Premier League

Kyle Walker é boa contratação para o Manchester City, mas o valor é absurdo: € 51 milhões

O Manchester City já tem um lateral para ocupar o posto de titular. A contratação de Kyle Walker foi confirmada nesta sexta-feira por um valor altíssimo. Os Citizens pagaram € 51 milhões pelo jogador de 27 anos, que estava no Tottenham. Walker é um dos melhores laterais da Premier League, titular da Inglaterra, mas ainda assim, custou uma fortuna absurda. Um reforço que melhora o City, mas o custo acaba sendo maior do que deveria. O que o tornou tão caro? São muitos os fatores que elevam o preço e tornam este o valor mais alto já pago por um defensor na história do futebol.

LEIA TAMBÉM: Bonucci é mais que uma contratação: é uma mensagem de força do Milan

Primeiro, precisamos entender a necessidade do Manchester City. Os laterais do Manchester City renderam muito mal na temporada passada. Nenhum deles conseguiu desempenhar o papel que Pep Guardiola exige deles, entrando como meio-campistas quando o time tem a bola. Não por acaso, o time dispensou alguns deles: Pablo Zabaleta deixou o clube e foi para o West Ham, de graça, após o fim do contrato; Gael Clichy, outro que não atendeu às expectativas e foi para o Basaksehir, da Turquia; Bacary Sagna, sem contrato, também saiu.

Já no final da temporada passada, Kyle Walker parecia ter entrado em rota de colisão com Mauricio Pochettino no Tottenham e era especulado para ser reforço do Manchester City. O alvo de Guardiola era Daniel Alves, com quem trabalhou no Barcelona. Uma opção experiente de um jogador de 34 anos e com talento comprovado e com quem o técnico já tem afinidade. Só que o City perdeu o jogador em uma disputa com o PSG, que ofereceu mais que os ingleses estavam dispostos a pagar. Walker, então, se tornou a opção prioritária. E o Tottenham sabia disso.

Walker é um jogador capaz de fazer bem a função de lateral, seja se posicionando defensivamente, seja atacando com bons cruzamentos. É um jogador com boa qualidade técnica, que cumpre todos os requisitos para ser um bom lateral, mesmo sem ser excepcional em nenhum deles. Por isso é um dos melhores jogadores da posição na Premier League. Mas o preço que o Manchester City pagou não é de um jogador que cumpre bem a sua função. É o preço mais alto pago por defensor na história do futebol. E não é modo de dizer: é de fato o recorde por um defensor. E não há como dizer que Kyle Walker custar € 51 milhões não é algo que soa estranho.

É verdade que os clubes ingleses se tornaram muito mais ricos com o acordo de TV bilionário, que torna os 20 clubes da Premier League ficarem entre os 30 mais ricos da Europa. Só que há alguns indícios que há uma bolha que pode estourar por aí. Na última temporada, alguns números de audiência na TV caíram. A Sky Sports, principal detentora dos direitos da Premier League no Reino Unido, relançou seus planos com preços um pouco menores, preocupada com a economia do país e a crise. O mercado do futebol tem exigido pagamentos absurdamente altos. O mercado pode exigir, mas talvez a conta comece a ficar pesada demais para ser paga.

Kyle Walker, do Manchester City (Foto: Divulgação)
Kyle Walker, do Manchester City (Foto: Divulgação)

O cenário é bem simples: o Manchester City é um time que sabidamente tem muito dinheiro. Por isso, quem negocia com os Citizens costuma pedir alto. Além disso, existe a questão de necessidade: o time precisa de um lateral direito e isso estava claro para todo o mercado. O Tottenham não precisa do dinheiro, mesmo tendo interesse em negociar Walker. Depois que Daniel Alves deixou de ser uma opção, o City ficou mais restrito e Walker tem uma vantagem grande: é inglês. Isso é importante porque existe uma regra em algumas grandes ligas, como a Premier League, sobre a inscrição de jogadores locais. É preciso ter um número mínimo de jogadores formados no país, além de um número mínimo de jogadores formados no clube também.

No caso da Premier League, são 25 jogadores que podem ser inscritos (além dos jogadores sub-21, que não precisam de inscrição) e oito deles precisam ser formados no país. Além disso, quatro precisam ser formados no próprio clube. Por isso que, por exemplo, Raheem Sterling (€ 62,5 milhões em 2015) custou uma fortuna ao City, ou mesmo John Stones (€ 55,6 milhões em 2016). Se aplica o mesmo a Walker. Se você já jogou Football Manager, sabe como funciona. Todo clube, mesmo os mais ricos, precisam ter jogadores locais. E isso implica em uma valorização maior dos melhores jogadores ingleses.

Nada disso tira o absurdo que é pagar € 51 milhões em Kyle Walker. Um bom jogador, que será sem dúvida uma melhora em relação ao que o City tinha. Ele tem mais vigor físico e mais qualidade técnica do que os jogadores anteriores. Ou seja, como jogador, deve ser uma boa contratação. O problema é que o preço acaba sendo excessivamente alto, o que cria uma pressão maior também. Afinal, Guardiola passou o primeiro ano sem títulos no estádio Etihad. Quanto mais se gasta, mais pressão por resultados. É natural que seja assim.

Se as receitas do futebol estão infladas, a bolha uma hora pode estourar. Mesmo que ainda demore, é difícil não ler que Kyle Walker custou € 51 milhões. Mesmo que a situação seja diferente, Leonardo Bonucci, possivelmente o melhor zagueiro do mundo, custou € 40 milhões ao Milan. É de enlouquecer.

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo