Premier League

Patrick Stewart esbanja admiração por David Wagner: “Gostaria que fosse meu diretor”

Nas arquibancadas de Wembley, entre milhares de torcedores do Huddersfield, havia um rosto conhecido para quem tem o hábito de assistir a filmes e séries. O professor Charles Xavier estava nervoso com a tensa final dos playoffs da segunda divisão. O capitão Jean-Luc Picard vibrou com cada lance. Sir Patrick Stewart comemorou o acesso na melhor temporada dos seus 70 anos de paixão pelos Terriers.

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Foi isso que ele disse, em entrevista à Sky Sports, antes do jogo decisivo contra o Reading, que definiu o acesso do primeiro tricampeão inglês da história para a primeira divisão, após 45 anos de limbo. Simpático, abriu seu coração sobre sua torcida pelo Huddersfield e, principalmente, pela sua admiração pelo técnico David Wagner, um homem que, segundo Stewart, poderia até mesmo ser diretor de um dos filmes em que ele participa.

“Deixa eu dizer por que eu acho que David Wagner é o tipo de homem que eu gostaria que me dirigisse”, afirmou. “Ele é cuidadoso, ele se prepara e ele sabe o que significa uma partida. O equivalente na direção seria saber o que significa uma peça. Ele sabe o que quer alcançar e prepara seus jogadores como um diretor prepara um elenco para o que vão fazer. Mas, como os melhores de todos, quando chega o momento da performance, ele libera seus jogadores e é isso que grandes diretores fazem. ‘Esqueça tudo o que eu disse, tudo que eu fiz, apenas vá lá e se divirta’. Pode ser que ele não diga exatamente isso, mas eu já vi grandes produções de palco em que eu pensei ‘esses atores sabem o que estão fazendo, mas também estão livres’.”

Patrick Stewart coloca muitos méritos em Wagner pela temporada do Huddersfield. Segundo ele, foi crucial impedir que o técnico fosse ser assistente de Jürgen Klopp no Liverpool, como era no Borussia Dortmund, e que o seu impacto no time foi instantâneo. Todos os torcedores dos Terriers, afirma, viram essa influência crescer cada vez mais, apesar de um fim de campeonato um pouco claudicante, no qual houve apenas uma vitória em cinco rodadas.

“David terminou a temporada 2015/16, mas, no primeiro jogo de 2016/17, sabíamos que estávamos prestes a ver algo diferente e especial”, disse. “Um estilo de futebol que nunca havia visto o Huddersfield jogar. Muito dele foi baseado em uma condição física suprema. Eu nunca vi um dos nossos times com tanta energia e resistência quanto esses caras. É extraordinário. David tem um plano. Ele não me contou qual é, eu passei apenas 12 ou 15 minutos com ele e estava muito intimidado para perguntar qual era esse plano, mas há um plano”.

Maravilhoso mundo do futebol em que um ator famoso, com 50 anos de televisão e cinema, fica intimidado diante de um técnico em início de carreira. “Eu adoro ver suas atitudes durante o jogo. Ele não grita muito, a não ser que vençamos. Ele é calmo e cuidadoso. Ele fica na linha lateral, na área técnica, e você consegue ver que ele está pensando e planejando, e isso passa muita confiança”, acrescentou.

O primeiro jogo de Stewart foi quando ele tinha sete anos, pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Foi acompanhado do seu tio Arnold e ficou em pé nas arquibancadas do antigo Leeds Road. “Eu vi fotografias e parece que mulheres não iam a jogos de futebol. Era um monte de homem fumando cigarros, com chapéus. Eu nunca havia visto uma partida de futebol antes. Eu havia chutado algumas bolas, mas há algo sobre estar no estádio que eu nunca havia experimentado. Eu ainda tenho a mesma emoção sempre que subo os degraus de um estádio, não importa onde seja. Sou torcedor há 70 anos. Não há comparação entre esta temporada e qualquer outra que eu tenha visto do Huddersfield, ao vivo ou pela TV”, disse.

 

O ator conta que sofreu bastante durante a semifinal do playoff da Championship, contra o Sheffield Wednesday, decidida nos pênaltis. Lembrou da última vez em que o destino do Huddersfield foi definido a partir da marca do cal: contra o Sheffield United, em Wembley, pela decisão do playoff da terceira divisão, em 2011/12, quando os 11 jogadores de cada lado bateram pênaltis. Stewart foi apenas ao primeiro jogo, em casa, e assistiu ao segundo pela televisão. Mas não estava vendo ao vivo.

“Eu assisti à segunda partida pela televisão e pelo menos eu tinha álcool para me ajudar a passar por isso. Foi extraordinário. Meu instinto dizia que iríamos para a prorrogação, o que aconteceu, mais meia hora de tensão, e então fomos à disputa de pênaltis. Temos um bom retrospecto nos pênaltis e estava confiante, mas, pouco antes de começar, meu celular vibrou. Eu não estava vendo o jogo ao vivo e eu vi uma mensagem do meu filho dizendo ‘você ganhou, parabéns’. Oh, dear… Então eu vi a disputa de pênaltis sabendo que ia dar tudo certo, o que não é uma maneira ruim de fazer isso. Evita muito estresse”, disse.

Agora, Stewart, natural de Mirfield, cidade de West Yorkshire, mesmo condado de Huddersfield, mal pode esperar para receber equipes da Premier League na cidade. “Terá um impacto extraordinário. Huddersfield é um grande lugar. Adoro a cidade. Foi o primeiro lugar onde eu vi teatro profissional. Aqui um detalhe: sou chanceler emérito da Universidade de Huddersfield, e o vice-chanceler me disse apenas alguns dias atrás que o acesso à Premier League terá um grande impacto para a universidade porque será uma universidade da Premier League, a cidade vai ser mais atraente, particularmente para estudantes de outros países e do Extremo Oriente”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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