Benítez. Naquele momento, não havia oponente para competir com a consistência dos Red Devils – mesmo que o dinheiro de Citizens e Blues proporcionasse outro cenário nos anos vindouros.

– A grandeza de Giggs e Scholes

Ryan Giggs e Paul Scholes já tinham estaturas imensas dentro do Manchester United quando conquistaram a Premier League 2012/13. Não foi aquela campanha que tornou os dois meio-campistas maiores. Porém, ela ofereceu momentos especiais e um desfecho dourado à dupla, últimos remanescentes não apenas da Classe de 1992, mas também da Tríplice Coroa de 1999.

Scholes já tinha se aposentado em 2011 e voltado às atividades meses depois. Contudo, a temporada de 2012/13 foi realmente a última de sua carreira. Seria um coadjuvante na campanha do título, com aparições pontuais na equipe titular. Teve uma lesão no joelho que o tirou de ação por quatro meses. Porém, voltou a tempo das rodadas finais. Viveu sua despedida em Old Trafford contra o Swansea e entrou nos minutos finais da loucura contra o West Brom. Saiu do clube como campeão – como sempre.

Já Giggs estava em sua penúltima temporada pelo Manchester United. Aquele foi seu último título de primeira grandeza – a não ser que você queira contar uma Community Shield contra o Wigan. O ponta disputou 22 partidas na Premier League 2012/13, com dois gols e três assistências. Contudo, dois momentos especiais ocorreram. Naquela temporada, Giggs alcançou seu jogo de número 1.000 pelo United, contra o Real Madrid na Champions League. E na partida do título contra o Aston Villa, dois dos três gols de Van Persie vieram com assistências do veterano – embora o mais bonito tenha sido cortesia de Wayne Rooney. A marca do multicampeão também ficava bastante expressa.

– A liderança de Michael Carrick

Michael Carrick não é o primeiro nome a ser citado entre os grandes jogadores do Manchester United na virada das décadas de 2000 e 2010. Mesmo com 464 partidas pelo clube, o volante era um grande coadjuvante, por mais que tenha empilhado taças e campanhas de destaque. Seu melhor ano em Old Trafford seria exatamente 2012/13. Foi quando o futebol do meio-campista atingiu seu maior grau de maturidade e ele sustentou a faixa central de uma equipe em transição. Era uma grande certeza para fazer os mecanismos funcionarem na formação de Sir Alex Ferguson. Não à toa, apenas Robin van Persie e Patrice Evra tiveram mais minutos que o camisa 16 em campo naquela campanha.

Carrick totalizou 36 partidas, com um gol e quatro assistências. Números modestos, até por sua posição, que não traduzem a forma como conferia equilíbrio àquele Manchester United. O reconhecimento maior se dá através dos prêmios. O inglês seria eleito para a seleção da temporada da Premier League, única vez que isso aconteceu em toda a sua carreira. Mais do que isso, os próprios companheiros escolheram ele como melhor do time em 2012/13 na eleição interna, não Van Persie. Só isso já traduzia a confiança ao redor do trabalho do volante e o apreço para tornar o time campeão. É um ano especial de sua trajetória em Old Trafford.

– A afirmação de David De Gea

O momento atual não permite muitos elogios a David de Gea. Porém, não é exagero dizer que o goleiro foi o principal jogador do Manchester United ao longo da última década. O espanhol ganhou em quatro temporadas o prêmio de melhor jogador dos Red Devils. Também por quatro vezes seria eleito o melhor goleiro da Premier League. O primeiro destes troféus chegou em 2012/13, quando o novato deixou para trás as desconfianças de seus primeiros meses em Old Trafford e se firmou como dono da posição. Por um tempo, a aposta feita junto ao Atlético de Madrid em 2011/12 parecia ter sido um tiro n’água. De Gea rebateu os críticos de verdade em 2012/13, à medida que cresceu na Premier League.

