Premier League

Maguire e Rashford cobram ação de redes sociais após Pogba virar mais recente vítima de racismo no Twitter

Em um intervalo de menos de uma semana, três jogadores do futebol inglês foram vítimas de ataques racistas nas redes sociais por causa de pênaltis perdidos. O caso mais recente envolveu Paul Pogba, nesta segunda-feira (19), após o francês perder uma penalidade máxima na partida do Manchester United contra o Wolverhampton, que acabou em 1 a 1.

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Os times já empatavam com um gol para cada lado quando Paul Pogba iniciou e terminou a jogada que acabou em pênalti para o time de Manchester. O próprio Pogba pediu para bater, mas parou em boa defesa do goleiro Rui Patrício. Após o pênalti desperdiçado, o francês foi alvo de ataques racistas especialmente no Twitter. Mais tarde, algumas das mensagens foram deletadas, com certas contas também sendo derrubadas, segundo a BBC.

Pogba é apenas a vítima mais recente de uma onda de racismo online que, desde a quarta-feira passada (14), já visou três jogadores. O primeiro caso veio com torcedores do Chelsea direcionando insultos racistas a Tammy Abraham, atacante do clube que desperdiçou pênalti contra o Liverpool na Supercopa da Europa, vencida pelos Reds.

Já no domingo (18), pela Championship, a segunda divisão inglesa, o Reading vencia o Cardiff por 3 a 0 quando, aos 46 do segundo tempo, Yakou Méïté perdeu uma cobrança que ampliaria a goleada. Mesmo a vitória garantida por boa margem não impediu que alguns torcedores enviassem mensagens racistas ao atacante.

Após os tuítes direcionados a Pogba, alguns de seus companheiros saíram em defesa do camisa 6 e cobraram um combate maior do Twitter a esse tipo de abuso. Rashford escreveu que “já basta, isso tem que parar”. “O Manchester United é uma família, Paul Pogba é uma parte enorme dessa família. Se você o ataca, ataca a todos nós”, completou.

Maguire foi ainda mais enfático. “Nojento. As redes sociais precisam fazer algo… Toda conta que é aberta deveria ser verificada com um passaporte/carteira de motorista. Impeçam esses trolls patéticos de criar inúmeras contas para insultar as pessoas”, sugeriu o zagueiro recém-chegado ao clube.

O Manchester United também se posicionou oficialmente, condenando o incidente e afirmando que os indivíduos que perpetraram os ataques “não representam os valores de nosso grande clube”, além de comemorar que a “vasta maioria dos nossos torcedores também condena isso nas redes sociais”. O clube afirmou que buscará identificar os autores dos ataques para “tomar a medida mais forte possível”, além de pedir que as redes sociais ajam para impedir mais incidentes do tipo.

Na semana passada, após os ataques a Tammy Abraham, a Kick It Out também exigiu maior rigor e novas medidas das redes sociais, em especial o Twitter, para mitigar o problema crescente. Para a organização antirracismo no futebol, o número de publicações do tipo desde o começo da temporada apenas reforça “o quão fora de controle está o abuso discriminatório online”.

Um relatório publicado pela Kick It Out no mês passado observou um aumento de 43% em ataques racistas nas redes na temporada passada, com 274 casos, em comparação com 192 na temporada anterior.

Com organização, clube e jogadores pedindo ação das redes sociais e esse movimento ganhando ímpeto, a esperança é de que essas empresas enfim tomem medidas mais contundentes ao tratar o problema – expectativa que se arrefece quando nos damos conta de que há anos elas vêm divulgando comunicados sobre como supostamente estão avançando no combate a comportamentos discriminatórios em suas plataformas.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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