A volta de ao era um fio de esperança para o galês. Uma casa onde brilhou, onde tornou-se um jogador do mais alto nível. Passados alguns meses, o que se vê é que o jogador pouco entra em campo, não consegue nem ganhar um lugar no time comandado por José Mourinho e os Spurs não consideram a hipótese de contratá-lo em definitivo, já que ele está no clube por empréstimo. Só que isso gera um outro problema: ao voltar ao , ele será um extracomunitário, porque o passou a valer em janeiro

Sua ida ao Real Madrid não pode ser considerada ao fracasso, muito pelo contrário. Empilhou taças e jogou muito bem muitas vezes – foram quatro Champions League, duas La Liga, uma Copa do Rei, duas Supercopas da Espanha, quatro Mundiais de Clubes, três Supercopas da Europa. Foi fundamental naquela primeira conquista de Champions, na temporada 2013/14, a sua primeira pelo clube.

Só que isso passou com o tempo. Bale perdeu espaço pouco a pouco, antes mesmo da saída de Cristiano Ronaldo, mas agravada depois que o português deixou Madri. Isso porque se esperava que ele fosse o jogador que assumisse o posto de estrela do time. Não foi o que aconteceu. Quem fez isso foi Karim Benzema, que era um coadjuvante de luxo do artilheiro português que foi para a Juventus.

Sem espaço nos merengues, Bale foi emprestado ao Tottenham, em uma operação quase sem custos para os ingleses, que só pagam parte do salário e nada mais. Tinha muitos elementos para funcionar. Ele chegou em setembro (com a janela de transferências empurrada pela pandemia, isso foi possível) e, desde então, teve 15 jogos, com quatro gols. São apenas 783 minutos, média de 52 minutos por partida.

Na Premier League, foram só seis jogos, com um gol marcado e 230 minutos em campo, média de 38 minutos por partida. Na partida desta quinta-feira do Tottenham contra o Chelsea, em casa, a equipe de Mourinho foi derrotada e Bale nem saiu do banco – o que foi questionado na coletiva de imprensa e gerou respostas atravessadas do treinador.

Se o Tottenham confirmar a informação dada pelo Marca que não quer continuar com Bale, Bale volta a Madrid a partir de 30 de junho. Ele tem contrato (e um bom contrato) até junho de 2022 com o clube espanhol, ou seja, mais uma temporada. Embora ainda falte cinco meses para o retorno do galês, já se prevê uma batalha, porque o jogador não quer abrir mão do seu contrato, que é alto: €34 milhões por temporada, em valores brutos (ou seja, contando todos os impostos, o que, na Inglaterra, significa algo como €17 milhões líquidos por temporada). Um custo muito alto para o Tottenham mantê-lo.

Além do problema econômico, o Real Madrid teria também o problema burocrático: o Brexit foi colocado em prática, enfim, em janeiro. Isso significa que todos os britânicos, como Bale, passam a ser considerados extracomunitários nos países da União Europeia. Portanto, um problema, porque há apenas três vagas para esse tipo de jogador no elenco.

Para a temporada 2021/22, Vinícius Júnior, Rodrugo, Éder Militão, Reinier e Kubo são extracomunitários. Por causa do limite de extracomunitários, o clube decidiu emprestar Reinier, Kubo e também Bale. Jogadores que vivem seis anos consecutivos na Espanha recebem o passaporte comunitário de cidadão espanhol, como é o caso, por exemplo, de Marcelo, lateral esquerdo brasileiro.

Bale, aos 31 anos, tornou-se um problema para o Real Madrid há tempos, mas parece ter se tornado também um problema no Tottenham. O galês terá alguns meses para mudar esse panorama e, talvez, mudar a sua pedida salarial. Seja como for, o destino de Bale parece que não será Madrid e, se não ficar no Tottenham, precisará encontrar outro mercado. Na situação atual do mundo, com pandemia, parece difícil chegar a outros mercados, como a China. Talvez o Oriente Médio se torne uma opção, ou mesmo Estados Unidos. Resta saber se Bale estará disposto a isso e se haverá proposta para tanto.