Newcastle sonha com vitória contra o Manchester City, mas leva empate relâmpago
Magia de Kevin de Bruyne decidiu mais um jogo para o City, que escapou da derrota na genialidade do belga
Só olhar para o placar de Newcastle x Manchester City já dá uma boa ideia do tamanho do jogaço que fechou este domingo (21) na Premier League. O empate em 3 a 3, no entanto, conta mais boas histórias do que parece, não só pelo tropeço dos atuais campeões ingleses.
Quem gosta de uma boa reviravolta, certamente ficou preso ao sofá enquanto acompanhava o partidaço no St. James’s Park. O City de Pep Guardiola começou intenso, como se esperava, e abriu o placar aos cinco minutos com Ilkay Gündogan, aproveitando passe de Bernardo Silva. O problema para Guardiola é que, apesar da chance de passar o carro se manifestar, o Newcastle resolveu bater de frente e reagir.
O trabalho de Eddie Howe resgatou grande parte da autoestima dos Magpies, que estão acostumados com a batalha contra o rebaixamento. Neste domingo, o Newcastle deu um show para a sua torcida e se tivesse vencido, teria sido um resultado justo. Cortando todas as linhas de passe do City, a equipe da casa respondeu com intensidade e partiu para a trocação. O ato de valentia rendeu grandes momentos e uma pressão com finalizações perigosas.
Mas o empate só saiu aos 28, com Miguel Almirón, que saiu de uma longa seca de gols. A pressão vinha dando certo e o Newcastle amassava a defesa do City, que não viu a cor da bola até o intervalo. O abafa tinha como artífice o ponta endiabrado Allan Saint-Maximin, que atormentou Kyle Walker. Foram do francês os passes para o gol de Almirón e o de Callum Wilson, que depois de desperdiçar boas chances, guardou o seu.
A conversa deve ter sido boa no intervalo. Howe conseguiu motivar o time a seguir lutando e essa entrega ficou evidente em cada dividida. Bruno Guimarães e Joelinton brilharam defensivamente e desafogaram o meio com bons passes. Em um lance banal, uma falta perto da área trouxe mais uma chance ao Newcastle. E Kieran Trippier, especialista no assunto, aproveitou: um golaço no canto de Ederson para ampliar ainda mais a festa alvinegra, com nove minutos da segunda etapa.
Com dois gols de desvantagem, o City acordou e foi para a briga. Reagiu com força e em tempo recorde: Rodri acionou Erling Haaland, que tocava pouco na bola. Mas o norueguês nem precisava: mandou para a rede e não deu sopa para o azar. Em uma bola lançada para a área, Rodri ficou sem ângulo para cabecear e escorou para o meio. Haaland mandou uma bomba e venceu o bom goleiro Nick Pope. O relógio estava no minuto 60, uma hora de jogo. Quatro minutos depois, foi a vez de Kevin De Bruyne aparecer. O mago celeste dominou a bola no meio-campo e, mesmo bem marcado, achou um passe fantástico para Bernardo Silva empatar.
De Bruyne deu um passe rasteiro semelhante para Haaland, que se desvencilhou na base da força de seu marcador e arrancou para o gol, mas foi barrado por Pope, que saiu bem da meta. Quando deixou tudo igual, o City fez o bastante para virar e até conseguir um placar mais elástico. Só faltou combinar com o Newcastle, que esteve muito bem e errou pouco para conseguir um ponto.
Avaliando o contexto geral do Newcastle, o empate é bom, evidentemente. Mais do que isso, a atuação valente e muito agressiva contra o time mais temido do país é um sinal de que Howe acertou demais a mão na montagem de seu elenco e na execução da sua proposta. Por ora, mostra que é o cara certo para conduzir o projeto ambicioso do clube.
Ao City, não há motivo para desespero ou lamento. Foi uma partida muito franca e que poderia ter acontecido qualquer coisa. Contando com os tropeços do Liverpool nesse início de Premier League, não vai ter muita gente em Manchester chorando pelos pontos deixados em Tynesside. Quem está realmente feliz com o resultado, na verdade, é o Arsenal…