Premier League

Kane marca duas vezes e Tottenham pune novamente o Manchester City na Premier League

Com dois gols nos acréscimos da segunda etapa, partida no Etihad pegou fogo

O Manchester City definitivamente possui algo pessoal contra o Tottenham. No segundo encontro dos times pela Premier League, os líderes saíram lamentando mais um tropeço. Neste sábado, no Etihad Stadium, o City esteve perdendo durante grande parte do jogo, empatou de pênalti nos acréscimos, mas sofreu uma derrota dramática logo depois, por 3 a 2, com dobradinha de Harry Kane.

Nos prometeram um jogaço e foi isso que aconteceu no Etihad. Intensidade, emoção, gols e drama nos minutos finais. Exceto se você for torcedor do City, esse foi o jogo dos sonhos de quem ama futebol, com reviravoltas pouco antes do apagar das luzes. E o primeiro gol saiu logo cedo.

Legado de Nuno?

Lá na abertura da Premier League, em contexto bem diferente, City e Tottenham se enfrentaram em Londres com vitória dos mandantes, ainda comandados por Nuno Espírito Santo. O português não durou muito no cargo, mas algo ficou no elenco em relação ao confronto com o time de Pep Guardiola. É evidente o quanto os Spurs melhoraram sob a batuta de Antonio Conte, e uma vitória maiúscula como a de hoje diante do City, amplo favorito ao título, reforça essa ideia.

Aos quatro minutos de jogo, Dejan Kulusevski começou a retornar o investimento feito pela diretoria. Em trama rápida, com passe de Kane para Heung-Min Son, o sul-coreano acionou o novato sueco para só empurrar às redes de Ederson. Batida, a defesa dos Citizens não acompanhou o movimento ofensivo e foi pega no contrapé. Daí em diante, o que se viu foi uma aula clássica de posse de bola do City, que não gerou tantos frutos assim, pelo menos nos primeiros 30 minutos.

A pressão intensa promovida pela equipe da casa foi tornando insustentável a manutenção do placar como estava. Depois de muito insistir, aos 33 minutos, o capitão Ilkay Gündogan empurrou para a rede e deixou tudo igual. A sensação era de que o City empatava para poder virar e amassar o Tottenham. Só que Guardiola esqueceu de combinar com a defesa de Conte, que segurou bem a bronca e aguentou a pancada durante grande parte do jogo.

Posse de bola (quase) estéril

A tão exaltada posse de bola serve para muito pouco se o seu time não cria situações para finalizar. Então, quando olhamos para os números do Manchester City na partida, os 72% de posse de bola podem até assustar, mas a estatística de chutes a gol deixou a desejar: apenas quatro chutes foram no gol de Hugo Lloris. Sabendo disso, Conte ficou confortável em ver o adversário com a bola, estando certo de que seus homens conseguiriam suportar o perigo rondando a área.

É assim que resumimos o confronto, diga-se. Quem muito ficou com a bola, não soube o que fazer com ela. Aos 13 minutos da etapa final, Son lançou para Kane, que arrancou do meio do campo até a marca do pênalti completamente desmarcado e pegou de primeira para marcar. O segundo gol foi um balde de água fria em Guardiola, que estava agitado na linha lateral e agora tinha de traçar outro plano para buscar a vitória. E nem se pode acusar a defesa celeste de desatenção: a ação ofensiva estava com Son na ponta-esquerda e Kane veio como um trem, de braço erguido, até que o colega o acionasse. Foi um lance muito rápido, méritos da estratégia de Conte.

A partida ficou arrastada até o fim e o Tottenham até chegou a marcar o terceiro, com Kane, mas a arbitragem pegou impedimento no lance e anulou com ajuda do VAR. Isso agitou a torcida local e o próprio time do City reagiu de outra forma, sabendo que ainda estava vivo. Quando a partida chegou nos descontos, outra onda de empolgação tomou conta do Etihad: dentro da área, o zagueiro Cristian Romero deu um carrinho para afastar a bola e acabou praticamente fazendo uma defesa com o braço direito. Após revisão do lance, e sem a menor sombra de dúvida, a arbitragem anotou o pênalti. Riyad Mahrez bateu bem demais e deixou tudo igual.

Kane é que sobe?

Para o Tottenham, o empate estava de bom tamanho, mas com tanto tempo de acréscimo (pelo menos seis minutos), dava para buscar algo mais. Logo após o gol de Mahrez, o City baixou a guarda e a dupla heróica dos Spurs fez mais uma das suas. Son conectou pelo ar com Kane, que cabeceou e resolveu a partida. Aí ficava dificil demais para buscar outra vez. Em um dia como hoje, o futebol prova que não existe um só jeito de vencer o jogo, e nem sempre quem chuta mais é quem sai de campo com os três pontos.

O Tottenham soube sofrer contra o ataque mais perigoso da Europa e neutralizou o líder da liga mais competitiva do mundo pela segunda vez na mesma temporada. Quem não aplaude o trabalho de Antonio Conte não está entendendo o tamanho da façanha do italiano. Em Liverpool, há relatos de comemorações. Com um jogo a menos, o Liverpool pode em breve ficar a apenas três pontos dos líderes mancunianos. Isso muda a relação do time de Guardiola com o favoritismo? Não. Mas o campeonato está novamente aberto depois de muito tempo e uma longa série de vitórias do City. E tudo isso por conta de uma cabeçada de Kane.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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