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Patrick Vieira defende sistema de cotas para técnicos negros na Premier League como existe na NFL

Técnico do Crystal Palace, Patrick Vieira é o único técnico negro na Premier League e acredita que sistema que obriga clubes a entrevistarem minorias pode ajudar

O técnico Patrick Vieira, do Crystal Palace, acredita que talvez seja necessário que a Premier League adote uma regra similar ao que acontece na NFL com a chamada “Rooney Rule”, ou regra Rooney, que obriga os donos e executivos a entrevistarem minorias antes de contratar seus técnicos. O francês, ex-jogador que teve sucesso atuando pelo Arsenal e Manchester City, é um dos raros técnicos negros na Inglaterra e diz que o futebol faz pouco para acompanhar as mudanças na sociedade.

A Premier League tem 43% dos jogadores negros, mas essa porcentagem não se reflete nem de longe quando falamos de técnicos. Apenas 4% dos técnicos da Premier League e EFL (que administra a segunda, terceira e quarta divisões) são negros. Uma diferença brutal e que, por vezes é justificada com argumentos que Vieira descreve como “desculpas”.

“Olhando para o número de minorias ou jogadores negros que temos e vendo o quão poucos continuam no jogo, é difícil de entender”, afirmou Vieira, falando no evento Football Times Business of Football.

“Isso [uma cota] ajudou a NFL e os esportes americanos a avançarem. Há mais técnicos negros na NBA e NFL, mas não acredito particularmente que é a resposta certa. Você pode tomar a decisão baseado no que você quer como qualidade no seu clube para um treinador”.

“Mas se isso pode fazer as coisas avançarem, então talvez seja o primeiro passo que podemos tomar. No longo prazo, espero que os donos tomem decisões baseado no que o técnico pode fazer pelo clube”, continuou o treinador. “Ouvi tantas desculpas, como que ex-jogadores não querem tirar suas licenças, mas não é verdade. Eles estão esperando por uma oportunidade para fazer o que eles querem, mas a porta não está aberta”.

Para o ex-jogador do Arsenal, o futebol tem sido “muito lento” para reagir às mudanças na sociedade. Vieira acredita que todos envolvidos têm uma responsabilidade de agir para mudar isso”. “Acredito que eles [órgãos governamentais, donos e CEOs) têm a responsabilidade para criar essas oportunidades e abrir portas parta todo mundo que sonha e está preparado para trabalhar duro em um clube. Não se trata apenas de ser técnico, mas diretor esportivo, como uma pessoa preta pode se tornar CEO”, afirmou. “Há pessoas batendo na porta, o que esperamos e queremos é que a porta esteja aberta, ter uma entrevista adequada e que tenha chance de conseguir esses cargos”.

A chamada Rooney Rule foi implantada na NFL em 2003, há 20 anos, e passou a obrigar que os donos e executivos entrevistem minorias antes de contratar os técnicos e diretores esportivos das franquias. Atualmente, a regra vai até além: além de entrevistar minorias, ao menos um membro da comissão técnica ofensiva tem que ser ou de uma minoria étnica ou uma mulher.

Na NBA não há uma regra similar, embora haja pedidos para que ela exista. A situação, porém, é muito diferente da NFL ou de outras ligas: metade das 30 franquias da NBA tinham técnicos negros. A NFL melhorou sua situação com a introdução da regra, passando de 6% para 22% de técnicos negros em três temporada. Em 2022, eram seis técnicos negros entre 32 franquias, em meio a questionamentos sobre infrações da regra. As franquias que não cumprem a regra podem receber multa de US$ 200 mil ou perderem escolhas de draft. Até hoje, só uma franquia foi punida, o Detroit Lions, no início da regra, em 2003.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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