Premier League

John Terry anuncia o fim esperado de uma carreira para sempre marcada no futebol inglês

O ano a mais vestindo a camisa do Aston Villa serviu como epílogo de uma carreira que já tinha sua grande história concluída. Quando se despediu do Chelsea, ao final da temporada passada, John Terry encerrava um ciclo gigantesco em Stamford Bridge. O fim da trajetória de um dos maiores ídolos do clube, de um dos jogadores ingleses mais vitoriosos da era Premier League e, por que não, de um dos melhores zagueiros deste século. Por mais que não seja querido por todos e que tenha os seus entraves, é impossível não respeitar o que construiu o defensor dentro de campo, em quase duas décadas de entrega ao Chelsea. Seu nome sempre será atrelado ao clube.

A temporada na Championship ainda quase rendeu uma boa história. Terry ficou às portas de conquistar o acesso, o que seria um feito incrível. Caiu apenas nas finais dos playoffs, contra o Fulham. Não renovou o seu contrato e ainda teve mais alguns meses até tomar a decisão. O Spartak Moscou surgiu como uma alternativa factível e fortes rumores ligaram o veterano ao clube russo, mas ele anunciou que, em conjunto com sua família, preferiu não se mudar a um novo país. Ainda assim, teve a cortesia de comparecer nas arquibancadas da equipe moscovita. Por fim, neste domingo, confirmou que suas chuteiras estão penduradas de vez, aos 37 anos.

“Depois de incríveis 23 anos como jogador de futebol, eu decidi que agora é o momento certo para me aposentar. Aos 14 anos, fiz minha melhor e maior decisão: assinar com o Chelsea. Palavras nunca serão suficientes para mostrar o quanto todos no clube significam para mim, em particular os torcedores. Eles me deram total apoio dentro e fora de campo, tenho uma relação tremenda com eles. Acumulamos grandes memórias juntos e eu não poderia ter sucesso sem vocês. Para mim, vocês são os melhores torcedores do mundo. Espero que tenha deixado todos vocês orgulhosos”, declarou Terry, em seu Instagram.

“Minha carreira e meu coração sempre pertencerão ao Chelsea, mas sou grato por meu empréstimo ao Nottingham Forest em 1999, que foi incalculável por meu desenvolvimento como jogador. E também dizer um muito obrigado ao Aston Villa por me dar a oportunidade de jogar por um clube tão grande como capitão ao longo da temporada 2017/18. Foi um privilégio representar um clube renovado com seus grandes torcedores. Estou ansioso pelo próximo capítulo na minha vida e os desafios pela frente”, complementou.

Não deve demorar para John Terry iniciar sua carreira à beira do gramado. O ex-zagueiro recebeu o convite para se tornar um dos auxiliares de Maurizio Sarri no Chelsea, fazendo a ponte com os jogadores. No entanto, nos últimos dias, surgiram notícias de que ele pode retornar ao Aston Villa. Estaria negociando com o clube ao lado de Thierry Henry, de quem se tornaria assistente. Sem dúvidas, uma dupla marcante para a Championship. Por seu espírito de liderança, o inglês poderia ajudar bastante.

É essa, afinal, a grande marca de sua carreira. É obrigatório citar os senadores para recontar o período vitorioso do Chelsea sob as ordens de Roman Abramovich. E a voz forte de John Terry não vinha apenas nos vestiários, mas em campo. A imagem atrelada aos grandes sucessos dos Blues, com a taça da Premier League ou mesmo a da Champions nas mãos, será sempre a primeira que virá à mente. Como um jovem zagueiro, ajudou a transformar o ambiente em Stamford Bridge e a incutir uma mentalidade ambiciosa. A experiência só indicou que estava no caminho certo e permitiu que conduzisse cada vez mais os londrinos aos sucessos.

Autoridade que também se impunha graças à sua qualidade dentro de campo. Terry jogou por tanto tempo em alto nível, é claro, graças a virtudes inquebrantáveis como defensor. A potência física, o tempo de bola, a capacidade no jogo aéreo e o bom posicionamento sempre foram grandes virtudes. Ajudou a formar alguns dos sistemas defensivos menos vazados da história da Premier League e, ao lado de Petr Cech e Ricardo Carvalho principalmente, serviu de base de sustentação a esquadrões. Sua carreira na seleção inglesa, porém, não seguiu pelo mesmo caminho. Terminou marcada pelos insucessos de times que não cumpriam as expectativas e, ao final, por um sério episódio de abuso racial contra Anton Ferdinand, que antecipou sua aposentadoria.

Longe de ser uma unanimidade ou um personagem sem suas controvérsias, Terry construiu uma trajetória esportiva que acaba falando por si. Os 20 anos atuando profissionalmente, somando as 18 temporadas pelo Chelsea com as duas outras rápidas passagens. Os 17 títulos levantados, boa parte como capitão, bem como os diferentes prêmios individuais, presente em diferentes seleções da Premier League por mais de uma década. O esforço que empreendeu para mudar o Chelsea de patamar e que, olhando para trás, cumpriu com tanto êxito. É o que acaba ficando mais vivo na memória quando se reconta sua história.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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