Premier League

Mourinho é eleito o melhor técnico do mês da Premier League pela primeira vez desde 2007

Ainda é cedo para dizer que José Mourinho está realmente recuperado. Para os padrões dele: um dos melhores técnicos do mundo, como foi por Porto, Chelsea, Internazionale e Real Madrid antes de começar uma certa decadência. Mas não é cedo para dizer que ele está em seu melhor momento pelo Tottenham e teve um novembro quase perfeito. Como símbolo desses sinais de recuperação, o português foi eleito o melhor técnico do mês da Premier League pela primeira vez desde 2007.

Ele próprio anunciou a conquista, em sua recém-criada conta no Instagram, ao lado de toda a sua comissão técnica:

Nenhum prêmio é um atestado absolutamente técnico e 100% objetivo, como o da Fifa nos lembra periodicamente, mas tem uma lógica dentro de si próprio. No caso da Premier League, o vencedor é escolhido por um painel de figurões, como Kenny Dalglish, Rio Ferdinand, Ian Wright, Gary Neville, Shay Given, Ryan Giggs e representantes de patrocinadores. O público pode votar também e representa 10% do total.

É digno de nota que tenha demorado 13 anos para que esse painel reconhecesse o trabalho de Mourinho como o melhor da liga ao longo de um mês. A última vez havia sido em março de 2007. O português ainda estava em sua primeira passagem pelo Chelsea, com um bicampeonato fresco, e ganhou todas as partidas daquele mês. Foi uma arrancada que o levou a encostar no Manchester United antes de empatar as últimas cinco rodadas. Ficou a seis pontos do tri.

Mourinho foi demitido no começo da temporada seguinte e passou seis anos longe da Premier League. Mas retornou em 2013 e não havia vencido o prêmio desde então, apesar de ter conquistado outro título, novamente com o Chelsea, em 2014/15. Os vencedores daquela temporada foram Garry Monk (Swansea), Ronald Koeman (Southampton), Sam Allardyce (West Ham), Alan Pardew (Newcastle), Manuel Pellegrini (Manchester City), Tony Pulis (West Bom), Arsène Wenger (Arsenal) e Nigel Pearson (Leicester).

E apesar de não ter dado certo no Manchester United, nem todos os meses foram um desastre. Em dezembro de 2016, teve cinco vitórias e um empate, mas perdeu na votação para Antonio Conte, do Chelsea. Teve 100% de aproveitamento em agosto de 2017 e o troféu foi para David Wagner, do Huddersfield. Claro que muito disso é circunstancial, e vai saber quais são os critérios que os integrantes do painel usam para decidir os votos, mas faz tempo que as circunstâncias não são tão favoráveis a Mourinho.

Porque o ponto mais relevante em relação ao prêmio é que ele foi absolutamente merecido. As causas de Mourinho estar em um bom momento e as abordagens que ele utiliza valem discussão, mas ele se entrincheirou para ganhar do Manchester City e empatar com o Chelsea. Também derrotou Brighton e West Brom. Tendo superado o Arsenal no começo de dezembro, divide a liderança da Premier League com o Liverpool.

Quanto tempo isso durará? Son e Kane seguem em uma forma brilhante, mais entrosados do que nunca, e o Tottenham tem de longe a melhor defesa do campeonato. O clima atual, em que todos os clubes se contentam em sobreviver à pandemia e um calendário massacrante, combina bem com o estilo do português. Talvez dure tempo o bastante para sacramentar o renascimento de Mourinho. Vamos acompanhar.

Maiores vencedores

Mourinho conquistou o prêmio pela quarta vez – o que também parece pouco considerando que ele dominou a Premier League durante duas temporadas. Para efeitos de comparação, está empatado com Mauricio Pochettino, que por melhor trabalho que tenha feito à frente do mesmo Tottenham, tem menos importância histórica à liga do que ele – sem falar de Joe Kinnear (Wimbledon), Roy Hodgson, Manuel Pellegrini e Gordon Strachan (Coventry), também com quatro vitórias cada.

O líder é obviamente Alex Ferguson, com 27 troféus, seguido por Arsène Wenger, com 15. David Moyes aparece em terceiro lugar, com 10, pelo seu trabalho excepcional à frente do Everton.

1º: Alex Ferguson – 27
2º: Arsène Wenger – 15
3º: David Moyes – 10
4º: Jürgen Klopp, Martin O’Neill, Harry Redknapp: 8
7º: Rafa Benítez, Pep Guardiola: 7
9º: Sam Allardyce, Bobby Robson: 6
11º: Carlo Ancelotti, Kevin Keegan, Claudio Ranieri: 5
14º: Roy Hodgson, Joe Kinnear, Manuel Pellegrini, Mauricio Pochettino, Gordon Strachan e Mourinho: 4

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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