Premier League

Palmer, o presente e futuro do Chelsea, forjou virada histórica diante do United

Em jogo insano e recheado de reviravoltas, Chelsea mostra resiliência e derrota Manchester United no apagar das luzes em Stamford Bridge

Os números comprovam a dificuldade histórica que o Chelsea tem quando enfrenta o Manchester United. Nesta quinta-feira (4), os Blues receberam os Red Devils, em Stamford Bridge, com a missão de encerrar um jejum de sete jogos sem vitória diante do rival. E em um roteiro histórico e arrebatador, conseguiram. Com direito a hat-trick de Cole Palmer e gol salvador no apagar das luzes, os donos da casa buscaram uma virada insana e venceram a equipe de Erik Ten Hag por 4 a 3.

O triunfo dá moral ao Chelsea, que chega a 43 pontos na Premier League, ultrapassa o Wolverhampton e reassume o 10º lugar. Já o Manchester United segue estacionado na sexta colocação, com 48.

Chelsea abre 2 a 0 de cara, mas erra em lances capitais e permite reação do Manchester United

Trocação intensa e ritmo acelerado. Assim foi o começo de Chelsea x Manchester United em Londres. Pressionados em virtude das fracas campanhas na Premier League, os dois times partiram para cima e deixaram claro desde o pontapé inicial que só a vitória interessava. E em um dos primeiros ataques do jogo, os Blues inauguraram o marcador. Kobbie Mainoo errou no meio-campo, Cole Palmer retomou a posse e acionou Malo Gusto no corredor direito. O promissor lateral francês levantou a cabeça, cruzou rasteiro e encontrou Gallagher que, de primeira, venceu Onana.

O ‘lá e cá’ continuou após o Chelsea abrir o placar. Os ataques se sobressaíam sobre as defesas e a sensação era de que tudo podia acontecer: tanto mais um gol dos Blues quanto o empate do United. Dito e feito… Com 17′ no relógio, Antony calçou Cucurella dentro da área e o árbitro não titubeou em apontar para marca da cal. Pênalti. Palmer, sempre ele, deslocou Onana e aumentou a contagem. A temporada do camisa 20 do Chelsea é algo assustador. São 17 tentos marcados e 12 assistências concedidas em 36 jogos desde que desembarcou em Stamford Bridge. Impacto imediato de um cara que tem tudo para se tornar ídolo do clube londrino.

Quando tudo parecia se encaminhar para uma vitória tranquila do Chelsea no 1º tempo, Moisés Caicedo, jogador mais caro da história da Premier League, recolocou o Manchester United na partida. O volante equatoriano dos Blues protagonizou um recuo de bola bizarro e entregou nos pés de Garnacho, que ganhou em velocidade de Badiashile e tocou na saída de Petrović. A partir daí, a configuração do jogo mudou completamente. A equipe de Erik Ten Hag aproveitou o bom momento, aumentou o volume ofensivo e contou com a ajuda de um trágico sistema defensivo adversário para empatar. Nas costas de Badiashile, Bruno Fernandes recebeu cruzamento preciso de Dalot e testou consciente. 2 a 2 e 45 minutos insanos.

Com assistência de Antony, Garnacho coloca United em vantagem

Embalado após resgatar um improvável empate no 1º tempo, o Manchester United tomou a iniciativa na etapa complementar e agrediu incessantemente o Chelsea, que demorou até acordar para o jogo. Quando os Blues enfim conseguiram igualar as ações, a intensa trocação, antes vista nos 45′ iniciais, se fez presente novamente. Ataques rápidos, defesas desguarnecidas e goleiros sendo exigidos a todo instante. Premier League na mais pura essência.

A temporada do Chelsea é frustrante, muito por conta do número excessivo de erros individuais de seus jogadores. Se Caicedo entregou a paçoca na etapa inicial, no 2º tempo foi a vez de Badiashile. O zagueiro francês falhou feito no meio-campo e permitiu o contra-ataque do United. Melhor jogador dos Red Devils na partida, Antony recebeu em velocidade no lado direito e deixou Garnacho na cara do gol com passe por elevação. Esperto, o jovem argentino notou a saída precipitada de Petrović e deu toque sutil de cabeça para virar o duelo.

Cole Palmer, o presente e futuro do Chelsea, fez chover em Stamford Bridge

Mesmo frustrado por levar a virada, o Chelsea não tinha outra alternativa a não ser partir para cima e buscar, ao menos, somar um ponto. E pasmem, os Blues conseguiram mais do que isso. Tardiamente, Pochettino mexeu na equipe e aumentou o poderio ofensivo dos donos da casa que, martelaram, martelaram e arrancaram o empate nos acréscimos. Madueke, que havia acabado de entrar, foi derrubado por Dalot dentro da área e o árbitro marcou o pênalti. Palmer, de novo, tirou Onana da foto e deixou tudo igual.

Todavia, o melhor ainda estava por vir. A estrela de Cole Palmer é algo que precisa ser estudado. Sempre na hora certa e lugar certo, o jovem inglês se aproveitou da desatenção da defesa do United em escanteio, recebeu passe de Enzo Fernández na área e disparou um petardo. A bola desviou em McTominay, matou Onana e morreu lá dentro. 4 a 3. Vitória maiúscula e histórica de um Chelsea que, apesar de todas as falhas, mostrou resiliência e não desistiu um só instante.

Chelsea e United ainda podem se encontrar na Copa da Inglaterra

Apesar de Chelsea e Manchester United decepcionarem na Premier League, ambos os clubes seguem vivos na Copa da Inglaterra, que se encontra na fase de semifinal. Os Blues enfrentam o Manchester City, enquanto os Red Devils medem forças com o modesto Coventry City, da 2ª divisão inglesa. Caso avancem, Chelsea e United se enfrentarão na grande decisão do torneio mais antigo do futebol.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme Calvano

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.
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