Premier League

Torcedores do Arsenal lutam para que empresário americano não se torne dono de 97% do clube

Nesta semana, a imprensa inglesa passou a repercutir o interesse de Stan Kroenke em se tornar dono de uma fatia ainda maior das ações do Arsenal. O empresário americano, que possui 67% do clube, fez uma oferta de £525 milhões para comprar os 30,4% pertencentes ao russo Alisher Usmanov. E a queda de braço pelo poder no Estádio Emirates preocupa os próprios seguidores dos Gunners. A associação de torcedores pediu para que Usmanov não ceda às investidas, temerosa do que pode acontecer sob o controle total de Kroenke.

Usmanov já deixou claro em outras ocasiões que não pretende se desfazer de suas ações. Chegou até mesmo a fazer uma oferta formal de £1 bilhão pelos 67% de Kroenke em maio deste ano, o que acabou refutado pela empresa do americano, reafirmando seu compromisso de “se manter como investidor de longo prazo no clube”. Entretanto, mesmo sendo o segundo maior acionista, o russo não possui um lugar na diretoria dos londrinos ou tem qualquer participação na tomada de decisões.

Segundo a Sky Sports, a Arsenal Supporters’ Trust, em sua posição de representante da torcida, entrou em contato com Usmanov para manifestar a importância do russo dentro da estrutura do clube. Os torcedores temem que, com 97,4% das ações, Stan Kroenke transforme os Gunners em uma empresa privada e sufoque o retante dos acionistas minoritários na tomada de decisões. Faça justamente o que os londrinos não querem, sem qualquer poder dentro de um clube que já não funciona da maneira desejada, visando apenas o lucro de seu dono e não o investimento em sua equipe de futebol.

“A Arsenal Supporters’ Trust continua acreditando que o Arsenal é muito importante para ser controlado por apenas uma pessoa. O melhor modelo para o Arsenal sempre incluirá os torcedores sendo representados e envolvidos na estrutura como acionistas. Entendemos a realidade de que qualquer um pode comprar as ações do Arsenal diante de uma proposta aceitável, mas nos opomos a qualquer tentativa de controle total do clube”, declara um manifesto sobre a política da associação, publicado em 2016.

Por mais que o Arsenal se encontre em uma posição um tanto quanto travada, com dois acionistas majoritários que não possuem uma boa relação, o futuro pode ser ainda mais difícil nas mãos de Kroenke. Caso adquira os 30,4% das ações de Usmanov, o americano não precisará mais publicar os balanços do clube e poderá registrar o negócio na sede de sua empresa, em Delaware. Segundo o Guardian, também não existiriam barreiras para que ele usasse os Gunners para alavancar seus acordos particulares, como acontece no Manchester United, com a família Glazer.

Além do russo e do americano, há outro ator no tabuleiro de poderes: um consórcio formado pelos próprios torcedores do Arsenal, composto por empresários locais, que também tenta comprar as ações. O grupo fez três investidas, duas sobre Kroenke e uma sobre Usmanov, mas a falta de abertura do americano (inclusive em ceder espaço na diretoria, se comprassem a parte do russo) impediu qualquer acordo. Dono de Denver Nuggets, Colorado Avalanche e Colorado Rapids, três franquias que estão longe de ser o maior exemplo de sucesso nos EUA, Kroenke quer manter os Gunners em seu leque de negócios. Entretanto, embora possua ações desde 2007, e tenha aumentado sua participação para mais de 60% em 2011, o magnata é considerado ausente do dia a dia do clube e longe de exercer uma liderança ambiciosa em termos de conquistas, como se vê em outros times ingleses.

“Nós somos propriedade de dois indivíduos muito ricos, mas é uma decepção que eles nunca trabalharam juntos ou se olharam nos olhos para fazer o clube avançar. O benefício da riqueza e da experiência poderia ter sido sentido em uníssono, mas o Arsenal não conseguiu ganhar nada com isso”, declarou um porta-voz do consórcio, ao Guardian. “Se Kroenke chegar a 97% das ações, ele pode forçar o Arsenal a se tornar uma companhia completamente privada. Essa é a maior preocupação de todos envolvidos no Arsenal. Neste momento, a transparência poderia ser mínima”.

E o impasse deve se manter até o final do mês, quando as contas do clube serão divulgadas. Os dados podem ser fundamentais para Usmanov tomar a sua decisão. Enquanto isso, os torcedores dos Gunners aguardam uma administração que considere mais os seus interesses como comunidade. Diante da intransigência de Kroenke, não deve acontecer tão cedo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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