Premier League

Liverpool e Everton se uniram em uma só voz para exigir justiça aos 96 mortos em Hillsborough

Se a rivalidade entre Liverpool e Everton prevaleceu em campo nesta quarta-feira, durante a vitória dos Reds por 5 a 2, nas arquibancadas houve uma união de ambas as torcidas em Anfield. Com apoio dos visitantes, os torcedores do Liverpool aproveitaram a ocasião para, mais uma vez, cobrar as autoridades e exigir justiça pelos 96 mortos em Hillsborough. O assunto voltou com força aos noticiários desde a última semana, diante da absolvição do chefe da polícia responsável pela segurança no trágico jogo contra o Nottingham Forest em 1989.

Este foi o segundo compromisso do Liverpool em Anfield desde a decisão da corte britânica. No final de semana, em duelo contra o Brighton, os torcedores passaram os seis primeiros minutos cobrando “justiça para os 96” em cânticos ininterruptos. Já nesta quarta-feira, os anfitriões tiveram tempo de preparar um mosaico. A imagem desenhada pela Kop fazia referência aos 96, enquanto os cânticos de ‘You’ll Never Walk Alone’ ecoavam por todo o estádio. No centro do gramado, os jogadores de ambas as equipes se abraçavam.

A torcida do Everton, engajada em apoiar o Liverpool na questão de Hillsborough, ajudou a amplificar a voz dos rivais no pedido de justiça. E a cena mais simbólica aconteceu no setor das arquibancadas onde mandantes e visitantes estavam separados. Uma faixa foi erguida por torcedores de ambos os lados, metade azul e metade vermelha. Dizia: “Todos os scousers sabem a verdade, justiça para os 96”, mencionando o gentílico da população de Merseyside.

Historicamente, Liverpool e Everton possuem uma rivalidade considerada amistosa. Independentemente disso, Hillsborough é um assunto que extrapola a mera questão futebolística. O pedido de justiça nada mais é do que um dever aos cidadãos. A tragédia, afinal, não afetou apenas o lado vermelho da cidade. A dor da perda é de todos. O desejo por justiça, também.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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