Premier League

O destemido Luis Díaz saiu do banco para ser a faísca que o motor do Liverpool precisava para pegar no tranco

Após um primeiro tempo horrível em que viu sua vantagem desaparecer, o Liverpool reagiu e virou o jogo contra o Villarreal para chegar à final da Champions League

Quando o Liverpool contratou Luis Díaz em janeiro, a ideia era principalmente preparar o futuro com um atacante nos moldes de Salah e Mané, alguns anos mais jovem. Era difícil imaginar que teria um impacto imediato tão grande que se tornaria titular, e mais do que isso, seria decisivo à classificação dos Reds à sua décima final de Champions League ao sair do banco de reservas e ajudar a tirar o seu time de uma situação crítica nesta terça-feira contra o Villarreal.

O Liverpool foi sufocado pela pressão do Villarreal, em campo e nas arquibancadas, no primeiro tempo, como havia feito contra os espanhóis no primeiro jogo em Anfield. A vantagem de dois gols evaporou nos 45 minutos iniciais. Pior ainda, os ingleses pareciam perdidos, errando em todos os setores. Defesa frágil, pressão frágil, errando passes no ataque, assustados, nervosos.

Além de fazer ajustes coletivos (e provavelmente dar uma bronca daquelas), Klopp também decidiu introduzir Díaz no intervalo no lugar de Diogo Jota. A formação com os três atacantes mais dinâmicos, com Mané deslocado ao centro, é a mais utilizada pelo alemão desde que o colombiano deixou claro que precisa ser titular. A tentativa com o português, mais finalizador, mais presença de área, não havia funcionado.

Tudo melhorou depois do intervalo para o Liverpool. O Villarreal não conseguiu dar uma finalização, e não dá para dizer que Díaz sozinho foi responsável por isso também, mas ele contribuiu bastante principalmente em termos de postura. Destemido partindo da esquerda para a direita, buscando a finalização, prendendo a bola no ataque. A faísca que o motor do Liverpool precisava para pegar no tranco e virar a partida no segundo tempo.

Impressiona a rapidez com que Díaz se adaptou ao Liverpool. Estreou em um jogo de Copa da Inglaterra contra o Cardiff em fevereiro, saindo bem do banco, e em poucas partidas mostrou que merecia mais minutos. O ex-jogador do Porto foi titular contra o velho conhecido Benfica nas quartas de final e em oito das dez rodadas de Premier League que disputou. Cabeceou entre as pernas de Géronimo Rulli para empatar o jogo contra o Villarreal, em cruzamento de Trent Alexander-Arnold, e marcou seu quinto gol pelos Reds.

Durante muito tempo, parecia impossível quebrar o histórico trio de ataque com Mané, Salah e Firmino. Era até difícil contratar atacantes para a rotação diante da percepção de que qualquer um teria pouco espaço. A queda de rendimento do brasileiro abriu a porta, primeiro para Diogo Jota, que também aparece à frente neste momento. Mas Díaz passou por ela com tanta autoridade que até tranquiliza o clube em relação ao futuro.

Os contratos de Mané e Salah terminaram em junho de 2023. As negociações estão em andamento, sem garantia de que terão um final feliz aos dois lados. De qualquer maneira, rondam a casa dos 30 anos. Mesmo sem sinais de uma queda brusca de rendimento se aproximando, é sempre salutar injetar sangue novo, e Luis Díaz, em pouquíssimo tempo, já está mostrando que tem tudo para assumir essa tocha, se um dia ela for mesmo passada adiante.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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