Premier League

Na tentativa de garantir a permanência na elite, o Watford aproveita os donos em comum e busca Samir na Udinese

Depois de cinco temporadas e meia na Itália, Samir terá a chance de se provar na Premier League sob as ordens de Claudio Ranieri

Watford e Udinese possuem um sobrenome em comum: a família Pozzo, que controla ambos os clubes. Enquanto o empresário Giampaolo Pozzo administra os friulani desde os anos 1980, o filho Gino Pozzo assumiu o controle dos Hornets em 2012. Desde então, os negócios envolvendo os dois clubes se tornaram bastante comuns – por vezes também botando na roda o Granada, que foi dos Pozzo até 2016. E se o momento na Serie A é relativamente tranquilo, com a Udinese a sete pontos da zona de rebaixamento, o Watford está apenas dois pontos acima do Z-3 na Premier League. Para tentar impulsionar o time de Claudio Ranieri, o zagueiro Samir trocou de cores e jogará na Inglaterra a partir de agora.

Desde a temporada 2012/13, Udinese e Watford já realizaram 61 transações, entre empréstimos e “vendas”. O movimento até foi mais intenso durante os primeiros anos de propriedade conjunta, com um fluxo maior de jogadores saindo da Itália para a Inglaterra na tentativa de conquistar o acesso. Já nos últimos anos, a frequência de transferências se tornou menos intensa e alguns destaques dos Hornets deixaram Vicarage Road após o rebaixamento para atuar na Serie A. Entre as figuras que vestiram as duas camisas estão Gerard Deulofeu, Odion Ighalo e Roberto Pereyra.

Na atual temporada, a única troca em comum tinha sido a saída de Isaac Success do Watford para a Udinese, sob o valor de €1,8 milhões. Samir faz a viagem contrária nessa janela de inverno, ao assinar com os Hornets por três temporadas e meia. Se por um lado ganhar opções para a defesa parece importante ao clube, até pelo desfalque de William Troost-Ekong por causa da Copa Africana de Nações e pela saída de Danny Rose na lateral esquerda, por outro o brasileiro terá a chance de se provar numa liga de maior badalação internacional, depois de tanto tempo na Serie A.

Após ser contratado junto ao Flamengo, Samir atuou na Itália por cinco temporadas e meia. O defensor passou seu primeiro ano emprestado ao Verona, antes de se firmar na Udinese. Nem sempre foi titular absoluto, mas teve bons momentos com os friulani, mesmo que o clube tenha se acostumado a brigar na parte inferior da tabela. Na atual campanha, o brasileiro disputou 17 partidas pela Serie A e inclusive usou a braçadeira de capitão dos bianconeri em duas partidas.

A ausência de Samir pode não ser totalmente suprida e talvez o técnico Gabriele Cioffi tenha que abrir mão do sistema com três beques. Atualmente na reserva do Watford, Christian Kabasele pode fazer o caminho contrário e reforçar a zaga dos friulani. Ainda assim, pelo momento superior do brasileiro, a impressão é de que a situação dos Hornets é mais urgente – até para os negócios da família Pozzo. Vale dizer que a diretoria também buscou reforços em outros clubes neste início de janela de inverno para os ingleses: o goleiro Maduka Okoye (Sparta Roterdã), o lateral Hassane Kamara (Nice) e o meia Yaser Asprilla (Envigado).

O Watford até fez algumas boas partidas desde a chegada de Claudio Ranieri, mas a sequência recente guardou uma série de derrotas contra adversários de peso e também vários jogos adiados por causa do surto de covid-19. A permanência na primeira divisão dependerá de uma maratona de jogos, boa parte deles contra rivais diretos na rabeira. Considerando o momento decisivo, então, os Pozzo lançaram mão da artimanha para tentar melhorar o potencial da equipe e não se afastar da primeira divisão por tanto tempo.

Tais transações em comum entre Watford e Udinese podem até levantar questionamentos sobre a sua validade, bem como suspeitas sobre a movimentação do dinheiro. Samir, de qualquer forma, não tem nada com isso e ganhará a chance de jogar na Premier League. O Watford pode não ter a tradição da Udinese, mas disputa jogos com mais frequência contra adversários badalados e também conta com uma audiência maior ao redor do mundo. É a chance do zagueiro ampliar seu nome, depois de tanto tempo aprimorando seu jogo numa escola de defensores como o futebol italiano.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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