De Gea sequer começou aquela temporada como titular. Perdeu a posição em alguns momentos do primeiro turno para Anders Lindegaard. Contudo, a melhor forma do time também seria correspondida com uma boa sequência do arqueiro. A partida que o confirmou como dono da posição foi exatamente o clássico contra o Manchester City, vencido por 3 a 2 no Estádio Etihad. Os milagres se tornaram frequentes e a invencibilidade dos Red Devils falava por si. Também os “clean sheets” começaram a acontecer na virada do ano, o que andava difícil na primeira metade da competição. Ao final do campeonato, não existiam mais tantas dúvidas de que De Gea seria capaz de lidar com o peso de suplantar Edwin van der Sar. O título tornou mais leve sua caminhada.

– A despedida gloriosa à geração tricampeã

Não se sabia ainda naquele momento, mas o título de 2012/13 também fechou a história de vários e vários nomes importantes do Manchester United que tinham estrelado o clube no tricampeonato da Premier League de 2006/07 a 2008/09. Rio Ferdinand foi quem teve o maior destaque, a ponto de ser eleito um dos melhores zagueiros da temporada 2012/13 e de entrar para o time ideal do campeonato. Seria um daqueles que deixaram o clube em meio à renovação ocorrida em 2014. Patrice Evra era mais um intocável entre os titulares em 2012/13 que também saiu um ano depois. Perdendo espaço de maneira mais gradativa, outros que fizeram as malas foram Nemanja Vidic, Darren Fletcher, Anderson e Nani – além de Giggs, que se aposentou.

Quem durou um pouco mais no elenco foram Michael Carrick e Wayne Rooney. E o atacante merece ainda uma menção especial. Rooney tem um lugar muito grande na história do Manchester United, por todos os números e pela maneira como sempre se manteve entre os principais jogadores. Aquela Premier League de 2012/13 teve a segunda menor minutagem do camisa 10 em campo em suas 14 temporadas pelo United, muito por conta de problemas de lesão. Mesmo assim, em 27 aparições, ele contribuiu com 12 gols e 10 assistências. Se não teve o cartaz de Van Persie, fez a diferença em jogos grandes – sobretudo com os dois gols nos 3 a 2 sobre o Manchester City, um adversário que ele adorava encarar. Aquele título foi um ponto de virada para a própria trajetória do inglês em Old Trafford. Foi seu último troféu com grande influência e a última de suas cinco taças na Premier League.

– O que viria depois

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A dimensão desse título do Manchester United é ainda maior por aquilo que não aconteceu nestes últimos dez anos. O período de glórias repetidas na Premier League soa cada vez mais como um passado distante, até por todas as idas e vindas que aconteceram em Old Trafford. David Moyes, Louis van Gaal, José Mourinho e Ole Gunnar Solskjaer passaram pela casamata, até que Erik ten Hag chegasse como aquele que traz um pouco mais de projeção em médio e longo prazo. A Copa da Liga desta temporada encerrou um jejum de quase seis anos sem títulos, o que parecia impensável para os tempos de Sir Alex Ferguson. Ao longo da última década, o maior troféu erguido pelos mancunianos foi uma mera Liga Europa.

E a Premier League retrata ainda mais a maneira como a queda foi brusca. Nas últimas nove temporadas, o Manchester United ficou abaixo da quarta posição em cinco oportunidades, sem se classificar para a Champions League – o que não tinha acontecido sob as ordens de Ferguson desde 1993/94. Os melhores desempenhos no Campeonato Inglês vieram com dois vices, em 2017/18 e 2020/21. Ainda assim, na melhor das ocasiões, os Red Devils ficaram 12 pontos abaixo do campeão Manchester City. O número de pontos, de vitórias e de gols marcados pelo United em 2012/13 não foram registrados novamente pelo clube. Muito menos a sinergia e a sede de vitórias que valeu aquela taça de despedida – a grandes ídolos, ao maior dos técnicos e também a páginas gloriosas.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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