Premier League

Tuchel se irrita com perguntas sobre Abramovich e a guerra: “Não tenho respostas, vocês precisam parar”

Treinador do Chelsea fica na linha de frente para responder aos questionamentos em relação ao futuro da administração de Roman Abramovich

O Chelsea se encontra envolto por uma série de questionamentos em sua administração. Diante da invasão russa na Ucrânia, a gestão de Roman Abramovich é colocada em xeque no Reino Unido. O dono dos Blues é acusado de ter enriquecido por conta de sua ligação com o presidente Vladimir Putin e, neste sentido, parlamentares pediram sanções ao magnata. No final de semana, Abramovich decidiu deixar o comando do Chelsea e repassou a direção à fundação do clube, que gere projetos de caridade. Embora o magnata não estivesse mais envolvido diretamente na gestão e não deixe de ser proprietário, há mais dúvidas que respostas nessa mudança em relação às responsabilidades, o que levou a fundação a questionar o processo. Perguntado sobre os entraves ao redor da agremiação, o técnico Thomas Tuchel se irritou na coletiva de imprensa. Disse que não é a pessoa indicada para falar e pediu respeito.

“Ouçam, ouçam, ouçam: vocês têm que parar. Não sou político. Vocês precisam parar, honestamente. Só posso repetir isso. E até me sinto mal em repetir isso, porque nunca vivenciei uma guerra. Então, até para falar sobre o assunto eu me sinto mal, porque sou muito privilegiado. Eu me sento aqui em paz e faço o melhor que posso, mas vocês precisam parar de me perguntar sobre esse assunto. Não tenho respostas para vocês”, afirmou Tuchel, antes do compromisso com o Luton Town pela Copa da Inglaterra.

Indagado sobre as ligações de Abramovich com Putin, Tuchel preferiu não responder: “Eu tenho que dizer que falar sobre isso é um pouco demais para mim. Não estou ciente de nenhum detalhe e não estou ciente de toda a situação. Todos concordamos que existem situações muito, muito mais importantes que o futebol – isso nunca vai mudar. E situações como a guerra são, logicamente, muito mais importantes. Mas o papel de Abramovich não cabe a mim comentar, porque não sei o suficiente sobre isso”.

Neste momento, o futuro do Chelsea parece incerto, depois da decisão de Abramovich transferir a gestão para a fundação do clube. Os curadores da fundação ainda não concordaram com o pedido e há preocupação sobre a situação, se há permissão nos estatutos internos para tal e quais serão as responsabilidades. Segundo o Guardian, é provável que os curadores desejem mais certezas antes de assumirem. Já a BBC aponta que, neste momento, Abramovich não tem intenção de vender o Chelsea – embora o Telegraph reporte ofertas, de interessados que entendem que este é o momento ideal para uma compra.

Em suas atribuições, Tuchel garantiu que o elenco segue seu trabalho sem ser afetado pelas turbulências: “Não estou certo se sou a pessoa que deveria transmitir mensagens aos torcedores sobre qualquer coisa além do esporte. Estamos tentando manter a calma aqui, eu estou calmo e nós estamos calmos no meio de uma tempestade, ou de algum barulho ao nosso redor sobre o qual não podemos controlar e não somos responsáveis. No fim das contas, o melhor é manter a calma e focar naquilo que amamos, que fazemos, que é o esporte”.

“Acho que temos o direito de focar no esporte, os jogadores têm o direito de estarem focados e é o que podemos dizer aos torcedores. Acho que é isso que a torcida viu no domingo. Há uma grande situação lá fora, mas aqui ainda há um grande comprometimento dos jogadores, dos clubes e dos torcedores. Acho que todo mundo está ciente que há coisas mais importantes e a guerra na Ucrânia é de longe muito mais importante. Ainda fizemos uma partida fantástica. Tentamos entreter a torcida com uma partida de máximo esforço. Não sei o que poderíamos fazer de diferente”, complementou o técnico, em referência à final da Copa da Liga, quando o Chelsea perdeu o título para o Liverpool nos pênaltis.

A princípio, a gestão de futebol do Chelsea não muda. Há anos a administração está nas mãos da diretora executiva Marina Granovskaia, auxiliada atualmente pelo ex-goleiro Petr Cech. Também não há empecilhos para Abramovich realizar investimentos, embora o clube não dependa mais do dinheiro do magnata e opere de forma superavitária desde 2012. A questão fica mesmo para a gestão estratégica de longo prazo, que passaria à fundação.

Os curadores da fundação atualmente são: Bruce Buck (presidente do Chelsea), John Devine (advogado esportivo), Emma Hayes (técnica do time feminino), Piara Powar (executiva do Football Against Racism in Europe), Paul Ramos (diretor financeiro do Chelsea) e Hugh Robertson (vice-presidente da Associação Olímpica Britânica). Seriam eles a ocupar as funções atuais de Abramovich, embora fique pouco claro sobre o que realmente ocorrerá. Se em teoria a decisão do russo é mais simbólica do que prática, as dúvidas sobre o seu real impacto no dia a dia é o que de fato atravancam a mudança.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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