Rebaixamento do Southampton vinha se desenhando há alguns anos e agora clube precisa tomar decisões difíceis
Depois de algumas temporadas ameaçados do rebaixamento, Southampton caiu com sobras em 2022/23 e precisará de um processo de reconstrução na segunda divisão
O fim de temporada do Southampton é de uma imensa tristeza. O time perdeu em casa para o Fulham, neste sábado, por 2 a 0, e foi rebaixado da Premier League. O time precisava vencer para manter as chances de não cair, mas gols de Carlos Vinícius e Aleksandar Mitrovic decretaram a derrota e o descenso do clube do sul da Inglaterra. Mais do que isso, os donos anunciaram que deixarão o clube, porque é preciso ter “melhora significativa”, o que implica decisões difíceis, desde o técnico até os jogadores.
O rebaixamento faz com que o Southampton encerre uma passagem de 11 anos pela primeira divisão. O clube subiu da Championship em 2011/12, emendando dois acessos, já que tinha subido também da Ligue One na temporada anterior. Desde então, teve ótimos resultados, como terminar em oitavo lugar (duas vezes), sétimo e até sexto, sua melhor posição, na temporada 2015/16.
Teve Mauricio Pochettino como técnico de meados da temporada 2012/13 até 2013/14, quando o argentino foi contratado pelo Tottenham. Depois, teve Ronald Koeman repetindo o sucesso. Só que o time passou a flertar com o rebaixamento já na temporada 2017/18, quando terminou em 17º. Ficou em 16º na temporada seguinte e conseguiu uma temporada de alício em 2019/20 quando ficou em 11º. Voltou a ficar ameaçado nas duas temporadas seguintes, 2020/21 e 2021/22, terminando em 15º.
Com 24 pontos em 36 jogos, o Southampton está a oito do primeiro time fora da zona do rebaixamento. Como são apenas seis pontos em disputa, o clube está rebaixado. Não é uma surpresa. Os Saints parecem condenados há algum tempo e só um milagre de grandes proporções seria capaz de salvar o clube do descenso.
Depois de alguns anos, nesta temporada, outra vez ameaçado, o clube demitiu Ralph Gasenhüttl em novembro. Foram 173 jogos do técnico alemão no cargo. Nathan Jones assumiu, inicialmente de forma interina, depois efetivado, e acabou durando só 14 jogos no comando, ou 94 dias. Foi de novembro de 2022 a fevereiro de 2023. Rubén Sellés assumiu, também interinamente a princípio e efetivado em seguida. Comandou 15 jogos (mais um entre a saída de Hasenhüttl até Nathan Jones assumir).
“Hoje é um dia decepcionante para todo mundo associado ao Southampton Football Club. Lutamos incansavelmente como clube ao longo da temporada, mas a Premier League é a liga mais competitiva do mundo e nossos resultados não foram bons o suficiente para continuarmos aqui”, diz comunicado divulgado pelos donos do clube, a empresa Sport Republic. “Entendemos que uma melhora significativa é necessária e ao final da temporada anunciaremos nossos próximos passos imediatos para detalhar como o clube irá operar para seguir adiante”.
“O que eu sei com certeza é que com muitas mudanças, você não tem tempo de construir um relacionamento e confiança. E isso foi uma das situações chaves desta temporada, não fomos capazes de construir essas relações. E quando mostramos que podemos construir isso, não fomos constantes”, afirmou Rubén Sellés, o técnico do time.
“Quando tivemos as chances depois do jogo contra o Chelsea, ou depois dos primeiros jogos que tivemos juntos, queríamos aproveitar, levar adiante e subir ao próximo nível. E não fizemos isso. Então, certamente, a mudança não é sempre a melhor quando você quer construir um ambiente de alto desempenho”, continuou Sellés.
Como acontece com todo clube rebaixado, seus jogadores estarão na vitrine. Se rebaixado da Premier League é uma queda brutal em termos de receitas e, por mais que hajam os polêmicos pagamentos paraquedas, que amenizam esse impacto, o time ainda precisará cortar gastos para se adequar à segunda divisão. E por vezes isso significa uma certa liquidação nos seus melhores jogadores. Decidir quais jogadores vender e quais manter para formar uma base sólida na segunda divisão é sempre uma decisão difícil. Assim como escolher quem será o técnico para comandar esse processo.
Há bons jogadores no Southampton e a reconstrução que o time precisará pode ter que significar vender alguns deles, que são destaques, para times da Premier League. Nomes como o zagueiro alemão Armel Bella-Kotchap, por exemplo, tiveram bons momentos e, com 21 anos, deve chamar a atenção no mercado. O capitão James Ward-Prowse é outro que, aos 28 anos, deve receber propostas de times da Premier League. Há ainda jogadores como Carlos Alcaraz, argentino de 20 anos, e o atacante Mislav Orsic, de boa Copa do Mundo, de 30, que podem ser tentados a deixarem o clube.
Sellés só tem contrato com o Southampton até o dia 30 de junho, mas o espanhol já deixou claro que quer continuar no clube “pelos próximos 10 anos”. Entre os próximos passos que devem ser anunciados pelos donos, está o futuro do técnico. O Southampton fecha a temporada 2022/23 com um jogo fora de casa contra o Brighton, no dia 21, e depois contra o Liverpool, no dia 28, em casa.



