Premier League

Manchester City e Liverpool começam eletrizantes, esfriam e não saem do empate no Etihad

O primeiro tempo anunciava mais um jogo para a memória entre o Manchester City de Guardiola e o Liverpool de Jürgen Klopp: um gol de cada lado, um pênalti para cada lado, duas estratégias distintas e uma batalha dura entre as duas melhores equipes da Inglaterra. Tudo isso, no entanto, ficou apenas na primeira etapa. O segundo tempo foi bem distinto, e os dois não saíram do 1 a 1.

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Após os últimos dias de discussão sobre quem deveria ser titular no ataque, Diogo Jota ou Roberto Firmino, Klopp decidiu ir com os dois a campo. Com a bola, os Reds atacavam entre um 4-2-3-1 e um moderno 4-2-4, com Mané e Jota abertos pelas pontas e Firmino como espécie de segundo atacante a Salah, o homem mais avançado. Sem a bola, o Liverpool defendia em um 4-4-2, com Firmino e Salah compondo a linha mais avançada e fechando a saída dos Cityzens com Rodri, enquanto Mané e Jota fechavam o caminho aos laterais.

Com esta proposta, o Liverpool foi superior nos minutos iniciais de jogo ao City, que atuava em um 4-3-3 com a bola, com Rodri de volante e Gündogan e De Bruyne mais avançados. Aos 13 minutos, transformaria a superioridade em vantagem no placar. Mané partiu para cima de Walker, driblou o lateral e foi derrubado na tentativa de recuperação do inglês. Salah, na cobrança, marcou e fez 1 a 0.

Em reação às dificuldades iniciais, Guardiola liberou De Bruyne para avançar e quase colar em Gabriel Jesus no ataque. A saída de bola também foi melhorada, com Walker descendo para formar um trio, Cancelo abrindo pela ponta esquerda e Ferrán Torres oferecendo alternativa de passe pela direita. Os Cityzens começaram a reter mais a bola, e o duelo se equilibrou.

Aos 31 minutos, veio a resposta definitiva do time de Guardiola. Gabriel Jesus – que fazia seu primeiro jogo na Premier League desde a primeira rodada, tendo passado o período desde então em recuperação de uma lesão muscular – recebeu passe de De Bruyne dentro da área, dominou já tirando a bola do alcance de Alexander-Arnold e bateu de bico na saída de Alisson para empatar. Foi o segundo gol em dois jogos na competição para o brasileiro.

Oito minutos mais tarde, chegou a oportunidade para a virada do time da casa. De Bruyne tentou o cruzamento da direita, a bola bateu no braço de Gomez, dentro da área, e a checagem do VAR confirmou o pênalti aos Cityzens. Em momento raro, De Bruyne foi para a cobrança e bateu para fora, à direita do gol.

A última grande chance da primeira etapa foi dos Reds. Mané foi lançado, ganhou na velocidade de Rúben Dias, driblou para dentro, tocou para Salah, e o egípcio abriu para a chegada de Alexander-Arnold. O lateral bateu forte, Ederson defendeu, soltou, mas se recuperou antes de Jota finalizar o rebote.

O segundo tempo foi muito abaixo do primeiro. A intensidade de ambas as equipes caiu significativamente, e as chances foram escassas. Duas das melhores delas aconteceram em um intervalo curto de tempo e vieram do lado azul do embate. Aos dez minutos, Cancelo cruzou com precisão para Gabriel Jesus, que fez a corrida ideal para receber em posição de marcar. No entanto, o brasileiro cabeceou à direita do gol de Alisson. Dois minutos mais tarde, o atacante recebeu na frente da área, driblou duas vezes Joe Gomez e abriu com De Bruyne, mas o belga chutou por cima do gol.

Tentando reagir ao início melhor do City na segunda etapa, Klopp tirou Firmino, apagado em campo, e colocou Shaqiri, deslocando Jota de novo para a posição central que ocupou nas últimas partidas, com Salah caindo novamente pela direita. Lesionado, Trent Alexander-Arnold foi substituído pouco depois por Milner, enquanto Bernardo Silva entrou no lugar do sumido Ferrán Torres.

As alterações não botaram fogo no jogo, ainda que o Liverpool tenha passado a se lançar mais ao ataque. As tentativas sobretudo com Salah pela direita foram bem paradas por uma boa atuação de Cancelo na lateral esquerda.

Com o empate no placar, o Liverpool, que havia começado a rodada na liderança, acabou ultrapassado por Leicester e Tottenham e ocupa agora o terceiro lugar. O City, com um jogo a menos que a maior parte das equipes na tabela, está em 11º, a quatro pontos do Southampton, quarto colocado.

Ainda que ambos aspirassem pela vitória, Klopp e Guardiola devem aceitar de bom grado o fato de não saírem derrotados de um confronto que lá na frente pode pesar em uma eventual disputa pelo campeonato.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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