Premier League

O Aston Villa apresentou as duas opções finais para seu novo escudo e o mais legal é a forma como o clube ouviu a torcida

O Aston Villa realizou um detalhado processo de consulta entre os torcedores e abriu para votação a escolha final

Há alguns meses, o Aston Villa anunciou que iria atualizar a identidade visual do clube e adotar um novo escudo. A promessa era de não realizar uma grande ruptura, e isso se nota no anúncio dos emblemas “finalistas”, para uma votação. Os Villans apresentaram dois modelos, que não fogem do padrão do clube, por mais que redefinam detalhes e formatos. A ideia é fazer uma eleição entre sócios e donos de carnês de temporada até a próxima semana, para se escolher definitivamente o ganhador.

O Aston Villa realizou um longo processo para ouvir ao máximo os torcedores sobre a mudança. Mais de 12 mil pessoas enviaram suas opiniões, assim como foram consultados grupos de torcida. Desta maneira, não haveria grande quebra de tradição e da própria identidade imaginada pelos fanáticos. Na pesquisa de opinião, 93,5% dos torcedores se mostraram abertos a uma mudança e, mais surpreendente, 76% disseram que o atual escudo não representa o clube tão bem quanto poderia. O excesso de amarelo causa incômodo.

“Repaginar o escudo do clube não é um processo que iniciamos de maneira leviana. Reconhecemos que qualquer mudança feita hoje terá um impacto excepcionalmente duradouro. É por isso que acreditamos firmemente que é direito de nossos torcedores terem voz no processo e ajudarem a decidir qual deve ser o nosso escudo futuro – para a próxima temporada, para nosso aniversário de 150 anos e para muitos anos além disso”, escreveu o Aston Villa.

O leão que simboliza os Villans continua presente, assim como o nome “Aston Villa” escrito no emblema. Os torcedores também não se incomodariam de uma mudança no formato do escudo, o que aconteceu outras vezes. Por outro lado, a maioria não abre mão da presença da estrela que representa o título da Champions. Já o amarelo seria reduzido, com mais importância ao grená e ao celeste do uniforme.

Entre as duas opções finais, um dos escudos é hexagonal, inspirado no formato de lamparinas que representam o passado. Traz o nome do Aston Villa em amarelo, mas predomina o grená com detalhes celestes. O leão foi redesenhado com mais traços, que dão uma noção até mais agressiva e resgatam o primeiro desenho utilizado pelo clube no Século XIX. Já o outro design é de um escudo redondo, como o usado nos anos 1980, época da conquista da Champions. Há um círculo celeste dentro do grená, com o leão em grená. A inscrição “Aston Villa” segue presente, bem como o ano de fundação.

Ao longo de sua história, o Aston Villa passou por sete grandes mudanças em seu escudo. O leão é o elemento em comum que se repete em quase todos, inclusive usado solitariamente nos primeiros anos de história – foi uma escolha de William McGregor, presidente histórico do clube e fundador do Campeonato Inglês, que nasceu na Escócia e fez uma referência à sua nação. O escudo em formato pentagonal, como o atual, foi adotado nos anos 1970 e voltou a ser utilizado desde os anos 1990. Até 2007 ele trazia as listras com as cores do clube ao fundo, antes do modelo atual de fundo apenas celeste. Já o formato redondo do emblema seria vigente entre os anos 1970 e 1980, célebre exatamente pelas conquistas importantes do período.

Comparando com o que o Aston Villa já carregou no peito, nenhum dos novos escudos representa uma quebra. Pelo contrário, como queriam os torcedores, parecem mais fiéis à própria história do clube que o emblema atual. O que o Villa fez nessa mudança, em termos de democracia e compromisso com a identidade, é exemplar. Deveria ser um tipo de abertura seguido por mais equipes. Mudanças na identidade visual dentro do futebol são muito comuns, mas nem sempre agradam. A chance de acerto se torna maior quando se entende quem realmente constrói essa história – a torcida.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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