Mesmo terminando 33 pontos atrás do na temporada passada e com o próprio técnico, Ole Gunnar Solskjaer, afirmando que um segundo lugar seria um avanço, já que representaria não só uma melhora na tabela em relação à temporada passada, mas também uma continuidade no G4, Marcus Rashford garante que não basta ao Manchester United diminuir a distância para o campeão Liverpool. Seus objetivos são mais audaciosos: vencer a Premier League.

Em entrevista ao jornal Telegraph, Rashford, talvez impulsionado pelo bom momento e a liderança do United na liga, afirmou que o segundo ou o terceiro lugar não será o bastante para considerar a temporada 2020/21 um sucesso aos Red Devils.

“Será uma boa sensação se conseguirmos ganhar a liga. Se terminarmos em segundo ou terceiro lugar, não será uma boa temporada para nós, não será o que determinamos que tentaríamos fazer no início do ano. Queremos vencer troféus. Ainda estamos na FA Cup, temos a Premier League, então precisamos tentar vencer as duas e fazer o nosso melhor para seguir melhorando. O objetivo principal é vencer troféus, como sempre foi neste clube”, disse o atacante.

Com três pontos a mais que o segundo colocado Liverpool, o United vai até o Anfield enfrentar os Reds em um confronto dificílimo, já que ninguém bate os comandados de Jürgen Klopp em sua casa na Premier League desde abril de 2017. Apesar do histórico assustador, Rashford acredita na vitória, ainda que para isso estime que os Red Devils precisam de seu melhor desempenho.

“Eles (Liverpool) são difíceis de se bater em casa. Para que possamos derrotá-los, precisaremos estar em nosso melhor, simples assim.”

Pela temporada 2017/18, em março de 2018, Rashford foi o herói de uma vitória por 2 a 1 do United sobre o Liverpool no Old Trafford, marcando dois gols em 24 minutos de jogo, mas esteve perto de colocar tudo a perder ao cometer uma falta dura em James Milner que poderia ter acabado em expulsão. Para sua sorte, levou apenas o amarelo, e os Red Devils seguraram o resultado. Daquele episódio, o atacante carrega consigo uma lição e um alerta: clássicos como esse exigem muita calma e atenção.

“É preciso estar calmo, é muito importante fazer isso, porque você pode ser expulso antes mesmo de perceber. Em 2018, eu estava muito investido emocionalmente no jogo, fiz uma falta e tive sorte de que foi no James Milner. Ele não costuma rolar no chão. Simplesmente se levantou. Foi só um cartão amarelo, mas em outro dia poderia ter sido vermelho. São momentos dos quais você precisa aprender, e tive os jogadores certos ao meu redor, que me fizeram seguir em frente e jogar.”

Olhando ao redor no vestiário, Rashford vê um em crescimento, com olhar destacado a um elemento em especial: liderança. Para o atacante, as situações vividas pela equipe em 2020 fizeram desabrochar diferentes líderes no grupo.

“Acho que a liderança sempre existiu no grupo, mas neste ano ela teve que aparecer porque já vivemos coisas que não queríamos que acontecessem: ser eliminado da Champion League, perder a semifinal da Liga Europa… Há coisas que aconteceram que, se você não se apresenta e assume o papel de líder, alguém para quem o elenco pode olhar em momentos difíceis, então elas acontecerão novamente. (…) Estamos mais preparados agora do que há dois anos, em termos de líderes dentro do campo, e estamos prontos para lutar por troféus, mas ainda precisamos conseguir esses troféus”, avaliou.

O United vem de um bom ano de 2020 na liga, em que foi a equipe que mais conquistou pontos desde a chegada de Bruno Fernandes em fevereiro, e o setor ofensivo é o de maior destaque na equipe comandada por Solskjaer. A variedade de opções para o ataque, para Rashford, dá ao treinador diversas opções de estratégia e posicionamento. Mesmo assim, o atacante destaca que este é apenas o início, com o ataque tendo potencial para muito mais.

“Hoje somos mais perigosos, podemos marcar a qualquer momento. Mas podemos fazer muito melhor. Acredito que estamos apenas no começo de algo que, lá na frente, pode ser uma conexão incrível. Na linha de ataque que temos no momento, em geral, podemos jogar de várias maneiras diferentes, em diferentes posições, com diferentes pessoas. Podemos ser muito fortes, e para nós isso é essencial, porque, se quisermos vencer troféus e ligas, precisamos de versatilidade.”

Esta versatilidade, segundo ele, se expande para todo o elenco, com o jogador vendo sua equipe lá no topo no quesito. Mais uma vez, no entanto, Rashford prefere adotar cautela e lembrar do desafio de continuar se aprimorando.

“Acredito que temos um dos elencos mais versáteis da Premier League, especialmente lá na frente. É empolgante, mas é apenas o começo de algo. Queremos seguir melhorando e progredindo”, projetou.