Premier League

Tottenham arrisca e dá a Aurier a oportunidade de se tornar o jogador que ele pode ser

No último dia da janela de transferências, o Tottenham anunciou a contratação de um lateral direito para suprir a saída de Kyle Walker. Pagou metade do preço pelo qual ele foi vendido para o Manchester City, por um jogador três anos mais jovem e com melhores atributos técnicos e físicos. Parece um ótimo negócio, certo? Mas a chegada de Serge Aurier representa na verdade um risco para os Spurs.

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O lateral direito marfinense tem aquilo que a gente chama de um parafuso a menos. A sua própria contratação ficou pendente por causa de uma condenação a dois meses de prisão por ter agredido um policial. O Reino Unido não concede visto de trabalho a quem tem esse tipo de pena ainda a cumprir. O caso só foi resolvido quando uma corte francesa suspendeu a punição. Aurier contesta a decisão da Justiça e está apelando contra ela.

Casos como esse nem são tão incomuns quanto deveriam ser no futebol inglês, mas Aurier tem um cardápio maior de controvérsias. No Paris Saint-Germain, recebeu três jogos de suspensão por ofender um árbitro no Facebook e, também nas redes sociais, fez comentários homofóbicos contra o técnico Laurent Blanc e chamou Angel Di María de “palhaço”. Foi obviamente afastado até pedir desculpas.

Um grupo de torcedores LGBT do Tottenham emitiram um comunicado afirmando que, em um primeiro momento, não gostaram da contratação, mas a encaram como uma possibilidade de “criar pontes e promover mudanças” por meio da educação. “Gostaríamos ver o envolvimento com torcedores LGBTs no topo da lista de Serge”, afirmou o grupo Proud LilyWhites. “O futebol tem o poder de transformar a vida de indivíduos e comunidades inteiras. Na melhor das hipóteses, ele nos dá a chance de transcender os limites geográficos e aprender a trabalhar e brincar e comemorar juntos. Jogadores, clubes e autoridades precisam levar a sério essa responsabilidade, então o que acontece quando um jogador como Serge Aurier, que foi abertamente homofóbico no passado, chega a um novo clube? Isso nos dá a oportunidade de falar sobre qual tipo de jogo queremos ver, jogadores para os quais queremos torcer. Que tipo de clube queremos ser”.

Mauricio Pochettino, técnico do Tottenham, certamente acredita na sua capacidade de lidar com o gênio de Aurier e evitar que ele tumultue o bom ambiente do elenco. O lateral ganha a oportunidade de atingir o potencial que demonstrou quando chegou do Toulouse ao Paris Saint-Germain, três anos atrás. Diante de tantas controvérsias, o jogador da seleção marfinense, campeão da Copa Africana de Nações, disputou apenas 81 partidas pelo PSG em três anos.

O Tottenham fez um mercado modesto. Trouxe Davinson Sánchez, do Ajax, por € 40 milhões, contratação mais cara da história do clube, o zagueiro Juan Foyth, do Estudiantes, e o goleiro Paulo Gazzaniga, que estava no Southampton. E Aurier, por € 25 milhões. Um bom jogador, mas um risco que o clube assume.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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