Premier League

Retorno de Cristiano Ronaldo mexe com o equilíbrio de forças da Premier League, agora ainda mais acirrada

O Manchester City melhorou, mas não tanto quanto se imaginava, e Chelsea e Manchester United se aproximaram - e ainda tem o Liverpool

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Quando a temporada da Premier League começou, duas semanas atrás, o Manchester City pintava como favorito, embora não tão destacado quanto em outras ocasiões e com o potencial de haver uma briga boa pelo título, mas as movimentações de mercado dos últimos dias mexeram com o equilíbrio de forças do Campeonato Inglês, e agora, com o retorno de Cristiano Ronaldo a Old Trafford, a disputa promete ser ainda mais acirrada.

A dianteira do City nas análises e casas de aposta era justificada não apenas pelo presente e pelo passado, mas pelo potencial futuro. Pep Guardiola tinha em mãos o time que tomou a última Premier League de assalto com 15 vitórias consecutivas e chegou à final da Champions League, acelerando a transição entre o bicampeão inglês e a próxima geração.

Entre os jogadores que mais atuaram na última temporada, apenas Fernandinho tinha mais de 30 anos, e nem foi tão utilizado assim. Ilkay Gündogan, Riyad Mahrez e Kevin de Bruyne, com 29, foram os titulares mais velhos e, em seguida, apareceu a turma com 26. Isso indica que aquelas campanhas, tanto a nacional quanto a europeia, não eram o fim do processo, mas o começo.

E essa base que já era muito forte foi reforçada por Jack Grealish, um dos melhores jogadores da Premier League – não apenas fora do Big Six, mas no geral – que se encaixa muito bem no estilo de Pep Guardiola pela sua qualidade de passe, criatividade e capacidade de flutuar por todo o campo.

A cereja no bolo seria a contratação de Harry Kane. O atacante mais prolífico da Inglaterra nos últimos anos daria uma dimensão diferente ao ataque do Manchester City e seria um substituto daqueles para Sergio Agüero, que saiu ao Barcelona ao fim do seu contrato. No entanto, o Tottenham fez jogo duro para negociá-lo. O City não topou o valor pedido pelo presidente dos Spurs, Daniel Levy, e, no começo desta semana, Kane anunciou que por enquanto permanecerá no norte de Londres.

As atenções se voltaram para Cristiano Ronaldo, também sem sucesso, o que deixa o Manchester City, a poucos dias do fim do mercado, privado do atacante que julga necessário desde o fim da última temporada. Ainda pode fazer alguma contratação mais desesperada, talvez até de algum ótimo jogador, mas, a menos que ressuscite o interesse por Erling Haaland (e o Borussia Dortmund não parece propenso a recuar) ou, sei lá, contrate Robert Lewandowski, o salto de qualidade que era esperado com a chegada de Kane ou Ronaldo não se concretizará.

Com ou sem um novo atacante, o City permanece uma grande força da Premier League, provavelmente ainda à frente dos principais adversários pela combinação entre as peças à disposição e o trabalho coletivo de Pep Guardiola, mas Chelsea e Manchester United sem dúvidas estão mais próximos.

O Chelsea havia demonstrado que consegue competir com o Manchester City na final da Champions League. A questão é ter regularidade semana após semana em um campeonato de pontos corridos. Thomas Tuchel tornou o time competitivo quase imediatamente após assumir e arrumou a defesa, mas a inaptidão do ataque custou alguns pontos na reta final da Premier League. Romelu Lukaku retornou a Stamford Bridge para reforçar esse poder de fogo. A estreia foi promissora. Adaptando-se à equipe e com a sequência do ótimo trabalho de Tuchel, tudo indica que o Chelsea será uma das potências desse Campeonato Inglês. Ou seja, melhorou.

