Premier League

Klopp: “Precisamos estar prontos para jogar, sem comemorar contratações e esse tipo de coisas”

As atuações fantásticas do Liverpool na temporada passada aumentam as expectativas sobre aquilo que o time de Jürgen Klopp continuará protagonizando. Faltaram taças para referendar o ótimo nível do futebol, mas não é isso que apaga o bom trabalho dos Reds. E a sensação é a de que a equipe entra ainda mais forte em 2018/19. Perdeu um ou outro jogador da rotação principal, mas trouxe reposições interessantes e fortaleceu o elenco. O treinador, entretanto, prefere manter os pés no chão. Sabe que possui um longo trabalho pela frente e prefere ignorar a pressão externa por resultados melhores.

“Pressão está apenas do lado de fora. Isso não é realmente importante. O que vocês dizem sobre mim em três meses não muda minha vida completamente. É exatamente o mesmo com os donos do clube. Estamos completamente bem. A pressão provavelmente está aumentando, mas eu não me importo com isso. Eu quero que joguemos o melhor futebol possível e façamos nossos torcedores felizes. É isso. O que as outras pessoas dizem, eu não me importo. Não sou um sonhador, não sonho que podemos fazer isso ou aquilo. Outras pessoas fazem isso, mas nós temos que construir um campo para estes sonhos. Precisamos jogar futebol e isso ao longo de 80% da temporada, talvez 90%. É o trabalho duro. Os 10% são os dias em que você vai lá e goleia. É assim que funciona”, declarou, à BBC Sport.

Klopp ressalta que a sonhada conquista da Premier League dependerá da continuidade, e não apenas ao Liverpool. Há outros clubes que também seguem tão ou mais fortes do que na temporada passada: “Nós não compramos uma equipe, enquanto os outros não venderam as deles. Não é assim que acontece. Nós não temos um caminho livre para conquistar o título, será realmente duro. Os adversários ainda estão lá, mas nós melhoramos em relação ao último ano. O que isso significa para a liga? É o que veremos”.

De qualquer maneira, Klopp tem consciência que o status atual do Liverpool é bem diferente do que se vivia em outros anos. Não perder jogadores como Mohamed Salah, Sadio Mané ou Roberto Firmino representa demais aos Reds, depois de seguidos desmanches ao longo da última década. Uma das metas do treinador é provar que seu clube não é mais vendedor. Por isso, usa o exemplo do que aconteceu no Borussia Dortmund, com o qual conseguiu o bicampeonato da Bundesliga, mas precisou lidar com as constantes perdas.

“Anos atrás, eu estava em Dortmund. Se nos deixassem por quatro anos com o time que o Dortmund tinha em 2011, nós teríamos vencido a Liga dos Campeões ao menos uma vez. Os jogadores tinham entre 19 e 20 anos. Era uma equipe inacreditável e tivemos sorte de reuni-los todos. Não possuímos exatamente o mesmo no Liverpool, mas é semelhante. No passado, o clube estava na mesma situação. Torres, Suárez, Coutinho e Sterling foram vendidos, é verdade. A única coisa que isso significa para nós agora é que somos responsáveis. Não podemos culpar ninguém. Você precisa usar a qualidade e não depender de indivíduos para fazer a diferença. O futebol não é assim. O City não foi campeão na última temporada porque eles têm os melhores jogadores em cada posição, mas sim porque jogaram de maneira excelente, um futebol fantástico. Esta é a razão”, analisou.

Para o alemão, a postura do Liverpool será também muito importante para os resultados na temporada. Assim, é necessária uma consciência sobre o que fazer em campo: “Precisamos estar prontos para os grandes desafios, os grandes objetivos, temos que ser esta equipe faminta, agressiva e furiosa, um time cheio de desejos que quer ganhar todos os jogos. Os outros clubes também têm qualidade, então precisamos estar prontos para jogar, sem comemorar contratações e esse tipo de coisas. Eu entendo, é pré-temporada e as pessoas estão felizes. Legal. Mas para continuar felizes, temos muito trabalho pela frente. Estamos no meio do processo e não nos vemos prontos para a primeira rodada, claro que não”.

Por fim, Klopp fez uma avaliação quanto à necessidade de ganhar troféus para ser bem sucedido. E sua avaliação é positiva em relação aos laços que se reforçam em Anfield, com o prazer sentido pela torcida ante o espírito do time: “Posso prometer troféus à próxima temporada? É claro que não. Como posso fazer isso? Nós lutaremos por eles. É isso o que eu prometo todos os anos e é isso que nós fizemos. Ficamos próximos. Se as pessoas quiserem julgar nossa jornada até agora como um sucesso ou não apenas pelo que conquistamos, façam isso. Não tenho problemas com isso. O mundo é assim. Mas as pessoas curtiram nossa campanha e disseram que ‘esse é o futebol, ele pode ser alegre’, então tivemos sucesso. Estamos muito próximos dos torcedores e da equipe. É diferente. As pessoas estão realmente prontas para lutar até a última possibilidade”.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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