Premier League

Liverpool liga o turbo e faz Leicester comer poeira em goleada avassaladora

O jogo mais esperado do Boxing Day entregou a qualidade esperada. Pena para os torcedores do Leicester que foi uma das melhores apresentações da temporada do Liverpool até aqui. O time, campeão mundial no Catar no último sábado, 21, voltou à disputa da Premier League com um jogo duro, contra o Leicester, segundo colocado, na casa dos Foxes. E com uma atuação primorosa, o Liverpool jogou em um ritmo avassalador para não só conseguir os três pontos, mas também golear o Leicester por 4 a 0.

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Se você pensa em velocidade para correr em campo aberto, estará enganado. A velocidade que o Liverpool impôs ao vice-líder tinha a ver com a intensidade e rápida tomada de decisão. E com a precisão com que fez, qualquer time sofreria. Mesmo o time que tem jogado um excelente futebol, um dos melhores da liga. O Liverpool, que vinha com desempenho apenas razoável, se tanto, nos jogos antes do Mundial, mesmo vencendo, desta vez fez mais. Muito mais. Em jogos anteriores da própria Premier League, o time vinha jogando bem abaixo do que pode. No Mundial, pareceu jogar em uma rotação mais baixa do que estávamos acostumados nos grandes jogos do time. Não desta vez. A intensidade foi imensa, como não víamos há alguns jogos.

O jogo do Liverpool subiu muito de patamar, graças também à intensidade que é a marca do tipo de futebol do time. Sabendo que o jogo contra o segundo colocado seria importante, o time de Klopp não teve receio de pisar no acelerador. E foi como uma máquina turbinada na pista: o Leicester, mesmo com uma potência que já deixou clara nesta temporada, comeu poeira.

O começo de jogo foi alucinante. Os dois times pressionavam alto e a saída de bola era muito mais complicada. Quem conseguia mais sucesso, porém, era o Liverpool, que começou sufocando o Leicester mesmo fora de casa. E nos primeiros minutos, criou as primeiras chances que deixaram os torcedores do time da casa no King Power Stadium aflitos.

No primeiro minuto, Trent-Alexander Arnold chutou forte e obrigou o goleiro Kasper Schmeichel a uma boa defesa. Com dois minutos, Sadio Mané perdeu uma boa chance com uma canelada na bola e lamentou.

Aos 9 minutos o Leicester chegou com perigo ao campo de ataque e também deu um susto no Liverpool com uma boa troca de passes entre Wilfred Ndidi e Tielemans, que acionam Jamie Vardy, mas Alexander Arnold se antecipa e corta. Aos 11, porém, foi novamente o Liverpool a ameaçar, em um lance esticado para Mohamed Salah que passou pelo goleiro Schmeichel, mas ficou sem ângulo e tentou o chute – Mané entrava pelo meio, ainda que não estivesse livre.

Pressionado na defesa, o Leicester errava e permitia ao Liverpool recuperar a bola com rapidez. Sem conseguir chegar à frente, o Leicester jogou bolas na área do Liverpool para tentar causar problemas. Harvey Barnes jogou para a área e levou perigo, mas o lateral Andrew Robertson interceptou para cortar.

Aos 31 minuto, o Liverpool conseguiu o gol de uma forma como tem se tornado especialista. Alexander Arnold, que extava pela esquerda, cruzou na segunda trave, invertendo uma bola nas costas do lateral Ben Chillwell. Roberto Firmino subiu e testou firme para o gol: 1 a 0.

Depois do gol, o Liverpool passou a dominar completamente as ações. O time de Klopp impunha um ritmo alucinante que fazia com que os jogadores do Leicester parecessem sempre sob pressão. Nenhum deles tinha tranquilidade para jogar, mesmo na defesa.

Mané perderia uma chance ainda no primeiro tempo, com uma boa defesa de Schmeichel. O goleiro já se colocava como um destaque da partida. O que tornava a vida do Leicester um inferno era algo que é característica do Liverpool e funcionava à perfeição na partida: as inversões de um lado para outro. Todo mundo estava acertando os passes: desde Virgil Van Dijk na zaga até Jordan Henderson e, claro, os laterais, Alexander Arnold e Robertson.

O fim do primeiro tempo chegou como um alívio para os torcedores do time da casa. O Leicester, por mais que tentasse jogar, foi muito pressionado e ir para o intervalo com um gol apenas sofrido saiu até como lucro. O ritmo e intensidade do time de Jürgen Klopp foram impressionantes.

O início do segundo tempo mostrou um Liverpool muito ligado. Pressionando na saída de bola, o Leicester parecia sufocado e não conseguia jogar. Foi assim, em uma bola com perde-pressiona e recuperação rápida, que Robertson recuperou e cruzou para a área de primeira. Firmino tocou, mas não conseguiu bater bem na bola e ela foi fora.

