Premier League

Rooney fez um pouco mais de história, mas, com um a menos, o City lutou e arrancou o empate

Enquanto vestiu a camisa do Manchester United, Wayne Rooney teve o Manchester City como uma de suas vítimas favoritas. O camisa 10 anotou 11 gols no dérbi, oito deles pela Premier League. Gols inesquecíveis, como a perfeita bicicleta de 2010/11; eletrizantes, como o que abriu o caminho no espetacular triunfo por 4 a 3 em 2009/10; decisivos, como os da fundamental vitória em 2012/13, no último título dos Red Devils. E mesmo depois de deixar Old Trafford, o atacante não abandonou o velho hábito. Marcou seu segundo gol no retorno ao Everton justamente contra os Citizens, em pleno Estádio Etihad. O seu 200° pela Premier League, apenas o segundo a superar a marca, após Alan Shearer. Contudo, a estrela de Rooney e o esforço dos Toffees não foi suficiente para segurar os anfitriões. Com uma pressão absurda no segundo tempo, o City arrancou o empate por 1 a 1.

O jogo que fechava a segunda rodada da Premier League começou marcado pela forte neblina que tomava o gramado em Manchester. Não foi isso, porém, que impediu o Manchester City de ter a iniciativa na partida. O time de Pep Guardiola mantinha a posse de bola e começou empurrando o Everton contra a parede. Por mais que os visitantes tentassem criar, as melhores chances eram dos Citizens. O goleiro Jordan Pickford trabalhava para manter o placar zerado, com Sergio Agüero representando uma das principais ameaças. O argentino perdeu ótima oportunidade aos 32, enquanto serviu David Silva pouco depois, em bola que esbarrou na trave. A infelicidade de um lado foi respondida com o faro de gol de Wayne Rooney do outro.

O gol do Everton aconteceu logo na sequência da partida, aos 34 minutos. Leroy Sané falhou ao tentar evitar um lateral e abriu caminho para o contra-ataque dos Toffees. Dominic Calvert-Lewin fez a jogada na área e passou para Rooney fuzilar. O camisa 10 ainda contou com uma pitada de sorte, ao mandar a bola por entre as pernas do goleiro Ederson, que não conseguiu defender. Mais uma vez, o artilheiro celebrou contra os Citizens. E justamente em uma ocasião tão especial, após já ter deixado o seu na estreia da liga, ante o Stoke City.

A situação do Manchester City ficou um pouco mais delicada antes do intervalo, quando o árbitro resolveu dar o segundo cartão amarelo a Kyle Walker, em lance um tanto quanto exagerado. Com um a mais, o Everton deveria controlar a vantagem com maior facilidade, certo? Não foi o que se viu. Afinal, o time de Pep Guardiola conseguiu ser ainda mais incisivo, mesmo com 10 jogadores. Gabriel Jesus, que pouco apareceu na etapa inicial, saiu para a entrada de Raheem Sterling. Dando mais movimentação a partir do meio-campo, o inglês apareceu muito bem.

Ronald Koeman tentou deixar o Everton com uma formação mais técnica, trocando Tom Davies e Ashley Williams por Gylfi Sigurdsson e Davy Klaassen, mudando o sistema de três para dois zagueiros. Nada que ajudasse na posse de bola ou nos contra-ataques. O Manchester City era quem mandava, ainda mais depois que Danilo e Bernardo Silva saíram do banco. O bombardeio se intensificou a partir dos 25 minutos. Até que o gol saísse aos 37, com Sterling. Após uma bola mal afastada pela zaga, o camisa 7 acertou bonito chute, sem chances de defesa para Pickford. A situação piorou para os Toffees cinco minutos depois, quando Morgan Schneiderlin recebeu o segundo amarelo. Segurar o empate já seria uma vitória aos visitantes nestas condições, e assim aconteceu, apesar do sufoco vivido durante os acréscimos.

O resultado pode não ser dos melhores ao Manchester City, mas acaba satisfazendo diante das circunstâncias. O time jogou bem, e foi curiosamente melhor quando estava em desvantagem numérica. Contornou parcialmente uma situação que poderia ser catastrófica. O Everton, por sua vez, se reafirma como um clube pronto a incomodar nesta temporada. Os Toffees iam segurando o resultado e, mesmo que não tenham sido brilhantes, foram eficientes. Possuem um elenco mais forte do que na temporada passada, apesar da sentida saída de Romelu Lukaku. E, principalmente, têm uma estrela do calibre de Rooney. O camisa 10 não vive mais a sua melhor fase, mas ainda pode ser o cara para fazer a diferença – como já aconteceu no Goodison Park e no Etihad.

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Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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