Premier League

Jogo tenso e disputa de pênaltis trazem o Huddersfield de volta à elite após 45 anos

O primeiro tricampeão inglês da história está de volta à elite do futebol do país, após 45 anos perambulando pelas divisões inferiores. O Huddersfield venceu a batalha de nervos contra o Reading, em Wembley, na final do playoff do acesso da Championship, e, nos pênaltis, conquistou a vaga na Premier League, que vale £ 170 milhões (R$ 710 milhões) pelas próximas três temporadas. Mais do que dinheiro, vale a recuperação do orgulho de um clube com uma rica história que havia deixado de ser cachorro grande há muito tempo.

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O Huddersfield, clube de West Yorkshire, no norte da Inglaterra, entre Leeds e Manchester, venceu três vezes o Campeonato Inglês nos anos vinte, quando era comandado pelo lendário Herbert Chapman. Ganhou também a FA Cup de 1922, sua única conquista da competição. Foi estável na elite, entre as primeiras posições até as portas da Segunda Guerra Mundial. Depois de sete anos de pausa do futebol organizado para a troca de tiros e bombas, o Town passou cinco temporadas muito empenhado em ser rebaixado até finalmente conseguir, em 1952.

Voltou imediatamente para a primeira divisão e foi terceiro colocado no retorno à elite, mas, três anos depois, a queda foi novamente inevitável. Outro técnico lendário do futebol inglês, Bill Shankly, assumiu a equipe na Segundona e começou um processo de renovação, promovendo a estreia de, entre outros, Denis Law. Mas foi para o Liverpool, em 1959, e o Huddersfield só conseguiria o acesso onze anos depois. Mais dois anos na elite, mais um rebaixamento, em 1972.

Desde então, os Terriers vêm tentando retornar para o primeiro patamar da Inglaterra, sem sucesso. Passaram um bom tempo entre a terceira e a quarta divisão, cuja conquista, em 1980, representa o último troféu que o clube ergueu aos céus, com alguns anos na Segundona, nas décadas de oitenta e noventa. Retornaram de vez para a Championship, em 2012, e vinham flertando com o rebaixamento nas últimas quatro temporadas. Até chegar o técnico alemão David Wagner, em novembro de 2015.

Wagner, um dos auxiliares de Jürgen Klopp no Borussia Dortmund, conseguiu uma reviravolta impressionante em apenas um ano e meio. Assumiu o Huddersfield, que demitiu Chris Powell depois de um empate, curiosamente, contra o Reading, na 18ª posição, a cinco pontos da zona de rebaixamento. Estreou levando uma paulada do Leeds, em casa, por 3 a 0, na 16ª rodada, e conseguiu mantê-lo na segunda divisão, com o 19º lugar, a 11 pontos da degola.

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O técnico alemão foi agressivo no mercado de transferências, contratando vários jogadores da Alemanha, da onde vieram os zagueiros Christopher Schindler, Jon Gorenc-Stankovic e Michael Hefele, os atacantes Collin Quaner e Elias Kachunga e o lateral esquerdo Chris Löwe, e refinou o seu estilo de jogo: muita intensidade, pressão e passes rápidos. Tornou-se um time de muito volume de jogo, mas de finalização deficiente, tanto que terminou a temporada regular com saldo de gols negativo. Marcou 56, sofreu 58. E 22 das suas 25 vitórias foram por um gol de diferença, dez por 1 a 0, dez por 2 a 1 e duas por 3 a 2.

Alguma surpresa que a final do playoff seria nervosa? Ainda mais porque a semifinal já havia sido, decidida nos pênaltis a favor do Huddersfield contra o Sheffield Wednesday. Hefele quase marcou, no quarto minuto, completando para fora uma cobrança de falta de Aaron Mooy. Aos 10, Izzy Brown conseguiu superar o companheiro e perder um gol ainda mais feito: a bola foi cruzada por Kachunga, para a segunda trave, onde estava Brown, livre, sem marcação, pronto para marcar. E ele bateu para fora.

 

Após o susto inicial, o Reading conseguiu estabilizar-se na partida, que seguiu com poucas chances para os dois lados. Apenas dois chutes ao alvo do Huddersfield, contra um único da equipe treinada por Jaap Stam. Os pênaltis eram inevitáveis como o Natal, e os Terriers foram os primeiros a perder. Hefele parou nas mãos de Ali Al Habsi. Liam Moore, porém, isolou por cima do travessão, e Danny Ward, que já havia sido o herói contra o Sheffield, defendendo dois pênaltis, pegou mais um, de Jordan Obita. Christopher Schindler colocou o Huddersfield na primeira divisão.

Festa nas arquibancadas de Wembley, inclusive de Patrick Stewart, o professor Xavier nos cinemas, um notório torcedor do Huddersfield, que não via seu time enfrentar os maiores do país desde 1972. Na próxima temporada, ele e todos os outros apaixonados pelos Terrier terão essa oportunidade

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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