Premier League

Liverpool fez Teatro dos Sonhos virar um pesadelo em um massacre histórico sobre o Manchester United

Salah foi a estrela do jogo com um hat-trick em um jogo que o Liverpool moeu um Manchester United que não sabia como marcar e tomou 5 a 0

O Liverpool soube se impor diante de um adversário cheio de problemas e conseguiu uma vitória histórica no maior clássico da Inglaterra contra o Manchester United. Mesmo em Old Trafford, venceu por 5 a 0, com direito a três gol de Mohamed Salah, e impôs uma derrota dolorida aos Red Devils. Encheu de sorrisos os torcedores dos Reds, que conseguiram vencer pela segunda vez seguida jogando na casa do adversário. Um resultado que aumenta muito a pressão sobre o técnico Ole Gunnar Solskjaer.

Desde o começo foi um massacre. O ritmo dos dois times foi muito diferente, com os Reds atropelando em todas as áreas do gramado. A pressão, a intensidade e mesmo a organização foi completamente oposto entre os dois times. O que se viu no time de Klopp foi uma equipe voraz, que aproveitou o adversário perdido na marcação para colocar na bola na rede.

Com o adversário atordoado, o Liverpool aproveitou para transformar uma vitória fácil em goleada. O Manchester United não existiu em campo, mas o Liverpool não só existiu como encantou. Um time que parece entender suas capacidades e consegue ser um moedor de times adversários. E de times adversários que sofrem na marcação, mais ainda.

O que o time de Klopp fez foi cravar mais uma vez o seu nome na história. Salah, a estrela, estará para sempre nos registros históricos do maior clássico da Inglaterra e como uma das estrelas de uma história rica e repleta de craques como a do Liverpool. Não é pouca coisa. Talvez ele possa aumentar ainda mais esses registros, caso permaneça no Liverpool até o fim da carreira como manifestou vontade de fazer.

Dados históricos

As estatísticas da Opta Sports mostram que Mohamed Salah fez algo inédito. Ao marcar contra o Manchester United em Old Trafford, ele se tornou o primeiro na história a marcar gols em três jogos fora de casa consecutivos contra o Manchester United.

É um retrato do momento histórico dos dois clubes. O Manchester United venceu apenas um dos seus últimos 10 jogos contra o Liverpool na Premier League (5 empates, 4 derrotas). Na temporada passada, perdeu por 4 a 2 jogando em casa. A situação piorou ainda mais nesta, com a goleada histórica. É a primeira vez que o Liverpool vence dois jogos seguidos em Old Trafford desde janeiro de 2002.

O Liverpool explorou algo que tem sido um problema do United contra qualquer time. Os Red Devils sofreram gols em cada um dos últimos 10 jogos em casa na Premier League. Isso significa a maior sequência sofrendo gols em casa, igualando o recorde estabelecido no período de setembro de 1970 a fevereiro de 1971.

Por outro lado, o Liverpool está invicto há 19 jogos na Premier League, com 14 vitórias e cinco empates. Os Reds marcaram ao menos três gols em cada um dos seis jogos fora de casa no torneio – um total de 22 gols.

Escalações

Ole Gunnar Solskjaer colocou em campo um time bastante experiente. Na defesa, Vitor Lindelof jogou ao lado de Harry Maguire. Fred e Scott McTominay formarão o centro do meio-campo, com Bruno Fernandes mais à frente. Pelos lados, Marcus Rashford e Mason Greenwood, além de Cristiano Ronaldo como referência.

O técnico Jürgen Klopp surpreendeu ao colocar Sadio Mané no banco de reservas. Jogou Diogo Jota em seu lugar. Além disso, colocou um meio-campo um pouco diferente: Jordan Henderson, Naby Keita e James Milner. Na defesa, Ibrahima Konaté formou a dupla de zaga com Virgil Van Dijk.

