Dividindo a liderança com o Liverpool, o Tottenham entrou nesta rodada pressionado a vencer o Crystal Palace, já que o compromisso dos Reds seria contra um relativamente frágil Fulham. Os Spurs até que tentaram, mas tiveram pela frente um Vicente Guaita em noite inspirada. O espanhol foi essencial para manter a equipe da casa viva no duelo até que buscasse o empate em 1 a 1, diante de dois mil torcedores.

José Mourinho não quis saber de descansar sua equipe após jogar no meio de semana pela Liga Europa. Foi a campo com o que tinha de melhor, com um meio de campo formado por Sissoko, Hojbjerg e Ndombele e o trio de ataque Bergwijn-Kane-Son. Apesar da artilharia pesada, quem chegou com perigo primeiro foi o Crystal Palace, em chute de fora da área de Zaha aos 14 minutos, defendido em dois tempos por Lloris.

O jogo era aberto em ambas as pontas, e o Tottenham logo respondeu com Ndombele aos 18 minutos. Aurier cruzou baixo para o francês, que completou dentro da área com um bom sem-pulo, parando na primeira de muitas boas defesas de Guaita.

No minuto seguinte, Reguilón pegou sobra de um cruzamento, ajeitou para a perna direita e, de fora da área, bateu com força e direção, errando por pouco o alvo graças a um desvio da defesa do Palace. No escanteio consequente da jogada do espanhol, Kane subiu mais alto que Schlupp para cabecear, mas mais uma vez viu Guaita levar a melhor.

O único momento de exceção na grande noite de Guaita custou caro ao espanhol. Aos 23 minutos, Kane arriscou de longe, e a trajetória da bola enganou o goleiro, que se preparava para saltar para um lado e não conseguiu voltar a tempo para evitar o gol do camisa 10.

O Crystal Palace merecia e esteve perto de empatar ainda no primeiro tempo, mas o chute de Eze, aos 43 minutos, acertou caprichosamente o pé da trave esquerda de Lloris.

Acelerando o ritmo perto da área adversária, o Crystal Palace trocava passes velozes em boas combinações, como na ocasião do chute de Zaha aos dez do segundo tempo, que passou por cima do gol. Os donos da casa também alternavam o repertório, levando perigo aos 24 minutos em bola parada levantada por Milivojevic, ajeitada de cabeça por Benteke e finalizada sem direção por Schlupp, que aparecia em posição para marcar. O mesmo Schlupp, no entanto, alcançaria o empate.

Aos 36 minutos da etapa final, Eze levantou bola na área em cobrança de falta, Lloris foi pego de surpresa após ela viajar sem desvios no meio do caminho e acabou espalmando no pé de Schlupp, que desta vez não desperdiçou e mandou pra rede.

O Tottenham teve a energia certa para reagir nos minutos finais e criou chances suficientes para sair com a vitória, mas a estrela de Guaita brilhou mais forte do que a de qualquer jogador dos Spurs. Aos 41 minutos, Davies chutou de longe, acertou o travessão, e no rebote Aurier cruzou na cabeça de Kane. O gol parecia certo, mas o arqueiro espanhol fez grande defesa para evitar o 2 a 1.

Já nos acréscimos, aos 48 do segundo tempo, Eric Dier bateu falta com capricho, força e precisão. Em qualquer outra noite, a bola possivelmente teria entrado, e um golaço salvaria o Tottenham do tropeço. Mas esta era a noite de Guaita. O espanhol se esticou até sua máxima envergadura e alcançou com maestria a bola, espalmando para escanteio e acabando com as chances de vitória dos Spurs.

Um jogo que poderia ter ido para qualquer um dos lados acabou decidido por detalhes, e as luvas de Guaita estiveram presentes em vários desses detalhes. O Crystal Palace sai satisfeito do duelo, tendo criado um bom volume de oportunidades e tendo sua jornada marcada pelo reencontro com a torcida após nove meses. Ao Tottenham de José Mourinho, restam o alerta e as lições de uma atuação insuficiente, que em boa parte do segundo tempo foi bastante abaixo do que se espera de um time que briga pelas posições de topo.

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