Premier League

Na força do ódio, Jorginho impulsiona Chelsea em jogo maluco contra o Leeds

Jogo bastante competitivo do Leeds quase foi premiado com um ponto em Stamford Bridge

Quando dois times de DNA ofensivo se enfrentam, é de se esperar que a partida tenha muitos momentos de emoção, finalizações, defesas e alternâncias de placar. Neste sábado, em Stamford Bridge, o Chelsea fez a sua parte, soube sofrer e derrotou o Leeds United com um gol de pênalti no fim, por 3 a 2. O resultado manteve os Blues bastante firmes na luta pela liderança.

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Na rodada passada, uma reação fulminante do West Ham no dérbi londrino, perdido pelo Chelsea, proporcionou alguma reflexão para Thomas Tuchel. Diante do Leeds, na rodada deste sábado, a abordagem do time foi outra. Igualmente letal, mas tentando manter o controle da partida. O problema é que do outro lado estava um dos grupos que mais gostam de desafiar a lógica na Premier League.

O primeiro golpe foi dos visitantes

Marcelo Bielsa, entra ano, sai ano, segue com grande capacidade de entreter. Isso nem sempre é uma boa notícia para a sua própria torcida, é verdade, mas hoje o Leeds esteve cumprindo muito bem sua proposta de azarão. Remoendo a dura derrota sofrida contra o Brentford na semana passada, os Whites tentaram jogar de igual para igual com os campeões europeus.

A coragem foi recompensada em um pênalti cometido por Marcos Alonso em Daniel James, promessa contratada neste ano junto ao Manchester United. James parecia saber o caminho para o fundo da rede, mas quem bateu a penalidade foi mesmo Raphinha, o homem do momento em Elland Road. Aos 28, ele fez o primeiro da tarde.

O Chelsea, se sentindo desafiado pela sua visita, não demorou para dar uma resposta adequada. Trabalhou bem a bola, não se enervou e buscou a igualdade. Alonso se redimiu do pênalti, desarmou Stuart Dallas e desceu para o flanco esquerdo do campo. Na hora de encontrar com a linha de fundo, o espanhol deu um bom passe rasteiro para Mason Mount completar. A tarde ainda seria longa para os presentes no Stamford Bridge.

A corneta liberta: os Blues venceram na base do ódio

O público se empolgou com o duelo, que ganhava contornos de espetáculo na segunda etapa. O Chelsea já especulava bastante pela virada e conseguiu golpear o adversário. Raphinha, que aparecia como defensor na recomposição do Leeds, cometeu uma entrada bastante precipitada e derrubou Antonio Rüdiger, que havia recebido a bola no canto da área, com espaço. Após revisão do VAR, o árbitro assinalou mais um pênalti. Desta vez, Jorginho respirou fundo e acertou uma belíssima batida no ângulo de Illan Meslier. Só que a festa de gols estava longe de acabar.

Justamente no momento mais agudo do jogo, nos dez minutos finais, o Leeds se reergueu e mostrou que ainda queria briga. O meia Joe Gelhardt, que havia acabado de entrar na vaga de Raphinha, se meteu no meio da defesa e aproveitou o passe primoroso de Tyler Roberts para anotar. Thiago Silva ainda acompanhou Gelhardt, mas o jovem do Leeds tocou antes na bola e tirou o brasileiro e o goleirão Edouard Mendy da bola.

Quando parecia que o Leeds havia conseguido o que queria, a mesa virou novamente. O som vindo da arquibancada era hostil, de cobrança, algo que já havia ficado claro na primeira etapa, com direito a gesto de Mount para silenciar o público. Rüdiger, que resolveu brincar de elemento surpresa, novamente sofreu um pênalti bobo e deu de bandeja para Jorginho a chance de redimir o time diante da torcida. Mateusz Klich leu mal a jogada, acertou o defensor dos Blues pelas costas no limite da área e o árbitro não pensou duas vezes antes de apontar para a marca da cal. E a história se repetiu: Jorginho entrou na mente de Meslier e resolveu o confronto, aos 49 da etapa final.

O jogo marcou uma boa reação do Chelsea, que não podia tropeçar novamente depois de cair contra o West Ham. Tuchel parece ter entendido que seu time precisará fazer melhor do que isso se não quiser sofrer mais vezes como ocorreu contra o Leeds.

Em outra missão, Bielsa só tem recebido más notícias na sua jornada em busca da permanência na elite. Os Whites apresentam os mesmos problemas de sempre, com inconstância defensiva e falta de melhores opções no ataque. E desta vez, nem a arrancada inicial deu aquela injeção de moral aos jogadores para o restante da campanha. Ficar na Premier League dependerá mais dos jogadores do Leeds do que dos métodos irredutíveis de seu comandante.

Ah, a tabela, falemos da tabela: enquanto o Manchester City lidera com seus 38 pontos, Liverpool e Chelsea completam a escadinha separados por um ponto. A Premier League desta temporada já está sendo bastante acima da média na emoção e ainda estamos apenas na metade do caminho. Qualquer previsão nessa altura é chute.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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