Premier League

Mourinho atirando para todos os lados é mau sinal às vésperas da crítica terceira temporada

Reclamar bastante já virou um traço da personalidade de José Mourinho. No entanto, o volume e a intensidade com que ele tem manifestado as suas insatisfações ligou um alerta amarelo no Manchester United. Principalmente porque o treinador português está entrando em sua terceira temporada pelo clube de Old Trafford, um momento sempre crítico em seus trabalhos. Foi assim nas duas passagens pelo Chelsea e no Real Madrid. Depois de muito sucesso, as relações com diretoria, membros da comissão técnica e/ou jogadores começaram a se deteriorar por volta do terceiro ano, levando a uma queda nos resultados e, em todos os casos, à demissão.

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A diferença essencial é que Mourinho, nos outros clubes, havia entrado nesse período com mais moral. Em Old Trafford, a pressão está maior. Foram dois títulos conquistados na primeira temporada (Copa da Liga e Liga Europa), mas a última passou em branco. Apesar do segundo lugar na Premier League, a diferença de 19 pontos para o campeão Manchester City é grande demais para dizermos que chegou a brigar pelo título.

Os principais problemas de Mourinho são com o mercado do Manchester United, que até agora contratou apenas o lateral Diogo Dalot e o meia brasileiro Fred, mas ninguém passou incólume. Seus jogadores também receberam algumas críticas, depois da derrota para o Liverpool, por 4 a 1, no último domingo, assim como a própria International Champions Cup, lucrativo campeonato de amistosos que acontece majoritariamente no Estados Unidos – de onde são os donos dos Red Devils.

Contando as contratações do atual mercado, o saldo de transferências (o que gastou menos o que vendeu) de Mourinho no Manchester United é de £ 350 milhões, inferior apenas ao do Manchester City (£ 440 milhões) no período. O treinador afirmou que entregou uma lista de cinco nomes para a diretoria, em março, e ainda está esperando que eles sejam contratados. No entanto, sendo realista, acredita que apenas mais um chegará antes do fechamento da janela inglesa, em 9 de agosto. Ele busca principalmente um zagueiro e um ponta. Os favoritos da imprensa inglesa são Harry Maguire, Yerri Mina, Ivan Perisic e Ante Rebic.

“Eu gostaria de ter mais dois jogadores. Acho que não conseguirei os dois. Acho que é possível que eu receba um. Se for possível, é possível. Se não for possível, não é possível. Se for possível, é bom. Senão, temos que continuar lutando e trabalhando e acreditando nos jogadores que temos”, afirmou o treinador, que prevê problemas para o início da temporada porque muitos dos seus jogadores ainda desfrutam de férias por causa da Copa do Mundo.

A turnê americana começou sem 13 dos seus principais jogadores. As longas campanhas de Bélgica, França e Inglaterra foram particularmente debilitantes. Jogadores como Paul Pogba, Romelu Lukaku, Marouane Fellaini, Marcus Rashford, Ashley Young, Phil Jones e Jesse Lingaard chegarão em cima da hora. Nemanja Matic voltou machucado. “Esses são os nossos reforços. Este não é nosso time. Começamos o jogo com quase metade de jogadores que nem estarão no nosso time em 9 de agosto. Eles não estarão lá. Esta não é nem metade da minha equipe, ou 30% dela”, reclamou.

Por isso, para Mourinho, o jogo contra o Liverpool não serviu para nada e, embora o público do estádio tenha sido na casa das 100 mil pessoas, ele disse que não teria ido ao jogo, se fosse torcedor. O ingresso mais barato, segundo a BBC, foi de £ 58. “Estamos tentando jogar essas partidas o melhor que podemos para evitar derrotas feias, mas esta não serviu para nada. Os árbitros vieram por acaso (houve dois pênaltis a favor do Liverpool). Eles foram chamados pela federação de beisebol e pensaram que era beisebol, mas descobriram que era futebol. A atmosfera no estádio era boa, mas, se eu o público, não teria vindo. Eu não gastaria meu dinheiro para assistir a estes times”, disse.

O treinador português contou que teve que deixar jogadores experientes em campo mais tempo do que deveria para não deixar os garotos desprotegidos. “Temos quatro ou cinco jogadores que estão mortos porque eles se preocupam com o clube e tentam dar tudo, mesmo se arriscando, porque eles não querem deixar as crianças jogarem sozinhos contra Milan e Liverpool. Por exemplo, Eric Bailly não iria jogar, mas, quando viu que Smalling se machucou no aquecimento, ele decidiu sozinho que não queria botar outro jovem em campo. Não foi justo com Sánchez, Mata e Herrera. Alexis é o único jogador de ataque que temos. Não temos pontas nem atacantes. Ele é o único que está aqui e tentando seu melhor, com a frustração de alguém que quer mais”, disse.

Anthony Martial poderia ser uma opção, mas foi liberado para o nascimento do seu segundo filho, na última quinta-feira. E ainda não retornou. “Ele teve o bebê e depois de o bebê nascer – um bonito bebê, cheio de saúde, graças a Deus – ele deveria estar aqui e não está aqui. Agora, temos que jogar contra o Real Madrid e depois o Bayern de Munique”, reclamou. Antonio Valencia também foi vítima da metralhadora mouriniana. “Antonio voltou de férias. Acho que ele teve férias demais, sua condição não era boa quando ele voltou”, disse. “Apenas espero que os rapazes que estão em férias merecidas se cuidem um pouco e que alguém queira fazer o que fizeram Rashford e Jones, que voltarão um pouco antes para tentar ajudar o time porque, no começo da temporada, teremos problemas”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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