O Manchester United já havia feito um mercado forte com as contratações de Jadon Sancho e Raphaël Varane. Um atacante de incontestável qualidade para os lados do campo e um zagueiro imponente para arrumar a defesa. Não precisava realmente de Cristiano Ronaldo, mas, quando surge a oportunidade de contratar um jogador desse calibre, ainda mais com o histórico que ele tem em Old Trafford, você simplesmente contrata e depois ajeita o elenco. Além disso, não apenas o United trouxe um dos melhores da história, mesmo que na reta final da sua carreira e no começo de um declínio físico (leve preocupação diante do ritmo da Premier League), como impediu que o City ficasse com ele. Ganho de um lado, perda do outro.

O United, porém, tem uma variável que os outros candidatos ao título não têm: a dúvida em relação à capacidade de Ole Gunnar Solskjaer. É inegável que o clube avançou nos últimos anos sob o seu comando, mas sempre em meio a dúvidas se ele estava tirando o melhor do que tinha à disposição ou se outro treinador não teria feito mais durante essa necessária reconstrução de elenco. A ausência de algumas peças cruciais era um argumento para defendê-lo, e ele sempre foi capaz de arrancar grandes vitórias quando a vaca parecia estar indo para o brejo. Agora, não tem mais desculpas – já não tinha antes de Ronaldo: precisa brigar a sério pelo título.

Correndo por fora, o Liverpool também apresenta uma incógnita, de natureza diferente. Porque enquanto os adversários contrataram, os Reds se contentaram com a chegada de Ibrahima Konaté, mais uma necessidade urgente de ampliar as opções na defesa do que de fato um reforço. Deve ser muito importante, mas, no geral, o time é o mesmo de sempre, o que nesse caso é a famosa faca de dois gumes.

Por um lado, são os mesmos jogadores que fizeram quase 200 pontos em dois anos, conquistaram a Inglaterra, a Europa e o Mundo com Jürgen Klopp, sem Wijnaldum, mas com Thiago, Konaté e Diogo Jota. Por essa ótica, passada a temporada de ressaca após essas conquistas, sem a presença da torcida nas arquibancadas, e se for evitada uma nova epidemia de lesões, o Liverpool estaria teoricamente mais forte também.

Por outro lado, são os mesmos jogadores alguns anos mais velhos e com menos fome, o que é importante em um time que se elevou coletivamente por meio do que Klopp chamou de “mentalidade de gigantes”. Não está em dúvida se os jogadores serão comprometidos ou não, vão treinar direito ou não, vão correr o tempo todo ou não. Eles vão, mas também precisaram desse impulso psicológico para bater de frente com o Manchester City em duas temporadas da Premier League, superando-o com folga na segunda, e para, por exemplo, virar contra o Barcelona na Champions League.

Não é uma certeza que não o terão. E Klopp pode também buscar algum arranjo coletivo para minimizar essa necessidade. Mas é uma dúvida plausível para esta campanha que acabou de começar, e até a posição de segundo melhor time da Inglaterra, na qual esteve confortavelmente em tempos recentes, fica ameaçada pelo fato de que Chelsea e Manchester Untied estão mais fortes. O Liverpool claramente aposta que este grupo tem capacidade para a acompanhar o ritmo do pelotão de frente da Premier League porque se concentrou em renovar contratos de seus principais jogadores em vez de atacar o mercado com mais agressividade.

O Manchester City ainda é o campeão inglês, ainda tem o melhor treinador do mundo e se reforçou em relação à temporada passada, mas não deu o salto maior que se esperava, enquanto Chelsea e Manchester United diminuíram a distância com os reforços que contrataram, e o Liverpool, caso prove que ainda tem lenha para queimar, segue em posse de um dos melhores times da história recente da Inglaterra.

O mercado ainda está aberto, e este tem sido especialmente maluco. Lesões e fatores imprevisíveis sempre precisam entrar na conta, mas, neste momento, esse é o panorama para a próxima Premier League. E é um panorama dos mais empolgantes.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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