Durante o empate em 1 a 1 entre Midtjylland e Liverpool, na quarta-feira (9), pela rodada final da fase de grupos da Champions League, o jogo foi paralisado em três oportunidades por um bom tempo para checagens no VAR. Aquela noite marcada pela atuação do recurso de vídeo fez Jürgen Klopp afirmar que mudou de ideia em relação à tecnologia, criticando a maneira como ela tirou o ritmo de antes do futebol.

Em entrevista coletiva prévia ao jogo contra o Fulham, pela Premier League, neste final de semana, o técnico disse que antes era favorável à introdução do VAR, mas que agora isso mudou.

“Deixamos de comemorar os gols, esperamos constantemente, temos decisões de impedimento de menos de um milímetro. Muitas coisas não são como eram antes, a verdade é essa”, lamentou.

“Quando a ideia do VAR surgiu pela primeira vez, eu disse que era a favor porque achava que seria legal ter as decisões certas, se pudéssemos ter as decisões certas. Não tenho certeza que todos nós pensamos apropriadamente sobre isso e sobre o quanto demoraria para chegar à decisão certa, o quanto isso tiraria do jogo que tanto amávamos antes”, apontou, mesmo que a Premier League seja das competições nacionais com um procedimento de VAR dos mais rápidos do mundo.

“Não tem nada a ver com as decisões difíceis contra nós, é em geral. Algumas coisas não são como elas eram antes, e elas eram melhores antes. Se você muda algo, deveria haver uma melhora, e este definitivamente não é o caso. É isso”, completou Klopp.

Mesmo que o técnico tenha tentado desvincular sua crítica das decisões polêmicas contra os Reds, o Liverpool esteve envolvido em episódios controversos de VAR na temporada, o mais emblemático deles acontecendo no dérbi de Merseyside contra o Everton. Na oportunidade, o goleiro Pickford, dos Toffees, escapou de um cartão vermelho ao lesionar seriamente Virgil van Dijk, e Henderson, ao fim do jogo, teve um gol anulado por causa de uma decisão milimétrica de impedimento, custando uma vitória aos Reds.

Klopp não está sozinho na desaprovação ao VAR na Inglaterra. Uma pesquisa recente mostrou que apenas 30% do público no país acreditam que o assistente de vídeo melhorou o esporte, com 44% julgando que o recurso piorou os jogos. É interessante notar como a discussão é também uma questão de geração: a aprovação do VAR sobe para 36% entre 18 e 34 anos e cai para 25% entre os acima de 55 anos; a desaprovação, por sua vez, é de 30% entre os mais jovens e 59% entre os mais velhos.