A pressão continuou. Alexander Arnold cruzou, a bola passou por todo mundo para chegar em Robertson, que cruzou, a bola bateu na defesa, voltou para ele, que colocou pelo alto. Firmino desviou, o goleiro Schmeichel defendeu e, no rebote, Salah ficou com a sobra, no meio da área, e chutou forte de pé direito, mas a bola explodiu na trave. Só que o lance foi parado na cabeçada de Firmino, porque o brasileiro estava impedido e o auxiliar já tinha marcado.

Aos 69 minutos (24 do segundo tempo), Klopp trocou dois jogadores: tirou Mohamed Salah e colocou Divock Origi, além de tirar Naby Keita para colocar James Milner. E logo no primeiro lance com os dois em campo, em uma cobrança de escanteio, o zagueiro Çaglar Soyuncudesviou a bola com o braço e o árbitro Michael Oliver marcou pênalti. Milner, excepcional batedor, cobrou, esperando o goleiro cair para bater no meio e sair para a comemoração: 2 a 0.

O gol foi um balde de água fria para o Leicester, que sofria fisicamente para lidar com um Liverpool que estava voando em campo – técnica, tática e fisicamente. E aproveitando este momento de baixa, o Liverpool marcou mais um. Desta vez com um lance que começou com Firmino, passou por Milner e chegou a Alexander Arnold. O lateral cruzou rasteiro para o meio da área, onde estava Firmino. O brasileiro mostrou a frieza de matador. Dominou e deu um tapa com classe, no ângulo, e correu para o abraço: 3 a 0, fora o baile.

O jogo parecia ganho, mas o Liverpool seguiu firme. Nem dá para dizer que o time pisou no acelerador, só aproveitou o embalo que já vinha de um time que estava em alta felicidade. A bola saiu de antes do meio-campo, com Milner, que encontrou Mané, livre pelo meio. E com o senegalês livre, a jogada se desenhou fácil. Alexander Arnold pintou livre passando como um foguete pela direita e recebeu a bola. Ele nem dominou: deu um tapa cruzado na bola para mandar rasteiro para o fundo da rede: 4 a 0, aos 33 minutos.

Incrivelmente, o Leicester, que não tinha perdido ainda no seu estádio, o King Power, só tinha sofrido cinco gols em nove jogos nos seus domínios. Sofreu quatro só do Liverpool. Depois do quarto gol, como esperado, aí sim o Liverpool gastou o tempo, tocou a bola, reduziu novamente o ritmo e administrou o ritmo. Como o Leicester já tinha jogado a toalha, compreensivelmente, o jogo passou a ter muito mais jogadores caminhando do que correndo.

O nível de futebol que o Liverpool apresentou foi algo excepcional. Alexander Arnold foi brilhante, deu duas assistências, fez um gol e ainda participou do lance que gerou o gol de pênalti – afinal, foi ele quem cobrou o escanteio que Soyuncu cortou com o braço. Ele foi o grande nome do jogo e acabou premiado com o gol na reta final do jogo.

Jordan Henderson foi novamente muito bem. Comandou o meio-campo do time, atuando na posição normalmente ocupada por Fabinho. Firmino mostrou seu valor mais uma vez, não só pelos gols típicos de centroavante, mas também pela sua participação. Foram os principais nomes do jogo.

Defensivamente, a atuação do Liverpool foi muito sólida. O time vinha sofrendo para não levar gols, mas desta vez conseguiu. Mais do que não levar os gols, o time conseguiu impedir que Vardy tivesse chances para finalizar com espaços. No total, foram três chutes a gol do Leicester e nenhum deles acertou a baliza defendida por Alisson. Excelentes números para uma defesa que vinha sofrendo gols em sequência na Premier League.

Com 13 pontos de vantagem na liderança e um jogo a menos disputado até aqui, o Liverpool dá mais um passo rumo ao título. Ainda tem um turno inteiro pela frente, mas os sinais são fortes que o time de Klopp vai com ainda mais força pelo título. Em 18 jogos, os Reds venceram 17 e só empataram um. Seguem invictos. São 46 gols marcados e 14 sofridos. É muita coisa.

O sonho de levantar a taça da Premier League está mais vivo do que nunca. A taça do Campeonato Inglês conquistada em 1990, há quase 30 anos, está empoeirada. O clube, que conquistou a Europa duas vezes, em 2004/05 e na temporada passada, 2018/19, sonha em voltar a ter a taça mais importante do país.

O Liverpool volta a campo para enfrentar o Wolverhampton, no próximo dia 29, domingo. E no dia 2, já em 2020, enfrenta o Sheffield United. O Leicester, por sua vez, tem o West Ham como adversário em Londres no sábado, 28, e depois entra em campo no ano novo, 1º de janeiro, contra o Newcastle.



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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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