Dois gols em 13 minutos

Logo a cinco minutos de jogo, o Liverpool explorou a defesa alta do United para marcar. Salah recebeu em velocidade, livre, e só tinha Luke Shaw pela frente. Ele tocou para o lado, onde apareceu Naby Keita, e o camisa 8 finalizou com tranquilidade para marcar 1 a 0 para os visitantes em Old Trafford.

O segundo gol veio aos 13 minutos. Shaw e Maguire bateram cabeça no centro da defesa depois de uma bola longa de Robertson, a bola sobrou para Keita rolar na direita para Trent Alexander-Arnold, que cruzou rasteiro na segunda trave para Diogo Jota empurrar para a rede: 2 a 0 para os Reds na casa do rival.

Salah, Salah, Salah

Com 37 minutos, em uma jogada que Salah participou chutando, sendo bloqueado, a bola sobrou para Keita, que tocou para o meio e Salah converteu de pé direito e marcou: 3 a 0. O Liverpool abria uma vantagem absolutamente confortável na casa do rival.

Antes do intervalo, a situação já era terrível para o United e maravilhosa para o Liverpool. Em uma jogada trabalhada pelo meio, o United perdeu todas as divididas até que Diogo Jota, pelo meio, abriu pelo lado direito. Salah finalizou com muita calma, no canto, e ampliou para 4 a 0. Um massacre.

Os dois times foram para o intervalo, mas a volta mostrou que nada tinha mudado. Ou se mudou, mudou para pior. Aos quatro minutos da segunda etapa, o Liverpool roubou a bola de Pogba, com Henderson mandando um lançamento de Trivela, com categoria e precisão, nos pés de Salah no lado direito. Ele esperou a saída do goleiro para tocar de biquinho e marcar mais um: 5 a 0. Sem dó nem piedade.

Eu estou aqui (ou não)

Cristiano Ronaldo poderia ter sido expulso quando o placar estava 3 a 0, em uma entrada dura em Curtis Jones. Não foi expulso porque Anthony Taylor não quis. Porque além da entrada dura, ele ainda chutou a bola, que estava perto do corpo de Jones. Um lance que gerou empurra empurra e confusão.

Logo depois do quinto gol do Liverpool, Maguire acionou Cristiano Ronaldo pela esquerda e ele lembrou os tempos de ponta para balançar o corpo na frente de Alexander-Arnold, puxou para o pé direito e finalizou no canto. Belo gol, que nem foi comemorado. Só que a alegria durou poucos segundos. Foi marcado impedimento do atacante em revisão do VAR.

Pogba expulso

Aos 15 minutos do segundo tempo, Pogba deu uma entrada violentíssima sobre Naby Keita. O árbitro incialmente só deu cartão amarelo. O VAR chamou o árbitro Anthony Taylor, que reviu o lance. Foi violento demais: uma entrada com o pé no alto, que pegou em cheio o tornozelo de Naby Keita. Taylor mudou a cor do cartão: deu o vermelho. Um vermelho muito justo.

Liverpool tira o pé

Com o jogo decidido, o Liverpool pôde até mesmo tirar o pé do acelerador e tocar a bola com tranquilidade, se poupando mesmo em campo. O United, que já não é bom em fazer a pressão em uma situação normal, deixou de fazer mais ainda com o jogo decidido.

Consequências

É inevitável que um resultado como esse gere consequências. Muito se fala sobre a possível demissão de Ole Gunnar Solskjaer, mas esse é só um dos aspectos. Será preciso mudar muitas coisas. Cristiano Ronaldo disse na última sexta-feira, em entrevista à Sky Sports, que “Se todos se sacrificarem pelo time, seremos melhores”. O time precisará de muito mais sacrifício, mas especialmente precisará de muito mais organização em campo e uma ideia mais bem executada.

Um time que recebe reforços como Jadon Sancho e Cristiano Ronaldo não pode piorar. É preciso que o técnico, e sua comissão técnica, encontrem soluções para aproveitar o talento desses jogadores e organizar o time de forma que ele seja equilibrado. Como está, o Manchester United fica muito longe da disputa pelo título da Premier League, que é o objetivo.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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